Câncer de mama antes dos 35 anos é raro, mas chega mais avançado ao diagnóstico
Estudo do Inca com 12,7 mil pacientes jovens aponta estágio avançado em 62,8% dos casos, e o SUS discute incluir imunoterapia contra o tipo triplo-negativo.
Redação Bairrista · Repórter de Educação · · 3 min de leitura

O câncer de mama é raro em mulheres jovens, mas, quando aparece antes dos 35 anos, costuma ser descoberto numa fase mais adiantada e responde pior ao primeiro tratamento. É o que mostra um estudo publicado na Revista Brasileira de Cancerologia, do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O tema ganha peso no Outubro Rosa.
Para quem vive no RS, o recado prático é que nódulo ou alteração na mama merece investigação em qualquer idade. A mamografia diagnóstica, pedida diante de sinais ou sintomas, pode ser solicitada a qualquer tempo, conforme a avaliação do profissional de saúde, informa a Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS).
O que os números dizem sobre as jovens
O Inca descreve a doença como rara em mulheres jovens, com incidência que cresce com a idade e a maior parte dos casos a partir dos 50 anos. A estimativa para o triênio 2026-2028 é de 78.610 novos casos por ano no país.
O estudo da Revista Brasileira de Cancerologia analisou 12.689 casos de mulheres de 18 a 39 anos, registrados entre 2000 e 2009. Nessa amostra, 74,6% das pacientes vinham do SUS. O estadiamento avançado (IIB ou mais) apareceu em 62,8% dos casos.
As mais novas tiveram o pior quadro. As pacientes com menos de 35 anos apresentaram doença ainda mais avançada e pior resposta terapêutica do que as de 35 a 39 anos. Os autores citam que o câncer de mama em mulheres jovens representa 5% a 7% dos casos em algumas séries. Também apontam que uma possível causa do atraso é a percepção equivocada, entre profissionais de saúde, de que mulheres jovens não correm risco. Essa percepção leva a desvalorizar os primeiros sinais.
Sobre a evolução recente, o oncologista Pedro Exman, do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, afirma que o número de casos entre mulheres mais jovens tem aumentado. Ele diz que ainda não se sabe exatamente o que causa esse aumento, mas o estilo de vida pode estar relacionado.
No RS, a SES-RS informou taxa de incidência de 71,64 casos por 100 mil mulheres em 2025. Até setembro de 2026, o estado somava 1.459 novos casos, em dado preliminar. Os números não separam as pacientes com menos de 35 anos.
Quimioterapia é a base do tratamento do triplo-negativo
O subtipo triplo-negativo não tem receptores de estrogênio e de progesterona nem a proteína HER2. Isso limita as opções de hormonioterapia e de terapia-alvo. Ele representa de 15% a 20% de todos os casos de câncer de mama, segundo a Revista Brasileira de Cancerologia.
A Sociedade Brasileira de Mastologia descreve o tipo como um dos subtipos biologicamente mais agressivos, com maior risco de recidiva precoce e pior prognóstico. Esse tumor é frequentemente diagnosticado em mulheres mais jovens, em especial negras e com menos de 40 anos. O tratamento tem a quimioterapia como base e, em casos selecionados, pode incluir imunoterapia.
No SUS, o debate está na Conitec, comissão que avalia quais tecnologias entram na rede pública. Em maio, ela abriu consulta pública, com prazo até 8 de junho, para avaliar a imunoterapia pembrolizumabe contra o câncer de mama triplo-negativo, entre outros tumores. A proposta prevê o uso do medicamento com quimioterapia antes da cirurgia, seguido de manutenção após o procedimento.
O que o SUS recomenda para o rastreamento
Para mulheres sem sintomas e de risco habitual, o Ministério da Saúde recomenda mamografia a cada dois anos, dos 50 aos 74 anos. Entre 40 e 49 anos, o exame também pode ser feito no SUS, após avaliação e orientação profissional. Não há recomendação de rastreamento com mamografia para mulheres mais jovens sem sintomas e sem histórico familiar.
Serviço: quem notar nódulo, endurecimento, mudança na pele ou secreção na mama deve procurar a unidade básica de saúde mais próxima, em qualquer idade. O SUS oferece exames de investigação e tratamento do câncer de mama, e a mamografia diagnóstica pode ser pedida diante de sinais ou sintomas.
Perguntas frequentes
Câncer de mama em mulheres jovens é comum?
Não, é raro. No estudo do Inca, o câncer de mama representa de 5% a 7% dos casos em algumas séries com mulheres jovens, e a incidência cresce com a idade, com a maior parte dos casos a partir dos 50 anos.
Nódulo na mama precisa ser investigado antes dos 40 anos?
Sim. Segundo a SES-RS, nódulo, endurecimento, mudança na pele ou secreção devem ser investigados em qualquer idade, e a mamografia diagnóstica pode ser pedida diante de sinais ou sintomas.
Quando o SUS recomenda mamografia de rotina?
Para mulheres sem sintomas e de risco habitual, a recomendação do Ministério da Saúde é a cada dois anos dos 50 aos 74 anos; entre 40 e 49 anos, o exame também pode ser feito após avaliação profissional.
Saber mais
- INCA – Incidência do câncer de mama
- Revista Brasileira de Cancerologia (Inca) – Câncer de Mama em Mulheres Jovens: Análise de 12.689 casos
- Secretaria da Saúde do RS – SERMulher RS fortalece diagnóstico precoce do câncer de mama
- Sociedade Brasileira de Mastologia – Consulta pública da Conitec sobre pembrolizumabe
- Metrópoles – Conitec abre consulta pública para incluir imunoterapia no SUS
- Hospital Oswaldo Cruz – Inca estima 78,6 mil casos de câncer de mama para 2026
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