Governo amplia Força Nacional em aldeias Guarani Kaiowá do MS por tempo indeterminado
Ministro da Justiça anunciou o reforço após visita a Tacuru e Coronel Sapucaia; governo soma 189 denúncias de violência política ligadas às eleições no país.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 6 min de leitura
Atualizada 02/11, 09:24 · O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, anunciou reforço da Força Nacional nas aldeias Guarani Kaiowá após a visita dos ministros a Sassoró e Taquapery.

O governo federal vai ampliar o efetivo da Força Nacional em Mato Grosso do Sul para proteger aldeias Guarani Kaiowá, e a tropa ficará na região por tempo indeterminado. O anúncio foi feito neste sábado (31) pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, durante visita às aldeias Sassoró, em Tacuru, e Taquapery, em Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai. O governo não informou quantos agentes serão enviados.
A medida responde a denúncias de ameaças, racismo e violência feitas depois do segundo turno da eleição presidencial. Até sexta-feira (30), o Ministério dos Direitos Humanos somava 189 denúncias de violência política, intimidação e discriminação ligadas às eleições de 2026 em todo o país. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabiliza 38 casos contra indígenas entre julho e outubro, em 15 estados.
O que aconteceu
Na quinta-feira (29), a Funai e o Ministério dos Povos Indígenas acionaram a Polícia Federal para apurar denúncias de violência e ameaças contra comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul. A Funai classificou os relatos como "extremamente preocupantes" e citou ameaças à vida, à segurança e à integridade física, além de discriminação e incitação ao ódio.
Entre os episódios relatados estão o incêndio da casa de uma rezadeira de 90 anos, em Tacuru, e a ameaça de contaminar a água de uma aldeia. O fogo destruiu instrumentos sagrados usados em rituais tradicionais dos Kaiowá e Guarani. As autoridades apuram especificamente a ameaça de envenenamento da água em Sassoró.
Em vídeo divulgado na sexta-feira (30), Voninho Guarani Kaiowá, um dos coordenadores da Apib, disse que ataques e ameaças se intensificaram nos últimos dias. A Apib também denunciou o atropelamento de indígenas em Coronel Sapucaia, onde um homem morreu.
No sábado (31), três ministros foram ao estado: Wellington César Lima e Silva (Justiça), Eloy Terena (Povos Indígenas) e Janine Mello (Direitos Humanos e Cidadania). A comitiva conversou com as comunidades de Taquapery e Sassoró, áreas de conflito fundiário. Uma entrevista coletiva estava marcada para as 17h, em Dourados.
O que muda na proteção
Antes da visita, a Força Nacional já patrulhava três comunidades: Sassoró (Tacuru), Taquapery (Coronel Sapucaia) e Limão Verde (Amambai). Agora o efetivo cresce, sem data para a retirada da tropa.
O ministro explicou o procedimento chamado "Minuto a Minuto". As equipes ficam sempre na área de operações, prontas para ir ao local quando houver ocorrência com aparência criminosa ou grave. O acionamento pode ser feito pela Polícia Federal, pela Polícia Rodoviária Federal ou pelas forças estaduais. Segundo Lima e Silva, o procedimento prevê informações por imagem e identificação do tipo de ocorrência e, quando possível, indica autoria e materialidade.
O governo também anunciou um grupo de trabalho para agilizar o recebimento e o encaminhamento das denúncias e uma força-tarefa interministerial.
Em Mato Grosso do Sul, a Superintendência da PF em Campo Grande e as cinco delegacias do interior receberam orientação para atuar 24 horas por dia na identificação de relatos. O estado tem ainda uma força-tarefa com as polícias estaduais.
O Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos acompanha 90 pessoas no estado. Entre elas, 86 são indígenas: 84 Guarani e Kaiowá e duas do povo Terena.
Investigação
O Ministério dos Povos Indígenas recebeu 10 denúncias envolvendo povos indígenas e as encaminhou aos órgãos responsáveis. A Funai e o ministério acompanham os relatos em diálogo com lideranças e com o Ministério Público Federal (MPF).
O MPF em Mato Grosso do Sul abriu procedimentos, com base nas denúncias da Apib, para apurar a veracidade das acusações e garantir a proteção dos territórios. Também deu prazo de 48 horas para que o município esclareça as ameaças e informe as providências adotadas. A autoria e as circunstâncias de cada episódio seguem sob investigação.
Em Naviraí, as diligências descartaram motivação política. O MPF classificou um dos casos como tentativa de duplo homicídio decorrente de desentendimento familiar, sem motivação política ou étnica. Esse episódio não foi identificado como um dos cinco assassinatos do levantamento da Apib.
O governo federal anunciou apuração rigorosa dos casos de violência política, com atuação da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e de órgãos de segurança.
O levantamento da Apib
A Apib registrou 38 casos de violência política contra indígenas entre julho e outubro de 2026, cerca de um a cada três dias. Os episódios ocorreram em 15 estados e atingiram 30 povos e 35 territórios.
A entidade contabilizou cinco assassinatos, 11 ameaças de morte e 18 agressões físicas, além de 35 casos de racismo e sete de violência de gênero. As categorias podem se sobrepor: uma mesma ocorrência pode entrar em mais de um tipo. A maior concentração, com 18 casos, foi entre o início oficial da campanha e o primeiro turno.
A Apib formalizou as denúncias no MPF e em órgãos do governo federal. Em carta ao presidente Lula, pede proteção imediata às comunidades ameaçadas e investigação dos assassinatos.
Os 189 registros do Ministério dos Direitos Humanos abrangem todas as vítimas de violência política nas eleições, não só indígenas.
O que muda para o RS
O caso é de Mato Grosso do Sul, mas ajuda a medir o clima pós-eleitoral no país. Os Guarani vivem também no RS, e há comunidades Kaingang e Charrua no estado. A Apib não divulgou a lista de estados, municípios e povos atingidos. Por isso, não é possível saber se há casos no Rio Grande do Sul.
O que ainda não se sabe
O governo não informou o tamanho do efetivo que reforçará a Força Nacional. A autoria dos episódios em Tacuru e Coronel Sapucaia segue em apuração. A Apib não detalhou o andamento das investigações de cada morte.
Linha do tempo
- Quinta-feira (29): Funai e Ministério dos Povos Indígenas acionam a Polícia Federal após o resultado das eleições.
- Sexta-feira (30): Funai classifica os relatos como "extremamente preocupantes"; Voninho Guarani Kaiowá, da Apib, diz que ataques se intensificaram. O Ministério dos Direitos Humanos soma 189 denúncias no país.
- Sábado (31), manhã: a Apib divulga o balanço de 38 casos; os ministros Eloy Terena e Janine Mello visitam Taquapery e Sassoró.
- Sábado (31), tarde: o ministro da Justiça anuncia o reforço da Força Nacional; coletiva marcada para as 17h, em Dourados.
- Sábado (31), noite: o governo informa que a tropa ficará nas aldeias por tempo indeterminado.
Perguntas e respostas
O que o governo anunciou? Ampliação do efetivo da Força Nacional em aldeias Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul, por tempo indeterminado, com monitoramento mais próximo das ocorrências.
Quais aldeias já tinham a Força Nacional? Sassoró, em Tacuru, Taquapery, em Coronel Sapucaia, e Limão Verde, em Amambai.
Quantos agentes vão chegar? O governo não informou o tamanho do efetivo.
O que é o "Minuto a Minuto"? Procedimento em que as equipes ficam na área de operações, prontas para ir ao local quando houver ocorrência criminosa ou grave. PF, PRF ou forças estaduais podem acionar.
Como denunciar? Pelo Disque 100. Em caso de ameaça imediata, acione a Polícia Federal ou o 190.
Todos os 189 casos são contra indígenas? Não. O número do Ministério dos Direitos Humanos abrange todas as vítimas de violência política nas eleições. Os casos contra indígenas contabilizados pela Apib são 38.
Perguntas frequentes
O que o governo anunciou?
Ampliação do efetivo da Força Nacional em aldeias Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul, por tempo indeterminado, com monitoramento mais próximo das ocorrências.
Quais aldeias recebem a proteção?
A Força Nacional já patrulhava Sassoró (Tacuru), Taquapery (Coronel Sapucaia) e Limão Verde (Amambai). O reforço atende a região de Tacuru, Coronel Sapucaia e Amambai.
Quantos agentes serão enviados?
O governo não informou o tamanho do efetivo.
O que é o "Minuto a Minuto"?
Procedimento em que equipes da Força Nacional ficam na área de operações, prontas para ir ao local quando houver ocorrência com aparência criminosa ou grave. O acionamento pode ser feito pela PF, pela PRF ou pelas forças estaduais.
Como denunciar?
Pelo Disque 100. Em caso de ameaça imediata, acionar a Polícia Federal ou o 190.
Há casos no Rio Grande do Sul?
A Apib não divulgou a lista de estados, municípios e povos atingidos, então não é possível saber se há casos no RS.
Saber mais: fontes consultadas (14)
- Brasil de Fato
- Agência Brasil (via Jovem Pan)
- Revista Fórum
- Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania
- DGABC
- Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil)
- MPF em Mato Grosso do Sul
- Secretaria-Geral da Presidência
- Agência Brasil
- O Globo (números do levantamento)
- Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania
- Agência Brasil
- Ministério da Justiça e Segurança Pública
- Funai
Do interior do RS
Caxias do Sul: morre aos 76 anos o advogado Zulmar Neves, ex-vice da CIC

IPE Saúde isenta coparticipação em consulta com urologista para quem tem 50 anos ou mais

São Borja e Fronteira Oeste têm risco de temporal a partir da tarde desta terça (3)

Grêmio de Renato tem média de 44.304 torcedores na Arena, alta de 69,26%
