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Lobista diz que fará delação e relaciona amigo de Lulinha a contratos de R$ 2 bi da ECB

Roberta Luchsinger não apresentou provas; o Planalto diz que Lula desconhece os fatos, e a defesa de Lulinha nega sociedade com Amauri Pinha.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

Presidente Lula em encontro com parlamentares em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília.
Foto: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal, disse à CNN Brasil no sábado (17) que pretende fazer delação premiada. Ela afirmou que não pretende poupar ninguém, nem o presidente Lula nem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na mesma entrevista, ela citou R$ 2 bilhões em contratos da construtora ECB, do grupo português Mota-Engil, com o governo federal.

As acusações chegam na reta final da campanha. A entrevista foi dada a oito dias do segundo turno, que o eleitor gaúcho decide neste domingo (25). Tudo o que ela disse até agora são alegações, sem documento apresentado. O governo nega.

O que a lobista disse à CNN

Luchsinger afirmou ter informações que, segundo ela, não estão nos aparelhos e documentos apreendidos pela PF. Ela não detalhou quais seriam essas informações nem apresentou relato completo dos episódios.

Sobre a ECB, ela respondeu que sim quando perguntada se tinha informações sobre a participação de Lulinha no acerto de um contrato. Disse que a empresa acumula R$ 2 bilhões em contratos com o governo federal desde que Amauri Pinha assumiu a presidência do conselho, em janeiro de 2025. Ela também disse que o vizinho de Lulinha é o presidente da empresa. "Não estou dentro dessa história, mas conheço essa história", afirmou, ao tratar da Mota-Engil.

Ela falou em R$ 2 bilhões em contratos acumulados, não em um contrato único. A lobista também não afirmou de forma explícita que haja ilegalidade de Pinha ou da empresa. Sugeriu que o acordo só ocorreu pela proximidade do executivo com Lulinha.

O que os registros mostram sobre Amauri Pinha e a ECB

Amauri Rodrigues Pinha assumiu a presidência do Conselho de Administração da ECB em janeiro de 2025. Em 23 de janeiro daquele ano, a agenda do DNIT já o identifica nesse cargo. Ele foi vizinho de Lulinha em Moema, bairro da zona sul paulistana.

A ECB tem sede em Belo Horizonte. A Mota-Engil comprou em maio de 2025 os 50% da construtora que ainda não detinha. Em 5 de setembro de 2025, o grupo venceu o leilão do túnel imerso Santos-Guarujá, na Bolsa de Valores de São Paulo. O desconto foi de 0,5% sobre a contraprestação pública anual de R$ 438,3 milhões. A ECB também firmou contrato com a Petrobras para intervenções na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro.

Esses negócios existem, mas os dados públicos não somam R$ 2 bilhões em um único contrato. Os registros documentam a atuação de Pinha, mas não comprovam que Lulinha tenha intermediado encontros ou contratos. O Grupo Mota-Engil, procurado pela CNN Brasil, não se manifestou.

O que dizem Planalto e defesa de Lulinha

A Secretaria de Comunicação da Presidência negou irregularidade e afirmou que Lula desconhece os fatos relatados. Segundo a nota, o presidente nunca manteve diálogo com a lobista e não tem conhecimento de tratativas comerciais com o nome dela.

A defesa de Lulinha reconhece a amizade com Pinha e nega sociedade ou negócio conjunto. Luchsinger também fez perguntas públicas a Lula. Quis saber por que a PF não fez operações contra o filho do presidente, hoje morando na Espanha, nem o chamou para depor. Até esta sexta (23), não havia resposta oficial a essas perguntas.

Investigação e delação

Luchsinger e Lulinha são alvo de três inquéritos da PF no Supremo Tribunal Federal (STF). As suspeitas são de corrupção e tráfico de influência em órgãos federais. Ela nega ter cometido crimes, e sua defesa sustenta que a amizade com Lulinha não comprova negócios ilegais.

A delação ainda é um anúncio. Um acordo desse tipo só vale depois de assinado com as autoridades e homologado pela Justiça.

Perguntas frequentes

Roberta Luchsinger já fez delação premiada?

Não. Ela disse à CNN Brasil que pretende fazer delação, mas um acordo só vale depois de assinado com as autoridades e homologado pela Justiça.

Quanto a ECB tem em contratos com o governo federal?

Segundo a lobista, R$ 2 bilhões desde janeiro de 2025, quando Amauri Pinha assumiu o conselho. Ela não apresentou provas, e os dados públicos não somam esse valor em um único contrato.

O que dizem Lula e Lulinha sobre as acusações?

O Planalto afirma que Lula desconhece os fatos e nunca dialogou com a lobista. A defesa de Lulinha nega sociedade ou negócio conjunto com Amauri Pinha.

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