Justiça fixa R$ 8,37 milhões por mortandade de 86 toneladas de peixes no Rio dos Sinos
A condenação é civil, cabe recurso e ainda não há data para o pagamento; o dinheiro vai para um fundo de reparação ambiental.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

A Justiça de Estância Velha condenou a massa falida do Curtume Kern Mattes S/A e dois ex-diretores a pagar R$ 8.370.824,02 pelos danos ambientais da mortandade de peixes no Rio dos Sinos, em outubro de 2006. A sentença é de 25 de agosto de 2026 e foi divulgada pelo Ministério Público do RS (MPRS) na segunda (19).

A decisão é de primeira instância e ainda não é definitiva. Por isso, não há data para a indenização ser paga. Segundo o MPRS, o Ministério Público só deve pedir o início da cobrança quando não houver mais possibilidade de recurso.
Quanto, quem paga e para onde vai o dinheiro
O valor se divide em R$ 7.870.824,02 por danos materiais ambientais e R$ 500 mil por danos morais coletivos. Os condenados são a massa falida do curtume e os ex-diretores Paulo Ricardo Hoff e Rejane Müller. Eles respondem solidariamente, o que permite cobrar de qualquer um a totalidade da obrigação.
O dinheiro não vai para indenizar pescadores nem pessoas físicas. A parcela dos danos morais coletivos deve ir para o fundo previsto na Lei da Ação Civil Pública. A promotora de Justiça Ximena Cardozo Ferreira é da Promotoria Regional Ambiental da Bacia do Rio dos Sinos. Segundo ela, como regra, os recursos vão para fundos de reconstituição de bens lesados, como o FRBL. A aplicação será definida numa etapa posterior.
O que foi calculado
O valor se baseia em estudos técnicos que consideraram a morte de cerca de 86 toneladas de peixes de pelo menos 16 espécies. Os estudos também levaram em conta o impacto sobre a reprodução dos animais e os serviços ecológicos do ecossistema.
A mortandade ocorreu entre 7 e 9 de outubro de 2006, na região da foz do Arroio Portão. O ponto fica junto às divisas de Portão, São Leopoldo e Sapucaia do Sul, na bacia do Sinos.
O MPRS informou que ajuizou três ações civis para buscar a reparação: duas em 2021 e uma em 2023. A sentença de agosto veio de uma delas. O Ministério Público não detalhou o andamento das outras duas.
A decisão saiu da 1ª Vara Judicial de Estância Velha, assinada pelo juiz Marcio Moreira Paranhos Dias. O próximo passo é o prazo de recurso. Depois dele, se a condenação se tornar definitiva, o Ministério Público pede à Justiça o início da cobrança.
Perguntas frequentes
Quando a indenização de R$ 8,37 milhões será paga?
Não há data. A decisão é de primeira instância e cabe recurso; a cobrança só deve começar quando não houver mais possibilidade de recurso.
Quem vai receber o dinheiro da condenação?
Não são os pescadores nem pessoas físicas. A parcela de R$ 500 mil por danos morais coletivos deve ir para fundo de reparação ambiental, como o FRBL; a aplicação será definida depois.
Quem foi condenado no caso da mortandade no Rio dos Sinos?
A massa falida do Curtume Kern Mattes S/A e os ex-diretores Paulo Ricardo Hoff e Rejane Müller, que respondem solidariamente.
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