Governo italiano envia 500 militares a Milão após dois dias de saques e confrontos
O gabinete se reúne nesta terça (20) para dar poder de polícia aos soldados por três meses e votar um decreto que também atinge menores de idade.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

O governo da Itália enviará 500 militares a Milão depois de dois dias de saques e confrontos entre a polícia e manifestantes, em sua maioria jovens. A medida foi decidida na noite de segunda (19), em reunião no Palácio Chigi. A medida entra em decreto-lei que o Conselho de Ministros analisa nesta terça (20).

Várias lojas foram saqueadas. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, disse estar preocupado com novos distúrbios no sábado (24).
O que prevê o decreto
Os soldados reforçam a operação Strade Sicure (Ruas Seguras), que já mantém militares em apoio às polícias. O ministro da Defesa, Guido Crosetto, disse que o decreto precisa permitir que eles atuem com poderes de polícia por três meses. Com isso, poderiam deter e até prender os envolvidos nos tumultos. O Conselho de Ministros foi convocado para as 17h30 (horário local).
O texto também estende de 12 para 24 horas o fermo preventivo (detenção preventiva) de menores entre 14 e 18 anos. Cria ainda o crime de dano em grupo, com pena de um ano e meio a cinco anos, e prevê prisão em flagrante diferida em até 48 horas.
O vice-premiê Matteo Salvini chamou os confrontos de "vergonhosos" e disse à rádio RTL 102.5 que o gabinete anunciaria "medidas imediatas". A primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que os violentos usam as manifestações para espalhar o caos.
Balanço e críticas
Segundo o Departamento de Segurança Pública, 271 pessoas foram levadas à delegacia, entre elas 220 menores. A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar grupos violentos.
O governo descreveu os distúrbios como "complexos", com causas ainda a esclarecer. Os distúrbios começaram em 17 de outubro, durante uma manifestação contra o custo de vida. O Quirinale, sede da Presidência, examina com cautela o fermo para menores, e o sindicato policial Coisp contesta soldados com funções investigativas.
O decreto só vale depois da aprovação do gabinete, prevista para o fim da tarde desta terça (20) em Roma.
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