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França tem 779 detidos e 320 mil nas ruas; Frankfurt soma 100 policiais feridos

Balanço final do Ministério do Interior francês aponta 116 agentes feridos; na Alemanha, 54 foram detidos em Frankfurt após atos do Gen Z regelt.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 4 min de leitura

Atualizada em 02/11, 19:41 · reúne 7 matérias desta cobertura

Atualizada 01/11, 07:43 · Balanço do sábado (31): mais de 500 presos, 320 mil manifestantes estimados pelo governo e confrontos após o anoitecer, com pedras e coquetéis molotov contra a polícia.

Emmanuel Macron recebe o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky no Palácio do Eliseu, em Paris (maio de 2023).
Foto: Embassy of Ukraine to the French Republic / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A França encerrou o terceiro sábado seguido de protestos contra a vida cara com 779 pessoas detidas e 116 integrantes das forças de segurança feridos, segundo o balanço final do Ministério do Interior, divulgado no domingo (1º). O governo contou 320 mil manifestantes em 291 atos, 70 mil deles em Paris.

Na Alemanha, os atos do grupo Gen Z regelt terminaram em saques e confrontos. Em Frankfurt, mais de 100 policiais ficaram feridos e 54 pessoas foram detidas, informou o ministro do Interior de Hesse, Roman Poseck. O tema é internacional e não tem efeito direto no Rio Grande do Sul.

Quadro: França tem 779 detidos e 320 mil nas ruas; Frankfurt soma 100 policiais feridos
Entenda em um quadro · Bairrista

O que aconteceu

Os atos de sábado (31) reuniram estudantes, sindicatos e integrantes dos Coletes Amarelos. Começaram no fim de setembro, por melhorias nas escolas e no acesso ao ensino superior, e passaram a incluir custo de vida, serviços públicos, violência policial, racismo e liberdades civis.

Infográfico: Linha do tempo: França
Linha do tempo · Bairrista

A França mobilizou 70 mil policiais e gendarmes, o mesmo efetivo de 24 de outubro. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, havia alertado para "risco muito elevado" de desordem, sobretudo após o anoitecer, na noite de Halloween. Unidades de elite, drones, helicópteros e 26 blindados Centaure ficaram de prontidão, e agentes de folga foram convocados.

Em Paris, as autoridades rejeitaram o trajeto entre a Bastille e a Place de la Nation, após disputa judicial de última hora. Os atos seguiram entre a Porte de Bagnolet e a Porte de Charenton.

As marchas foram em grande parte pacíficas durante o dia. À noite, houve confrontos em Paris, Lyon e Toulouse, com incidentes também em Bordeaux e Marselha. A polícia usou gás lacrimogêneo. O ministério citou tentativas de vandalismo e saques em Bordeaux, Toulouse e Marselha.

Números: governo, organizadores e queda de público

A Intersindical da Juventude e outras organizações falam em quase 500 mil pessoas no país e 200 mil em Paris. O governo calcula que a mobilização recuou 22% em relação a 24 de outubro e 42% em relação a 17 de outubro.

Data Manifestantes (governo) Detidos
17 de outubro 550 mil 2.628
24 de outubro 410 mil 1.314
31 de outubro 320 mil 779

O número de detidos de sábado foi atualizado ao longo do dia: 296 até as 18h, 565 na contagem da noite e 779 no balanço final. Houve 40 mil controles no país, 15 mil deles na Île-de-France, segundo Nuñez.

Em Paris, a prefeitura de polícia registrou 5.745 controles e 79 detenções na região parisiense até as 21h. A capital somava cinco agentes feridos na noite de sábado: quatro policiais e um gendarme.

Investigação

Perto da Porte de Charenton, no leste de Paris, grupos lançaram objetos e um coquetel molotov contra as forças de segurança. O Ministério Público de Paris abriu investigação por tentativa de homicídio contra pessoas investidas de autoridade pública. Segundo o órgão, artefatos foram lançados contra cerca de 15 gendarmes e policiais. Não havia suspeitos presos por esse episódio.

Alemanha: dia pacífico, noite de saques

O Gen Z regelt convocou atos em 34 cidades, entre elas Berlim, Frankfurt e Munique. O grupo pede educação, saúde, proteção do clima e vida mais acessível, e rejeita qualquer volta do serviço militar obrigatório. Os jovens também criticam o aumento dos gastos militares e um novo modelo de serviço voluntário, que temem ser passo rumo à conscrição.

"Estamos aqui hoje para lutar por paz e liberdade, e não por guerra e coerção", disse em Berlim a porta-voz Lina Friedrich.

A organização afirma que 120 mil pessoas participaram em todo o país. A AP estimou mais de 100 mil. A polícia contou cerca de 5 mil pessoas em Berlim e 4 mil em Munique. Os organizadores esperavam cerca de 182 mil, número inscrito pela internet.

Em Frankfurt, a polícia mobilizou cerca de 1.300 agentes. Os 54 detidos têm de 13 a 29 anos, e "a maioria tem nacionalidade alemã", afirmou Poseck. Dezessete estabelecimentos foram danificados e cinco, saqueados. Houve coquetéis molotov contra equipes de emergência. Também houve confrontos em Colônia, Hamburgo e Berlim.

O que dizem as autoridades

Nuñez disse que os cortejos transcorreram bem, mas condenou a violência de grupos que atacaram policiais. Na Alemanha, as autoridades prometeram punição rigorosa a saques e depredações. O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, afirmou que a forte presença policial evitou uma escalada maior. As autoridades alertaram ainda para a tentativa de grupos extremistas de explorar os atos.

O que ainda não se sabe

O balanço de feridos e detidos na Alemanha fora de Frankfurt não foi divulgado. Os suspeitos do ataque com molotov em Paris não foram identificados.

O que muda para o RS

Nada diretamente. Quem tem viagem marcada à França deve acompanhar as orientações do Itamaraty, já que há nova jornada de greve prevista.

Próximos passos

Uma jornada de greve e manifestações está convocada na França para quinta-feira (5). A polícia francesa esperava novos atos nesta segunda (2), com a reabertura das escolas. Na Alemanha, a organização estudantil nacional BSK se distanciou do Gen Z regelt e prepara mobilização própria para 20 de novembro. Não há calendário confirmado de outros atos do Gen Z regelt.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas foram presas na França no sábado (31)?

O balanço final do Ministério do Interior registrou 779 detenções em todo o país. A contagem parcial das 18h era de 296, e a da noite de sábado, de 565.

Quantos manifestantes houve na França?

O governo contou 320 mil pessoas em 291 atos, 70 mil delas em Paris. Os organizadores falam em quase 500 mil no país e 200 mil na capital.

Por que os franceses protestam?

Os atos começaram com demandas de estudantes por melhorias na educação e passaram a incluir custo de vida, serviços públicos e liberdades civis. Sindicatos e setores dos Coletes Amarelos aderiram.

O que aconteceu em Frankfurt?

Segundo o ministro do Interior de Hesse, Roman Poseck, mais de 100 policiais ficaram feridos e 54 pessoas foram detidas. Houve saques e coquetéis molotov lançados contra equipes de emergência.

O que é o Gen Z regelt?

É a iniciativa alemã, algo como "a geração Z resolve", que convocou atos em 34 cidades por educação, saúde, clima e vida mais acessível, e contra a volta do serviço militar obrigatório.

Os protestos afetam o Rio Grande do Sul?

Não há efeito direto. Quem tem viagem marcada à França deve acompanhar as orientações do Itamaraty.

Saber mais: fontes consultadas (31)

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