Guarda Revolucionária diz que dois superpetroleiros pegaram fogo após atingir minas em Ormuz
Cada navio levava mais de 2 milhões de barris, segundo Teerã; os EUA afirmam que o estreito segue aberto e sob controle americano.
Por que afeta o RS: Alta do petróleo decorrente de bloqueio no Golfo Pérsico tende a pressionar combustíveis e fretes no estado.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 13:57 · 2 min de leitura

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado (17) que dois superpetroleiros pegaram fogo depois de colidir com minas navais no Estreito de Ormuz. Em comunicado, a força disse que cada navio levava mais de 2 milhões de barris de petróleo bruto e tentava cruzar a via por uma rota "não autorizada".
Para quem vive no Rio Grande do Sul, o efeito possível está no preço. Uma interrupção prolongada em Ormuz pode encarecer o petróleo e, por tabela, combustíveis e fretes. O estado tem a Refap, refinaria da Petrobras em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O Brent, referência internacional, fechou a US$ 109,86 na sexta-feira (16), alta de 3,7%, após tocar US$ 110, nível que não era visto desde maio .
O que a Guarda diz
Segundo a Marinha da Guarda Revolucionária, o primeiro navio desligou os sistemas de posicionamento e radar para tentar passar sem ser detectado. A força afirma que a explosão na casa de máquinas deixou o segundo petroleiro imobilizado .
A agência Fars, citando a Guarda, identificou o primeiro navio como Algaya e disse que as tentativas de controlar o fogo falharam . O segundo petroleiro não foi identificado. A Guarda não informou bandeiras, donos nem origem ou destino da carga. Também não deu detalhes sobre tripulação, feridos ou danos ao meio ambiente .
A Guarda repetiu que o Estreito de Ormuz está fechado . A mídia estatal iraniana divulgou imagens de um dos navios em chamas, e não está claro onde exatamente o incidente ocorreu .
EUA contestam o controle iraniano
Na sexta-feira (16), o almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central dos EUA (Centcom), afirmou que as forças americanas trabalham com aliados regionais e o setor de transporte marítimo para proteger os navios que cruzam o estreito . "O Estreito de Ormuz é controlado pelos Estados Unidos e por nossos parceiros regionais, não pelo Irã", disse. Os EUA e seus aliados rejeitam as restrições de Teerã e defendem a liberdade de navegação .
Um alerta separado da UKMTO, órgão britânico de monitoramento marítimo, trata de dois petroleiros atacados ao largo da Arábia Saudita, um deles por uma granada propelida por foguete (RPG) disparada de um barco pequeno . Esse caso é diferente do relatado pela Guarda em Ormuz.
Guerra começou em fevereiro
A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques de Israel e dos EUA contra o Irã. Desde então, Teerã reivindica o controle do estreito, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás consumidos no mundo antes do conflito. Na quarta-feira (14), o Irã afundou o porta-contêineres GFS Pride, e a tripulação foi evacuada em segurança, segundo o Centcom .
Dados da consultoria Kpler mostram que os embarques pelo Golfo tiveram média de 11,62 milhões de barris por dia na semana até 13 de outubro, cerca de 68% da linha de base de 17,15 milhões .
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