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Houthis atingem palácio em Áden, e coalizão saudita lista dezenas de ataques a alvos no país

Enquanto o conflito no Iêmen se aproxima de aeroportos e rotas de petróleo, os EUA discutem aliviar sanções a petroleiros para baixar o frete.

Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 07:53 · 3 min de leitura

Houthis atingem palácio em Áden, e coalizão saudita lista dezenas de ataques a alvos no país
Foto: U.S. Navy photo by Mass Communication Specialist 2nd Class Kitt Amaritnant / Wikimedia Commons (Public domain)

Mísseis houthis atingiram o complexo do palácio presidencial em Áden, no sul do Iêmen, nesta quinta (15). Dois guardas morreram, segundo autoridades ouvidas pela Reuters. No mesmo dia, a coalizão liderada pela Arábia Saudita listou dezenas de ataques dos houthis a alvos sauditas nas últimas semanas.

Para quem vive no Rio Grande do Sul, o efeito é indireto. O Iêmen fica ao lado do Estreito de Bab el-Mandeb, rota global de navios, e a guerra na região já encareceu o frete de petroleiros. Combustíveis e custos de transporte no Brasil acompanham esse movimento. Não há estimativa de impacto para preços no Estado.

Ataque matou dois guardas e poupou o gabinete

O ministro da Informação do Iêmen, Moammar al-Eryani, disse que o primeiro-ministro e os integrantes do gabinete estão a salvo. O gabinete afirmou que o ataque usou mísseis e drones. Testemunhas ouviram explosões fortes perto do palácio.

O alvo foi o Al-Maashiq, sede do governo iemenita, reconhecido internacionalmente e apoiado pelos sauditas. Foi o primeiro ataque ao local no conflito atual entre os houthis, alinhados ao Irã, e a Arábia Saudita.

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, afirmou que o grupo bombardeou o que chamou de quartel-general das operações militares sauditas em Áden. Segundo ele, o ataque segue a política declarada de mirar "reforços sauditas onde quer que estejam". A agência Saba, controlada pelos houthis, disse que o local era comandado por oficiais sauditas e tinha depósitos de armas.

Coalizão fala em 127 alvos destruídos

O porta-voz da coalizão, Turki al-Maliki, afirmou que as forças aliadas destruíram 127 depósitos de armas e plataformas de lançamento em áreas montanhosas do Iêmen. Ele pediu que os houthis parem de atacar civis e infraestrutura civil. Pouco depois, Saree declarou que o espaço aéreo e os aeroportos sauditas não são seguros. Ele renovou o aviso às companhias aéreas, excluindo o espaço sobre Meca e Medina.

Os houthis disparam mísseis balísticos e drones contra aeroportos, portos e instalações de petróleo sauditas. O conflito é um novo front da guerra regional que começou com ataques dos EUA e de Israel ao Irã, em fevereiro. Na semana passada, forças do governo iniciaram uma ofensiva para retomar áreas dos houthis e recuperaram terreno perto de Bab el-Mandeb.

EUA discutem aliviar sanções a petroleiros

Em outra frente, o governo Donald Trump avalia afrouxar sanções a navios da chamada frota-sombra, que transportaram petróleo e combustíveis sancionados. O objetivo é baixar o custo do frete, segundo a Reuters. O valor disparou nas últimas semanas por causa de ataques, seguros de risco de guerra mais caros e operações complicadas para tirar petróleo do Estreito de Ormuz.

Um funcionário americano, que não quis se identificar, disse à agência que as sanções poderiam ser suspensas navio a navio. Assim, as embarcações passariam a operadores legítimos e levariam petróleo não sancionado. O Departamento de Energia disse que a medida não ajudaria a Rússia a transportar petróleo ou derivados.

Analistas ouvidos pela Reuters veem efeito pequeno. A Kpler, empresa de monitoramento de navios, estima que só cerca de 24 petroleiros poderiam voltar ao comércio global, descontados os mais velhos e os da estatal iraniana NITC. A consultoria rastreia cerca de 160 superpetroleiros sob sanções dos EUA, 22% da frota comercial.

David Tannenbaum, da consultoria Blackstone Compliance Services e ex-especialista em sanções do Tesouro americano, disse que as empresas dificilmente vão fretar navios recém-retirados da lista. Para ele, as sanções europeias continuam valendo nos casos ligados à Rússia, e os navios do comércio iraniano carregam muita responsabilidade legal. Segundo a Reuters, os navios da frota-sombra também não têm a certificação, o seguro e a manutenção exigidos no comércio regular.

Não há decisão tomada. Empresas que quiserem usar navios sancionados precisam de autorização do Tesouro dos EUA.

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