Israel aguarda apuração final sem maioria para Netanyahu e Shin Bet apura interferência
Partidos terão de negociar uma coalizão de ao menos 61 cadeiras; o resultado segue ao presidente Isaac Herzog na quarta (4), e o Shin Bet apura suspeita de interferência estrangeira.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura
Atualizada 30/10, 18:58 · A apuração final confirmou 53 cadeiras para o bloco de Netanyahu, 48 para a oposição e 19 para os partidos árabes, e o resultado vai ao presidente Isaac Herzog na quarta (4).

Israel aguarda nesta quinta (29) a apuração final da eleição parlamentar para confirmar o que as projeções indicam: o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não deve ter maioria no Parlamento. Segundo a agência Associated Press, o Likud, partido de Netanyahu, aparece como o maior partido. Com cerca de 90% dos votos apurados, o bloco do premiê tem 53 das 120 cadeiras, abaixo das 61 necessárias, contra 48 da oposição e 19 dos partidos árabes.
O resultado define quem monta o próximo governo israelense.
Shin Bet recebe pedido de investigação
O presidente da Comissão Central Eleitoral, o juiz da Suprema Corte Noam Sohlberg, pediu ao Shin Bet, o serviço de segurança interna, que investigue suspeitas de interferência estrangeira. A carta menciona financiamento por "entidades estrangeiras contra o interesse israelense", sem dar detalhes, e pede conclusões dentro da semana, segundo a AP.
A mídia israelense aponta Catar e Turquia como possíveis origens do dinheiro, segundo o Jerusalem Post, que cita investigações preliminares. O Catar nega, informou o portal Ynet. O deputado Mansour Abbas, presidente do partido árabe Ra'am, também rejeitou envolvimento e afirmou apoiar a apuração.
O Shin Bet informou nesta quinta que as informações foram levantadas pela própria agência e não vieram de nenhum partido. Segundo a emissora Channel 12, o chefe do órgão, David Zini, levou os indícios a Sohlberg. O diretor-geral interino da comissão, Dean Livne, disse em carta que não há base para alegações de violações sistemáticas na votação.
Likud acusa partidos árabes
O Likud acusou partidos árabes de roubar a eleição e pediu investigação à comissão, sem apresentar provas, segundo a AP. A comissão afirma que o número de irregularidades foi baixo. Um alto funcionário da polícia disse ao jornal Haaretz que as alegações não têm base factual.
Netanyahu citou o pedido ao Shin Bet para dizer que nenhum partido deve cooperar com legendas lideradas por árabes. A carta de Sohlberg não trata desse assunto. A emissora Kan informou, citando um funcionário da comissão, que, mesmo confirmadas todas as suspeitas, a atividade não teria peso para mudar o resultado.
Próximos passos
A lei israelense exige que o resultado seja certificado até 4 de novembro. O Shin Bet deve apresentar suas conclusões à comissão dentro da semana.
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