Irã diz que EUA atacaram dois barcos de pesca; Trump diz que não ataca antes de 3/11
Emissora estatal iraniana relata dois pescadores desaparecidos e um ferido perto de Qeshm; Washington não confirmou, e o líder supremo Mojtaba Khamenei promete resposta imediata, sem limites geográficos.
Por que afeta o RS: Escalada na navegação em Ormuz pode pressionar o preço internacional do petróleo e os custos de combustíveis no RS.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 9 min de leitura
Atualizada 01/11, 00:35 · O líder supremo Mojtaba Khamenei prometeu resposta imediata e sem limites geográficos a qualquer ameaça dos EUA ou de Israel, e o chanceler Abbas Araghchi anunciou proposta de mediadores para reabrir Ormuz em dois dias, com negociações condicionadas às exigências de Teerã.

A emissora estatal iraniana IRIB afirmou neste sábado (31) que os Estados Unidos atacaram dois barcos pesqueiros perto da ilha de Qeshm, no golfo Pérsico. Um funcionário da província de Hormozgan disse à emissora que dois pescadores estão desaparecidos e um ficou ferido. Washington não confirmou o ataque.
O relato vem um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer em entrevista a uma rádio de Kansas City, na sexta (30), que acredita que a guerra com o Irã terminará em breve e que Washington não atacará o país antes das eleições legislativas de 3 de novembro. Ele não explicou como o conflito acabaria. Dois dias antes, autoridades americanas haviam pedido a países do Oriente Médio que se preparassem para uma possível nova ação militar contra o Irã depois da votação.

Para o gaúcho, o que está em jogo é o preço do petróleo, que influencia o custo do diesel e da gasolina nos postos do estado. O Estreito de Ormuz é rota central do petróleo que abastece o mundo, e o preço do barril serve de referência para os combustíveis vendidos no Brasil, inclusive no Rio Grande do Sul. Uma escalada na região, como um ataque a infraestruturas de energia ou à navegação, tende a pressionar ainda mais essa cotação.
Dois diplomatas ouvidos pela Associated Press (AP) disseram que a operação poderia durar vários dias e que os aliados foram avisados de uma possível retaliação iraniana contra instalações de energia e outras infraestruturas críticas. Segundo as fontes, Trump ainda não tomou a decisão final. Neste sábado, o secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou que o presidente não decidiu se autoriza novos ataques e disse que ele prefere uma solução diplomática. O alerta aos aliados veio depois de um alto funcionário iraniano rejeitar o esboço de acordo levado por Qatar e Paquistão. Na sexta (30), mediadores do Qatar voltaram a Teerã para tentar retomar a negociação.
Khamenei promete resposta sem limites geográficos
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, disse que qualquer ameaça dos Estados Unidos ou de Israel terá resposta imediata, sem limites geográficos, segundo a agência estatal IRNA. A declaração foi divulgada neste sábado (31). Antes dela, uma fonte ouvida pela Reuters já havia relatado que ele ordenou às Forças Armadas que estejam prontas para responder a ataques. A determinação chega a três dias da votação americana, depois da qual Washington avalia uma possível nova ação militar.
O chanceler Abbas Araghchi afirmou que mediadores apresentaram proposta para reabrir completamente o Estreito de Ormuz em dois dias. Diplomatas iranianos estavam no Catar para conversas, mas Teerã condicionou negociações diretas ou indiretas a Washington aceitar suas exigências.
Egito alerta que segunda rodada seria mais destrutiva
O chanceler do Egito, Badr Abdelatty, disse neste sábado (31) estar muito preocupado com uma nova escalada na guerra entre Estados Unidos e Irã. Em declaração no encontro de segurança IISS Manama Dialogue, no Bahrein, afirmou que uma segunda rodada do conflito seria mais destrutiva.
Um acordo interino fechado em junho não encerrou os combates nem normalizou o tráfego no Estreito de Ormuz. Os dois lados seguem divergindo sobre a ordem das negociações nucleares e sobre o alívio do bloqueio e das sanções ao petróleo.
Dois pescadores desaparecidos perto de Qeshm
Qeshm fica no Estreito de Ormuz, na costa da província de Hormozgan. O relato da IRIB é a única fonte do episódio até agora. Os Estados Unidos não se manifestaram, e o caso aparece em meio à disputa sobre a navegação na região e à promessa de Trump de não atacar antes da votação.
Trump diz que guerra acaba logo, mas pede garantias nucleares
Na entrevista, Trump afirmou que os EUA precisam de garantias de que o Irã nunca terá uma arma nuclear. Não apresentou mecanismo nem cronograma para o fim da guerra, iniciada em fevereiro. A promessa de não atacar antes de 3 de novembro coincide com a data em que o esboço dos mediadores prevê o início do cronograma de medidas de confiança.
Análise da AP aponta danos em 26 bases americanas
Uma análise da AP publicada neste sábado (31) concluiu que ataques do Irã atingiram primeiro sistemas de alerta antecipado e, depois, aeronaves e edifícios em mais de 20 bases dos EUA no Oriente Médio. Imagens de satélite verificadas pela agência indicam danos a estruturas em 26 bases e outros locais com equipamento militar americano.
Até agosto, mais de 115 ataques com drones ou mísseis, reivindicados pelo Irã ou por grupos aliados, danificaram ou destruíram instalações. Autoridades ouvidas pela AP estimaram prejuízos de bilhões de dólares.
A extensão dos danos entra na conta do risco de nova escalada, que mexe com a segurança da região e com o preço da energia.
Pentágono afasta principal planejador militar
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afastou o tenente-general Brett Sylvia, responsável pelo planejamento de estratégia e políticas no Estado-Maior Conjunto, informou a AP na quinta (29). Um funcionário da Defesa disse que não foi apresentada justificativa pública para a decisão.
Sylvia é o segundo oficial a deixar o posto desde que Hegseth assumiu o cargo. A troca ocorre enquanto Trump avalia novos ataques ao Irã, após meses de guerra.
Em Doha, Teerã considera insatisfatória a proposta de sete dias
Representantes iranianos se reuniram neste sábado (31) em Doha com mediadores do Qatar para discutir como evitar a retomada da guerra no Golfo, segundo uma fonte ouvida pela Reuters. Os contatos estão sendo coordenados com Washington. As conversas vieram depois de mais de 12 horas de reuniões entre enviados iranianos e do Qatar em Teerã, na sexta (30), e ocorrem em meio a ameaças de ataques e a divergências sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.
A proposta do Qatar prevê medidas de confiança ao longo de sete dias, mas Teerã não a considerou satisfatória. Um alto funcionário iraniano já havia dito na quarta (28) que as ideias apresentadas pelo Qatar são inaceitáveis e não constituem uma proposta formal. Ele afirmou que Teerã não flexibilizará sua posição sobre o programa nuclear.
O impasse está na ordem das etapas. Washington quer incluir o programa nuclear iraniano desde o início das negociações. Teerã exige primeiro o fim do bloqueio aos seus portos e das sanções ao petróleo. As posições de Washington e de Teerã seguem as mesmas.
Os mediadores haviam entregue o esboço às duas capitais no domingo (25), segundo um funcionário informado sobre as negociações, citado pela Reuters. O texto prevê sete dias de medidas diárias de confiança, para atender às preocupações de Teerã e de Washington, e o cronograma poderia começar no início da próxima semana. Vários países poderiam atuar como garantidores do acordo.
Paquistão se diz "cautelosamente otimista"
O porta-voz militar do Paquistão afirmou à Reuters na sexta (30) que o país está "cautelosamente otimista" com a mediação entre Washington e Teerã. O chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, esteve duas vezes no Irã em outubro. A mais recente foi na segunda (26), numa viagem com autoridades da Arábia Saudita e da Turquia.
Carta de Vance chega a Teerã; Trump fala em suprimentos médicos
Trump disse na quinta (29) que a comunicação do vice-presidente JD Vance com o Irã tratava do envio de suprimentos médicos. A agência iraniana Tasnim informou que Teerã recebeu a carta de Vance, mas ainda não havia respondido até o fim do dia, segundo a Reuters.
A reportagem também relata que o Irã condiciona qualquer avanço ao atendimento de suas exigências. A troca de sinais abre uma possível retomada das negociações, o que pode reduzir o risco de nova escalada militar e influenciar os preços da energia.
Petroleiro pega fogo em Ormuz após explosivos no casco; Guarda Revolucionária fala em quatro navios
Um petroleiro pegou fogo na quinta (29) depois que uma lancha pequena aparentemente prendeu dois explosivos ao casco, informou a agência marítima britânica UKMTO. O navio cruzava o Estreito de Ormuz, a cerca de 46 km a nordeste de Khasab, em Omã.
A tripulação está segura e não houve impacto ambiental, segundo a UKMTO. A autoria do ataque não foi identificada.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou, separadamente, que quatro petroleiros pegaram fogo ou explodiram na região. A alegação não pôde ser verificada de forma independente, e a UKMTO só registrou um navio atingido.
Marinha iraniana diz que petroleiro atingiu minas
A Marinha do Irã afirmou na terça (27) que um navio-tanque pegou fogo depois de atingir minas navais a leste do Estreito de Ormuz. Em comunicado divulgado pela agência oficial IRNA, disse que o petroleiro tinha desligado o rastreamento e tentava passar por uma área "restrita e insegura".
O comunicado não identifica o navio, a bandeira nem a tripulação, e não informa se houve vítimas. Também não traz coordenadas da área que Teerã declara proibida. Os dados vêm só do lado iraniano. A Petrobras e a ANP não se pronunciaram sobre o episódio.
A Marinha afirmou que Ormuz continua "inseguro e fechado" para quem tenta passar sem coordenação, e que os navios que buscam travessia segura devem se acertar com as forças armadas do Irã. O Irã já fez alegações parecidas, e o Centro Conjunto de Informação Marítima (JMIC) considerou não substanciados relatos anteriores de petroleiros atingidos por minas. Estados Unidos, Israel, União Europeia e ONU não comentaram o caso do petroleiro.
Petróleo cai com negociações
O Brent, referência internacional do petróleo, caiu 1,8% na terça, para US$ 113,72 por barril, segundo relato de mercado. A queda ocorreu com investidores atentos às negociações sobre o conflito e aos riscos à navegação, e não foi atribuída ao relato do petroleiro.
Comida fica 121,8% mais cara no Irã após oito meses de guerra
Famílias iranianas cortam gastos com alimentação, moradia e educação diante da alta do custo de vida, segundo a Reuters. Os preços ao consumidor em setembro estavam quase 90% acima dos de um ano antes, e a inflação anual acelerou para 73,6%, de acordo com dados oficiais e a imprensa estatal.
Alimentos e bebidas ficaram 121,8% mais caros na comparação anual. O desemprego oficial chegou a 9,1% na primavera.
A guerra e as restrições ao comércio e ao acesso a moeda estrangeira encarecem importações e matérias-primas, num país que já convivia com décadas de sanções. Comerciantes enfrentam custos maiores e queda na demanda.
Qatar e Paquistão lideram a mediação, e a resposta formal do Irã ao esboço era esperada até o fim da semana. As eleições legislativas americanas ocorrem em 3 de novembro.
Atualização: a matéria foi atualizada neste domingo (1º) com a declaração de Mojtaba Khamenei, divulgada pela IRNA, de que qualquer ameaça dos EUA ou de Israel terá resposta imediata e sem limites geográficos, e com o anúncio do chanceler Abbas Araghchi de uma proposta de mediadores para reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias.
Perguntas frequentes
O que aconteceu com os barcos de pesca perto de Qeshm?
Segundo a emissora estatal iraniana IRIB, dois barcos foram atacados pelos EUA, com dois pescadores desaparecidos e um ferido. Washington não confirmou o ataque.
Trump vai atacar o Irã antes das eleições?
Trump disse que não atacará o Irã antes das eleições legislativas de 3 de novembro, mas as autoridades americanas já pediram aos países do Oriente Médio que se preparem para uma possível ação após a votação.
Por que a guerra com o Irã afeta o preço da gasolina no RS?
O Estreito de Ormuz é rota central do petróleo mundial, e o preço do barril serve de referência para os combustíveis vendidos no Brasil, inclusive no Rio Grande do Sul. Uma escalada tende a pressionar essa cotação.
Quando começa o cronograma de medidas de confiança?
O esboço dos mediadores prevê o início do cronograma de medidas de confiança na data em que o acordo coincide com a votação americana de 3 de novembro, mas Teerã ainda não aceitou a proposta.
Saber mais: fontes consultadas (33)
- Anadolu Agency
- Dawn (atualizações ao vivo)
- ANews
- JFeed
- Middle East Monitor
- Moneycontrol (Brent)
- Reuters
- Reuters
- Reuters (Global Markets View)
- U.S. News
- The News & Observer (Reuters)
- Internazionale (Reuters)
- CP24 (AP)
- The News International
- Al Jazeera (blog ao vivo)
- Kentucky.com (Reuters)
- Associated Press
- Reuters (resumo de notícias do mundo, via Devdiscourse)
- Reuters (Energy Watch)
- The Star
- ClickOnDetroit
- Reuters
- Reuters
- The News & Observer
- Miami Herald
- Al Jazeera (blog ao vivo, 31/10)
- Yahoo Finance UK
- Associated Press (resumo de notícias, via Inquirer)
- San Luis Obispo Tribune (Reuters)
- Kansas.com (Reuters)
- Reuters
- Reuters
- Associated Press
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