Anvisa aprova Emrelis para câncer de pulmão avançado; remédio ainda não tem preço
Santa Casa de Porto Alegre integra o estudo de fase 3 que vai comparar o medicamento da AbbVie com o docetaxel, quimioterápico usado hoje.
Por que afeta o RS: O RS tem cerca de 3,5 mil novos casos de câncer de pulmão por ano, uma das maiores taxas do país, e a Santa Casa de Porto Alegre participa do estudo de fase 3.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Emrelis (telisotuzumabe vedotina), da farmacêutica AbbVie. A autorização consta na Resolução-RE nº 4.078, de 16 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira (19). O remédio é indicado para adultos com câncer de pulmão de não pequenas células avançado ou metastático, com alta expressão da proteína c-Met e que já passaram por tratamento anterior.

Para o paciente gaúcho, a novidade ainda não chega à farmácia. O Emrelis precisa ter o preço máximo definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A fabricante espera que o remédio esteja à venda a partir do primeiro semestre de 2027.
O RS tem cerca de 3,5 mil novos casos de câncer de pulmão por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre aparece como centro participante do estudo global de fase 3 que compara o telisotuzumabe vedotina ao docetaxel. Os participantes são sorteados, na proporção de 1 para 1, para receber um dos dois tratamentos.
Fase 2 mostrou resposta em 34,6%
O Emrelis apresentou resposta objetiva em 34,6% dos pacientes com alta expressão da proteína c-Met em estudo clínico. O dado vem do estudo de fase 2 Luminosity, no qual todos os pacientes receberam o novo medicamento, sem grupo de comparação. Por isso, ele mede a redução dos tumores, mas não mostra se o remédio faz o paciente viver mais do que a terapia atual.
O Emrelis é um conjugado anticorpo-fármaco: o anticorpo reconhece a proteína c-Met e leva a substância que destrói a célula tumoral para dentro dela. A ação busca atingir células com maior quantidade da proteína, mas o medicamento também pode afetar células saudáveis.
Teste de c-Met é condição para o tratamento
A indicação depende de exame que identifique a alta expressão de c-Met no tumor. Nos Estados Unidos, o critério é marcação intensa em pelo menos 50% das células tumorais, determinada por teste aprovado pela agência americana, a FDA. A Anvisa não detalhou, nas informações divulgadas, qual teste será aceito no Brasil.
A administração é por infusão na veia, durante 30 minutos, a cada duas semanas. O registro prevê frascos de 20 mg e 100 mg, em pó para preparo da solução, e vence em outubro de 2029. Entre os efeitos adversos informados pela fabricante estão cansaço, perda de apetite e inchaço.
Aprovação nos EUA foi condicional
O Brasil é o segundo país a autorizar a terapia, depois dos Estados Unidos, onde o produto recebeu aprovação acelerada em maio de 2025. Nesse modelo, a manutenção da aprovação pode depender da confirmação do benefício clínico em estudos posteriores. O estudo confirmatório de fase 3 chama-se TeliMET NSCLC-01.
No Sistema Único de Saúde (SUS), a oferta não é automática: o medicamento precisaria passar pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Os próximos passos são a definição do preço pela CMED e o início da comercialização pela AbbVie.
Perguntas frequentes
Quando o Emrelis chega às farmácias?
A fabricante espera a venda a partir do primeiro semestre de 2027, após a CMED definir o preço máximo.
O Emrelis é oferecido pelo SUS?
Não automaticamente: o medicamento precisaria ser avaliado pela Conitec antes de ser incorporado ao SUS.
Quem pode usar o Emrelis?
Adultos com câncer de pulmão de não pequenas células avançado ou metastático, com alta expressão da proteína c-Met e que já passaram por tratamento anterior.
Saber mais
- Diário Oficial da União via Fato Amazônico (Resolução-RE nº 4.078)
- Portal SGC (registro Anvisa, apresentações e validade)
- Olhar Digital (resposta de 34,6% e Brasil como 2º país)
- ND Mais (previsão de chegada ao mercado em 2027)
- Drugs.com (histórico de aprovação do Emrelis na FDA)
- Applied Clinical Trials (estudo confirmatório TeliMET NSCLC-01)
- GBOT (estudo de fase 3 com centro na Santa Casa de Porto Alegre)
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