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"Loirona do Flávio" feita com IA entra em atos de campanha para vender conteúdo adulto

Perfil com mais de 522 mil seguidores no Instagram levava ao Telegram, onde um robô cobra por Pix; as contas saíram do ar depois que o Comprova procurou a empresa que recebia os pagamentos.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

Ilustração do Bairrista sobre: Symbolic, non-literal editorial illustration (no reenactment of the event, no people): A smartphone held up in front of a blurred, sunlit ou
Ilustração: Bairrista

Vídeos que colocam uma mulher loira ao lado de Flávio Bolsonaro (PL) em atos de campanha foram feitos com inteligência artificial e serviam para vender conteúdo adulto. A conclusão é do Projeto Comprova, divulgada nesta sexta (23), dois dias antes do segundo turno.

A personagem se chama Julia Berlli Cortez e ganhou o apelido de "loirona do Flávio". Para o eleitor gaúcho, o caso mostra como uma montagem com IA pode usar o nome de um candidato como isca para atrair seguidores e cobrar por Pix. A manipulação não tinha foco no Rio Grande do Sul: os atos usados nas montagens foram na Bahia, no Espírito Santo e em São Paulo.

Montagem trocou Nikolas por personagem

Segundo o Comprova, os vídeos que mais viralizaram foram montagens em atos de Flávio nos dias 17 e 18 de outubro na Bahia, Espírito Santo e São Paulo. Nos registros originais, o espaço era do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Um dos vídeos mostra a passagem da comitiva pela Praia de Camburi, em Vitória, no sábado (17).

O Comprova passou os vídeos pelo Hive Detector, ferramenta que mede a presença de IA. O vídeo com Julia teve índice de alteração de 14,5%, bem acima do vídeo original. A personagem também aparece com a mesma roupa em várias postagens.

O caso começou com uma denúncia do influenciador Guga Figueiredo, conhecido como "Xerife da Internet". Depois, um conteúdo da BBC identificou mais de 30 perfis parecidos, com personagens de IA que declaram apoio a candidatos e levam o público a sites de conteúdo adulto.

Do Instagram ao Pix

O perfil no Instagram tinha mais de 522 mil seguidores e não trazia aviso de que a personagem é feita com IA, o que contraria os Padrões da Comunidade da Meta, segundo o Comprova. Os links levavam a um chatbot no Telegram. O robô oferecia pacotes de fotos, vídeos e conversas íntimas mediante pagamento via Pix, com planos de R$ 14,90 e R$ 39,90. O canal tinha 164.432 seguidores até 20 de outubro.

A chave Pix de cobrança apontou como recebedora a Sync Tecnologia Ltda., de Brasília, com processamento da Bass Pago. A empresa integra o mesmo grupo da Sync Pay, fintech de pagamentos.

A Sync negou vínculo de sócios ou funcionários com a criação da personagem e com a gestão do perfil e do canal. Disse que atua só como intermediadora de pagamentos. Afirmou também que abriu análise da conta do usuário responsável pela cobrança. Alegou sigilo contratual e a Lei Geral de Proteção de Dados para não revelar quem é o titular.

O Comprova calculou que a venda poderia render de R$ 9,8 milhões a R$ 26,2 milhões por mês. É uma estimativa de faturamento bruto potencial: supõe que todos os 164.432 seguidores assinem o mesmo plano durante quatro semanas, sem descontar taxas nem cancelamentos.

Contas caíram depois do contato

Segundo o Comprova, as contas da personagem no Telegram e no Instagram caíram depois do contato com a Sync. Outros veículos relataram que o perfil saiu do ar no Instagram após denúncias de usuários. Não há informação pública sobre quem retirou cada conta.

O Comprova procurou a equipe de Flávio Bolsonaro, que não respondeu até o fechamento da checagem.

O que diz a regra eleitoral

O TSE fixou em 1º de setembro os critérios para caracterizar deepfake nas eleições de 2026. A Corte definiu como deepfake o conteúdo sintético, com grau de realismo, que cria ou altera imagem, voz ou manifestação de uma pessoa, viva, morta ou fictícia. A proibição, porém, só vale quando o material configura propaganda eleitoral.

Na mesma sessão, o tribunal rejeitou, por 4 votos a 3, multar Flávio por um vídeo com Jair Bolsonaro recriado por IA na convenção do PL. Não há registro público de ação na Justiça Eleitoral sobre os vídeos da "loirona".

Serviço

O segundo turno é neste domingo (25). Quem encontrar conteúdo suspeito pode enviar para checagem ao Projeto Comprova pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

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