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MundoEconomiaAfeta o RS

Coalizão protocola 14 queixas na Europa contra JBS e bancos por ligação com desmatamento

Denúncias acusam empresa, bancos e consultorias de facilitar lavagem de dinheiro ligada ao desmatamento ilegal na Amazônia; a JBS diz que bloqueia fornecedores irregulares por satélite.

Por que afeta o RS: A JBS é uma das maiores empresas de abate do Brasil e tem unidades e fornecedores no Rio Grande do Sul; queixas na Europa podem afetar exportações gaúchas de carne.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

Frigorífico da JBS com caminhões de carga estacionados em pátio, sob céu nublado
Foto: MODIS Land Rapid Response Team, NASA GSFC / Wikimedia Commons (Public domain)

A Transnational Legal Coalition (TLC), formada por organizações ambientais e de direitos humanos, apresentou 14 queixas a reguladores financeiros e promotores europeus contra a JBS, maior empresa de carne do mundo. Os alvos incluem bancos, gestoras de investimento e consultorias. O grupo os acusa de facilitar lavagem de dinheiro ligada a desmatamento ilegal na Amazônia. A informação é da agência AP.

Para o RS, o ponto de contato é o mercado externo: a Europa respondeu por 18,8% das exportações brasileiras de carne bovina, atrás dos Estados Unidos, com 21,5%, segundo dados oficiais citados pela AP. O levantamento que sustenta as queixas cobre 21 frigoríficos da JBS em cinco estados da região amazônica: Acre, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. O Rio Grande do Sul não está na lista.

O que as queixas dizem

A tese é que a receita de gado criado em áreas desmatadas ilegalmente é produto de crime, e que bancos, gestores e assessores deixaram de detectar e comunicar transações suspeitas. As queixas usam pesquisa encomendada à ONG AidEnvironment, que monitora desmatamento e cadeias de fornecimento. Também houve comunicação à Agência Nacional do Crime do Reino Unido sobre a JBS Global (UK) Limited. Um encaminhamento criminal contra a controladora holandesa da empresa foi feito ao Ministério Público da Holanda.

Entre os alvos estão Barclays, Standard Chartered, Rabobank, ING e BlackRock, além das filiais londrinas do Bank of Montreal e do Banco do Brasil. Os assessores citados são Loyens & Loeff, EY e KPMG. A coordenadora da TLC, Bláithín Quigley, afirmou que o desmatamento ilegal da Amazônia é crime, não modelo de negócio.

O que dizem JBS e bancos

A JBS afirma que seu sistema de monitoramento analisa mais de 600 mil quilômetros quadrados do território brasileiro por dia e bloqueia fazendas com desmatamento ilegal, áreas embargadas, sobreposição com terras indígenas, quilombolas ou unidades de conservação e trabalho análogo à escravidão. A empresa citou ainda auditoria do Ministério Público Federal de 2023, segundo a qual 94% de suas compras de gado vinham de fontes legais.

O Banco do Brasil disse que não viu a queixa, que cumpre as regras contra lavagem de dinheiro e que monitora riscos ambientais e sociais. A coalizão afirma que quer provocar investigações e alertar financiadores sobre as consequências legais do desmatamento na cadeia da JBS.

Perguntas frequentes

A JBS foi condenada pelas queixas?

Não. As queixas foram apresentadas a reguladores e promotores europeus para provocar investigações; a JBS afirma que bloqueia fornecedores irregulares por satélite.

A carne exportada pelo Rio Grande do Sul está envolvida?

O levantamento cobre 21 frigoríficos da JBS em Acre, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. O Rio Grande do Sul não está na lista.

Quais bancos foram citados?

Barclays, Standard Chartered, Rabobank, ING, BlackRock, Bank of Montreal e Banco do Brasil, além das consultorias Loyens & Loeff, EY e KPMG.

Qual a importância da Europa para a carne brasileira?

A Europa respondeu por 18,8% das exportações brasileiras de carne bovina, atrás dos Estados Unidos, com 21,5%.

Saber mais: fontes consultadas (2)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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