França mantém toques de recolher e veta atos em várias cidades antes de novo protesto
Governo Macron diz que só proíbe atos "ilegítimos", mas a esquerda acusa as autoridades de semear confusão, e a polícia usou gás lacrimogêneo em Lyon neste sábado (24).
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Autoridades francesas mantêm toques de recolher noturnos e proibições de manifestação em áreas de Paris, Lyon e outras cidades, num sábado de novos protestos contra o custo de vida. A França registrou centenas de atos neste sábado (24), com esquema de segurança de 70 mil agentes. Em Paris, os museus fecharam, o toque de recolher foi mantido e a rota da marcha foi desviada para a periferia sul.
Os trajetos e horários dependem da decisão de cada autoridade local, e não de uma regra nacional única. Em Lyon, a polícia dispersou manifestantes com gás lacrimogêneo em áreas com restrição a aglomerações.
Toques de recolher variam de cidade para cidade
A onda de restrições começou na segunda-feira (19), depois dos confrontos e saques de sábado (17). O primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu às autoridades regionais toques de recolher "parciais" e "localizados" para proteger o comércio.
Em Paris, o toque de recolher valeu para a Place de la République e as ruas ao redor de Les Halles, das 23h às 6h. Reuniões e manifestações foram proibidas na cidade a partir das 20h. Em Lyon, o toque no centro foi renovado, das 21h às 6h. Nice e Coulaines tiveram medidas semelhantes, algumas só para menores. Lille e três comunas vizinhas também decretaram toque de recolher.
O governo não divulgou lista consolidada com o total de cidades atingidas.
Governo fala em ordem; esquerda reclama
Na quinta-feira (22), o presidente Emmanuel Macron disse que protestos "ilegítimos" seriam proibidos. Atos organizados por sindicatos poderiam seguir, mas com desvio de rota para proteger o comércio. Ele culpou grupos "sediciosos" de ultraesquerda e vândalos pelos saques do fim de semana anterior.
As proibições em Paris, Lyon, Lille e Grenoble foram vistas por parte da população como violação do direito de protestar. Lideranças de esquerda acusam as autoridades de semear confusão. As centrais sindicais, porém, aceitaram o desvio de rota em Paris.
Prisões e reforço militar
Cerca de 2.400 pessoas foram presas desde o sábado (17), segundo o Ministério da Justiça. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, disse na terça (20) que cerca de 150 pessoas já estavam encarceradas. Segundo ele, mais de 800 foram encaminhadas aos tribunais.
O governo anunciou que usará parte das forças militares para ajudar a manter a ordem nos atos deste fim de semana. Há precedente de endurecimento: em 2019, Macron sancionou lei que deu mais poder às forças de segurança em manifestações, após a violência dos "coletes amarelos". Opositores diziam que ela feria liberdades civis.
Lecornu afirmou que haverá novos toques de recolher "onde a situação exigir". Ele prometeu presença "massiva" de segurança neste sábado, com o objetivo de um "retorno imediato à ordem".
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