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Agro

Frango pode baratear no atacado do Sul no início de 2027, projeta Itaú BBA

Restrições de China, Arábia Saudita, Chile e México após o foco de Newcastle em Nova Itaberaba (SC) podem sobrar frango no mercado interno, mas o supermercado pode não repassar a queda.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 3 min de leitura

Frangos de corte: a cadeia avícola brasileira enfrenta restrições de exportação após o foco de doença de Newcastle em Santa Catarina.
Foto: Divulgação/Agrolink

O frango pode ficar mais barato no atacado da Região Sul, principalmente no primeiro trimestre de 2027. A avaliação é do Itaú BBA, em relatório divulgado nesta sexta-feira (23), após o foco da doença de Newcastle em uma granja de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina.

Para quem compra no mercado, o alívio não é certo: os frigoríficos podem baixar o preço no atacado, mas a queda pode não chegar às gôndolas dos supermercados do Sul, onde outros custos pesam no preço final.

Por que o preço pode cair

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o foco em 18 de outubro de 2026. O estabelecimento foi interditado, com suspensão da movimentação de aves. O Mapa informou que o consumo de produtos avícolas com inspeção oficial segue seguro, sem contraindicações.

As restrições comerciais não são iguais entre os países. Segundo o Mapa, o México suspendeu importações de determinados produtos avícolas de todo o Brasil, enquanto Arábia Saudita, China e Chile aplicam restrições a produtos de Santa Catarina.

Santa Catarina é a mais exposta porque cerca de 63% da produção do estado vai para a exportação. Com menos destinos, parte desse frango pode ficar no país. Isso tende a aumentar a oferta, sobretudo no Sul, e pode levar as empresas a baixar preços para escoar o excedente, segundo o Itaú BBA.

Produção em alta e consumo em baixa

A oferta já crescia antes do foco. Entre janeiro e setembro de 2026, os abates de frangos subiram 3,7% e o volume de carne produzido aumentou 6,2%, segundo dados do relatório. O banco projeta alta de cerca de 6% na produção do ano.

O primeiro trimestre pesa na conta porque o consumo costuma diminuir depois das festas, quando acaba o dinheiro extra do 13º salário e entram despesas como impostos e material escolar. Os frigoríficos também podem enfrentar estoques maiores, mais gastos com armazenagem e logística e pressão sobre o caixa, aponta o Itaú.

O relatório trata a Região Sul como um todo e não traz projeção para Pelotas, Rio Grande ou outras cidades gaúchas.

Prazo das restrições define o tamanho do efeito

O banco afirma que o impacto depende de quanto tempo os países levarão para voltar a comprar. Em 2024, após um foco de Newcastle no Rio Grande do Sul, a redução das exportações durou cerca de um mês e os preços não caíram. Em 2025, as restrições após um caso de gripe aviária foram mais amplas e duraram cerca de quatro meses, período em que os preços perderam força. Para o Itaú, o episódio atual deve ficar entre os dois casos, com efeito concentrado em Santa Catarina e no atacado do Sul.

O governo federal declarou emergência zoossanitária por 60 dias em Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

O que o IPCA-15 mostra até agora

Na prévia da inflação de outubro, divulgada também nesta sexta, o frango em pedaços subiu 0,71% no mês, mas acumula queda de 4% em 12 meses, segundo o IBGE. Os números são nacionais e não medem o preço nos supermercados gaúchos.

O Mapa informou que divulgará novas informações à medida que houver atualizações confirmadas sobre a situação dos mercados que impuseram restrições.

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