Falta de água atinge 2,7 milhões em Cuba e leva donos de restaurante a perfurar poços
Governo cubano diz ter instalado mais de 870 bombas solares, de 1.300 previstas, para reduzir a dependência da rede elétrica nos aquedutos.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

A falta de água em Cuba atinge 2,7 milhões de pessoas, que não recebem o abastecimento em casa. O número foi informado à agência AFP por Yunior González, funcionário de alto escalão da empresa nacional de Água e Saneamento, nesta quarta (21), no Aqueduto de Albear, em Havana. Segundo cifras oficiais, a situação afeta quase 29% dos 9,4 milhões de habitantes da ilha.
A crise se agrava com os apagões, ligados à escassez de combustível. A economia do país sofre desde janeiro com o bloqueio petrolífero e outras sanções de Washington. O bombeamento depende de turbinas elétricas, e os apagões prolongados reduzem o fornecimento. González afirmou que entre 80% e 85% da água do país precisa ser bombeada para chegar às casas. Ele também citou como causas os danos nos equipamentos de bombeamento, os vazamentos e a seca.
Restaurante abre poço para não fechar as portas
Em Matanzas, a 100 quilômetros a leste de Havana e uma das províncias mais castigadas pela escassez, o empresário Kevin Martínez cansou de fechar o restaurante sem água. "Tivemos que fechar o estabelecimento em várias ocasiões porque não tínhamos água", disse à AFP. Ele mandou perfurar um poço. O poceiro Elizardo Cardoso encontrou água a 10 metros de profundidade.
Martínez considera a obra um pouco cara, mas ela vai poupar o pagamento de três caminhões-pipa por semana. Cardoso diz que muita gente quer contratá-lo para furar poços em casa, ao ver que dá resultado.
Em Havana Velha, moradores fazem fila com baldes e galões em uma nascente. "Os apagões aqui são todos os dias e temos que ficar carregando água", afirmou Yusimy Guerra, de 40 anos, mãe de dois filhos. Há ainda quem instale cisternas, caixas d'água ou os chamados "ladrões de água". Essas bombas sugam o fio de água da rede e o empurram para as casas. Vários aparelhos no mesmo bairro podem reduzir a pressão e piorar o acesso dos vizinhos.
Governo aposta em bombas solares
González disse que o governo tenta reduzir a dependência da rede elétrica nacional, que sofre colapsos recorrentes. Já foram instaladas mais de 870 bombas movidas a energia solar, das 1.300 previstas, o que beneficiou meio milhão de cubanos em todo o país. A escassez de água se soma à inflação alta e à falta de alimentos e de remédios na ilha.
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