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França tem mais de 2.000 detidos e uma morte em protestos contra a vida cara

Mais de 600 policiais, gendarmes e bombeiros ficaram feridos, e Macron fala ao país às 20h em Paris (15h em Brasília) neste domingo (18).

Redação Bairrista · 18 de outubro de 2026 às 09:49 · 3 min de leitura

Atualizada 18/10, 10:11 · A Reuters informou que uma manifestante morreu nos protestos de sábado, dado que a matéria não trazia; o restante do material (detenções, 855 em Paris, participação) já constava ou está superado.

Ilustração: protesto contra o custo de vida na França, com manifestantes e forças de segurança nas ruas.
Foto: Jeanne Menjoulet from Paris, France / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A França contabiliza mais de 2.000 pessoas detidas após os distúrbios e saques que marcaram os protestos contra o custo de vida no sábado (17). O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou mais de 600 policiais, gendarmes e bombeiros feridos e disse que o balanço ainda é provisório. A manhã de domingo havia fechado com 1.800 detenções e 500 agentes feridos. A agência Reuters informou ainda a morte de uma manifestante.

Quadro: França tem mais de 2.000 detidos e uma morte em protestos contra a vida cara
Entenda em um quadro · Bairrista

O pano de fundo é a inflação, alimentada em parte pela guerra no Oriente Médio, que pressiona os preços na Europa. A alta do custo de vida foi a principal queixa dos atos convocados em todo o país.

Paris concentra 855 detenções

A Prefeitura de Polícia de Paris contou 855 detidos na capital, número que classificou como "recorde". Segundo a Promotoria, mais de 500 pessoas, incluindo 171 menores, seguiam em custódia. Em Lyon, o prefeito do Rhône, Etienne Guyot, falou em 160 detenções na noite de sábado para domingo.

A Federação do Comércio e da Distribuição estima que 1.500 estabelecimentos foram atingidos em todo o país, com prejuízo de centenas de milhões de euros. Marselha, Bordeaux, Nice e Estrasburgo registraram saques. Em Limoges, no centro-oeste, um incêndio destruiu a maior parte da prefeitura, segundo o jornal Le JDD, que cita o balanço das autoridades.

A mobilização reuniu 550 mil pessoas, segundo Nuñez, e 800 mil, segundo os organizadores. Em Paris, o cortejo principal, de 110 mil pessoas, passou sem incidente grave, segundo a prefeitura de polícia. Um jovem de 17 anos perdeu uma das mãos em Saint-Étienne, no sul, ao ser atingido por uma granada das forças de segurança.

Governo e oposição trocam acusações

Nuñez atribuiu a violência a milhares de integrantes da "ultraesquerda", a quem se juntaram delinquentes nos saques. O governo e a líder da extrema direita, Marine Le Pen, apontam a extrema esquerda. O líder da França Insubmissa (LFI), que apoiou os atos, respondeu que quem divide a luta do partido não tem relação com saques.

A vice-prefeita socialista de Paris, Lamia El Aaraje, disse que o Reagrupamento Nacional, de Le Pen, agiu como "bombeiro piromaníaco" para fortalecer a candidatura da líder em 2027. Mujtaba Rahman, analista do Eurasia Group, avaliou que a maioria dos manifestantes foi pacífica. Para ele, a violência partiu de uma franja da extrema esquerda, e os saques, de grupos oportunistas de subúrbios pobres.

No sábado, Macron escreveu na rede X que quem destruiu prefeituras e comércios será "processado e punido". O ex-presidente François Hollande criticou o balanço e disse que o Estado não garantiu a ordem pública em todo lugar.

Macron fala às 20h; célula de crise fica para segunda

Macron fala ao país às 20h em Paris, depois de reunir às 17h30 o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, e os ministros envolvidos. A transmissão é dos canais franceses, e o horário equivale a 15h em Brasília. Lecornu convocou uma célula interministerial de crise para segunda (19), às 10h. A presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, vai propor uma comissão de inquérito sobre as violências e a estratégia de policiamento, e reúne os líderes de bancada na terça-feira (20) de manhã.

Atualização: a Reuters informou que uma manifestante morreu nos protestos de sábado. As circunstâncias da morte não foram detalhadas.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas foram detidas nos protestos na França?

Mais de 2.000 pessoas, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, com balanço ainda provisório.

Quantos policiais e bombeiros ficaram feridos?

Mais de 600 policiais, gendarmes e bombeiros, segundo o ministro do Interior.

A que horas Macron fala ao país?

Às 20h em Paris, o que equivale a 15h em Brasília, neste domingo (18).

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