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HCI de Ijuí participa de ensaio com 2.487 homens publicado no JAMA Internal Medicine

Acompanhamento com cardiologista ou clínico melhorou o colesterol de pacientes com câncer de próstata em bloqueio hormonal, mas não reduziu infarto, AVC nem mortes cardiovasculares.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

Fachada do Hospital de Clínicas Ijuí (HCI), com a placa da instituição e a entrada principal.
Foto: Divulgação/Hci

O Hospital de Clínicas Ijuí (HCI) integrou um ensaio clínico internacional sobre risco cardiovascular em homens com câncer de próstata. O estudo foi publicado on-line em 30 de agosto no JAMA Internal Medicine, e o hospital divulgou sua participação nesta semana. A oncologista Rafaela Kirchner Piccoli foi a investigadora principal no HCI e consta entre os autores.

Para quem trata ou acompanha um parente em bloqueio hormonal na região, o encaminhamento a um especialista do coração melhorou o controle do colesterol. Mas a pesquisa não mostrou, até agora, menos infartos, AVCs ou mortes por causas cardiovasculares.

O que o estudo testou

O ensaio incluiu pacientes de 55 centros em oito países, entre 2015 e 2025. Os participantes foram divididos em dois grupos, na proporção de 1 para 1: cuidado habitual ou cuidado habitual mais encaminhamento a um internista ou cardiologista. Os especialistas aplicaram uma estratégia sistemática, com meta de pressão sistólica de 130 mm Hg ou menos e uso de estatina independentemente do nível de colesterol. Também estimularam o abandono do cigarro e orientaram sobre dieta e exercício.

Podiam entrar homens com diagnóstico de câncer de próstata nos 12 meses anteriores. Também era preciso ter começado o bloqueio hormonal (terapia de privação androgênica) nos últimos seis meses ou iniciá-lo no mês seguinte. A análise incluiu 2.487 pacientes, com idade média de 68 anos.

O artigo, de título "Specialist Referral for Cardiovascular Risk in Patients With Prostate Cancer: A Randomized Clinical Trial", é assinado por Darryl Leong, Celestia Higano e outros pesquisadores. Leong é o investigador principal do estudo e pesquisador do Population Health Research Institute (PHRI), instituto ligado à Universidade McMaster, no Canadá. O ensaio está registrado no ClinicalTrials.gov sob o código NCT03127631.

Colesterol melhora, eventos cardíacos não

O desfecho principal combinou, em ordem hierárquica, morte cardiovascular, infarto, AVC, insuficiência cardíaca, colesterol acima do alvo e pressão acima do alvo. Em seguimento mediano de 5,8 anos, a razão de vitórias (win ratio) a favor da intervenção foi de 1,60 (intervalo de confiança de 95%: 1,42 a 1,81). O resultado veio principalmente do colesterol mais baixo no grupo de intervenção, com diferença média de 12 mg/dL, por causa do maior uso de estatina.

Apesar de tendências numéricas favoráveis a infarto e AVC, não houve padrão consistente de benefício nos eventos individuais. Para morte cardiovascular e insuficiência cardíaca, os ganhos líquidos favoreceram o grupo-controle. Na pressão arterial, a média sistólica final foi de 131,1 mm Hg no grupo de intervenção e 132,9 mm Hg no controle.

O estudo teve apoio da Movember Foundation/Prostate Cancer Canada, da Hamilton Health Sciences, da Canadian Cancer Society/Canadian Institutes of Health Research, da farmacêutica Tolmar e do PHRI.

O papel de Ijuí

A participação do HCI ocorreu por meio do Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP). O coordenador do núcleo, o oncologista Edilson Walter, afirmou: "Estivemos entre os grandes recrutadores de pacientes para esse estudo." O hospital não informou quantos pacientes recrutou nem a posição entre os 55 centros.

Piccoli disse que a publicação tem peso para o interior do estado. "Não estamos apenas utilizando evidências produzidas nos grandes centros mundiais; estamos ajudando a produzi-las." Os pacientes de Ijuí e da região foram acompanhados por vários anos, segundo ela.

A oncologista afirma que o resultado não significa encaminhar todos os pacientes a um cardiologista. "Ainda não conseguimos demonstrar redução de infarto, AVC ou mortalidade cardiovascular." Segundo ela, as conclusões reforçam a importância de identificar e tratar de forma sistemática os pacientes de maior risco. O hospital não informou se a estratégia testada já virou rotina no atendimento do HCI.

O artigo completo pode ser consultado no site do JAMA Network, pelo identificador DOI 10.1001/jamainternmed.2026.4773.

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