Iranianos deixam Doha com rascunho de proposta; Trump promete não atacar antes da eleição
Teerã pede reabertura de Ormuz e fim do bloqueio naval dos EUA, Washington ainda não aceitou, Khamenei manda as Forças Armadas se prepararem e China e Omã pedem navegação segura no estreito.
Por que afeta o RS: Alta do petróleo internacional pode pressionar preços de combustíveis e custos no Rio Grande do Sul.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 5 min de leitura
Atualizada 02/11, 15:32 · A porta-voz chinesa Mao Ning informou que o enviado especial visitará Irã, Omã e Arábia Saudita no início ou em meados de novembro, para reduzir tensões, o que substitui a informação anterior de que não havia datas.

Negociadores iranianos deixaram Doha no domingo (1º) após conversas com mediadores do Catar sobre o fim da guerra com os EUA, informou a Reuters nesta segunda (2). Um rascunho de proposta circula, e uma nova reunião é possível, segundo um funcionário informado sobre as negociações. Teerã diz que o plano prevê reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar o bloqueio naval americano. Washington ainda não aceitou.
Para o Rio Grande do Sul, o ponto de atenção é o petróleo. Ormuz é uma rota central para o petróleo mundial, e uma retomada dos combates na região costuma pressionar o preço internacional do barril e, depois, combustíveis e fretes. A reabertura da passagem iria na direção contrária. A Petrobras não anunciou reajuste ligado a esse episódio.
Conversas em Doha duraram três dias
Os iranianos e os mediadores do Catar se reuniram em Doha no sábado (31), segundo uma fonte ouvida pela Reuters. O encontro veio depois de mais de 12 horas de discussões em Teerã, na sexta-feira (30). A fonte, que pediu anonimato, disse que as conversas são coordenadas em contatos regulares com Washington.
No domingo, o terceiro dia seguido de conversas, o ministro iraniano das Relações Exteriores afirmou que a proposta com os mediadores prevê reabrir totalmente o Estreito de Ormuz em dois dias, segundo a Associated Press (AP). Os negociadores deixaram a capital catariana depois disso.
Petróleo recua mais de 3% com a expectativa de acordo
Na abertura dos negócios asiáticos desta segunda (2), o Brent caía pouco mais de 1%, para US$ 111,84 por barril. A queda se ampliou ao longo do início do pregão: o Brent recuou 3,2%, para US$ 109,75, e o WTI, referência nos EUA, caiu 3,3%, para US$ 100,69. O mercado reage à expectativa de avanço diplomático entre Irã e Catar. Não há acordo anunciado.
A Opep+ manteve inalteradas as metas de produção para dezembro. Ataques a navios no Golfo e a interrupção de fluxos em Ormuz seguem pressionando os custos de energia e de transporte, o que pode chegar a combustíveis, fretes e outros produtos no estado. Com o barril ainda acima de US$ 100, o alívio é parcial.
Plano de sete dias não agradou a Teerã
Os catarianos levaram a Teerã, uma semana antes, a proposta de um plano de sete dias, em que EUA e Irã dariam passos diários de construção de confiança antes de negociações mais amplas. Um alto funcionário iraniano disse à Reuters na sexta-feira que Teerã não considerou a proposta satisfatória.
O Irã tem plano próprio. Ele pede que Washington levante o bloqueio aos portos iranianos, descongele ativos e aprove uma rota apoiada pelo Irã no Estreito de Ormuz, e só então a passagem seria reaberta.
Segundo a AP, Teerã não planeja se reunir com representantes americanos, embora veja de forma positiva os esforços recentes de diálogo.
Khamenei manda Forças Armadas se prepararem
O líder supremo, Mojtaba Khamenei, ordenou que as Forças Armadas estejam prontas para responder a qualquer ataque dos EUA ou de Israel. Em mensagem no Telegram, ele disse que ameaças de qualquer nível ou tipo exigem resposta imediata, de impacto e sem restrição geográfica. Os militares iranianos anunciaram depois que tomam medidas para elevar a prontidão.
A reportagem da Reuters não aponta um ataque novo que tenha motivado a ordem. O cenário é de ameaça: países da região esperam que o presidente Donald Trump, que segurou ataques ao Irã nas semanas antes da eleição de terça-feira, possa retomá-los depois da votação. O Irã diz que responderia atingindo alvos dos EUA e de Israel em países vizinhos.
Líderes regionais, entre eles os da Arábia Saudita e do Egito, pediram contenção.
China e Omã pedem navegação segura em Ormuz
O presidente chinês, Xi Jinping, e o sultão de Omã, Haitham bin Tariq, defenderam nesta segunda (2) que o Oriente Médio não vire palco de rivalidade entre grandes potências. Em comunicado conjunto de 20 pontos, os dois países pediram a retomada da navegação normal e segura no Estreito de Ormuz e disseram que EUA e Irã devem buscar uma saída pacífica.
Pequim anunciou ainda que seu enviado especial para o Oriente Médio visitará Irã, Omã e Arábia Saudita no início ou em meados de novembro. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, disse que a missão busca reduzir tensões e promover estabilidade regional, segundo a AP.
Ataques já atingiram 26 bases com equipamentos dos EUA
Uma análise da AP, baseada em imagens de satélite e em entrevistas com quatro autoridades regionais, contabiliza mais de 115 ataques com drones ou mísseis atribuídos ao Irã e a milícias aliadas. Até agosto, eles atingiram pelo menos 26 bases e locais com equipamentos americanos no Oriente Médio.
Os alvos incluíram sistemas de alerta antecipado e hangares de aeronaves. Segundo a análise, os danos a equipamentos somam bilhões de dólares. As autoridades ouvidas disseram que os EUA retiraram parte de seus ativos da região.
O que dizem os EUA
Trump afirmou no domingo que os EUA não lançarão novos ataques antes das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro. Ele não descartou ação militar depois da votação.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, havia dito no sábado (31) que Trump ainda não decidiu se lançará novos ataques ao Irã, mas prefere resolver o conflito pela via diplomática. Rubio também disse que as conversas nunca pararam.
A eleição legislativa americana acontece na terça-feira (3).
Atualização: a China informou, por meio da porta-voz Mao Ning, que o enviado especial visitará Irã, Omã e Arábia Saudita no início ou em meados de novembro, com o objetivo de reduzir tensões na região.
Perguntas frequentes
O que o Irã propõe no rascunho de Doha?
Reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar o bloqueio naval americano; Washington ainda não aceitou.
O petróleo caiu com a notícia?
Sim. O Brent recuou 3,2%, para US$ 109,75, e o WTI caiu 3,3%, para US$ 100,69, na abertura asiática desta segunda (2).
Os EUA vão atacar o Irã antes da eleição?
Trump disse no domingo que os EUA não lançarão novos ataques antes das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro.
Quando será a próxima reunião?
Uma nova reunião é possível, segundo um funcionário informado sobre as negociações, mas a data não foi informada.
Saber mais: fontes consultadas (15)
- Reuters (via U.S. News & World Report)
- Reuters (via The Star)
- Reuters (via The Print)
- Reuters (via Canberra Times)
- AP News in Brief (Chronicle Online)
- AP News Summary (KDH News)
- Arn News Centre
- Oil prices fall over 1% as Iran-Qatar talks raise hopes of diplomatic progress (The Hindu BusinessLine)
- Market analysis: oil prices retreat amid hopes for diplomacy (Newsquawk)
- Click2Houston (AP)
- Reuters (via Yahoo Finance Singapura)
- Reuters, Global markets view Europe (2/11/2026)
- GMA Network
- Reuters
- AP News, 2/11/2026
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