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Flávio Bolsonaro está nos EUA desde 28/10; PF apura a saída e diz que ele não é foragido

Senador está nos EUA desde 28/10; Fantástico cita ex-agente do Mossad, Rubio nega ajuda americana e ação popular pede corte de salário e verbas.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 8 min de leitura

Atualizada em 02/11, 19:18 · reúne 44 matérias desta cobertura

Atualizada 02/11, 19:56 · A defesa de Flávio Bolsonaro pediu ao STF a anulação da apreensão dos passaportes e o afastamento de Alexandre de Moraes da investigação, segundo reportagens desta segunda (2).

Flávio Bolsonaro, citado na matéria sobre o pedido de esclarecimentos do Itamaraty a uma diplomata argentina.
Foto: Divulgação/Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está nos Estados Unidos desde quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil na terça (27) apesar da proibição do Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal (PF) apura quem organizou e financiou a viagem e afirma que ele não é considerado foragido. Nesta segunda (2), a TV Globo e outros veículos relatam que um ex-agente do Mossad participou da operação.

O caso tem três frentes abertas: a investigação da PF no STF, uma ação popular que pede o corte do salário do senador e a disputa de versões sobre o papel do governo americano. Para o RS, o efeito é indireto: o trajeto passou pela Tríplice Fronteira, no Paraná, e não pela fronteira gaúcha.

O que aconteceu

Flávio perdeu o segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de outubro. Lula venceu com 51,77% dos votos válidos. No mesmo dia, a PF pediu ao STF medidas cautelares: apreensão de passaportes, proibição de saída do país e restrição de contato com outros investigados. O ministro Alexandre de Moraes as determinou na petição 16.877/DF.

Na segunda (26), Flávio foi intimado a entregar, em 24 horas, eventuais passaportes de outras nacionalidades. Não entregou. Os passaportes comum e diplomático brasileiros foram cancelados, e um alerta migratório foi inserido no sistema Sonar.

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, às 22h50 de terça (27), com a esposa, Fernanda, e as duas filhas. Cerca de 40 minutos depois, embarcou em um jato particular. O voo fez escala em Guayaquil, no Equador, e chegou a Miami na quarta (28).

Na véspera da viagem, Flávio dizia que não deixaria o país. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, chegou a negar a saída. O advogado do senador afirmou que a defesa não sabia da viagem.

O que dizem as autoridades

Polícia Federal. Em nota divulgada na quarta (28), a PF disse que restrições a documentos de viagem não caracterizam a condição de foragido nem autorizam prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares. Afirmou que não há registro de saída do senador pelos postos brasileiros de controle migratório, o que não permite concluir que ele continue no país. A corporação investiga as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais. Segundo a Folhapress, brasileiros não passam por posto da PF em fronteira seca.

Itamaraty. O embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, do departamento de América do Sul, recebeu María Emilia Cortés em reunião rápida na quinta (29). Fontes ouvidas pela AFP trataram o encontro como "procedimento de praxe". O governo brasileiro pediu detalhes sobre a entrada de Flávio na Argentina e o que aconteceu depois. Uma fonte disse à Reuters que não há previsão de mudança nas relações. O governo de Javier Milei não respondeu oficialmente.

Marco Rubio. O secretário de Estado dos EUA disse no sábado (31), em Atlanta, que Washington soube da chegada de Flávio, que ele já tinha visto e que Donald Trump decidiu permitir a entrada. "Nós não facilitamos nada", afirmou. Em outra declaração, disse que os EUA não estiveram envolvidos "diretamente" nos arranjos da saída.

Donald Trump. No sábado, em Mar-a-Lago, Trump disse que não tem planos de se encontrar com Flávio e que ele "pode ficar aqui o tempo que quiser". Disse que o senador foi "tratado muito mal" e chamou a eleição brasileira de "vergonha", sem apresentar provas. A Reuters, com base em duas fontes anônimas, informou que Trump não planeja apoiar a alegação de Flávio de ser o líder do Brasil, mas pode mudar de posição. Ainda segundo a agência, Flávio entrou nos EUA com "humanitarian parole", status que costuma durar um ano.

Como foi a viagem, segundo a imprensa

O Clarín reconstituiu o trajeto: cerca de 1,6 mil quilômetros por terra, de Brasília até a região de Foz, com seis veículos saindo da casa da família como despiste. Segundo o jornal, Flávio havia fretado um avião para chegar à região, mas o dono se recusou a voar depois que veio a público a ordem de Moraes. O Clarín relata ainda que agentes dos EUA assumiram parte do aeroporto de Puerto Iguazú e que ao menos três jatos serviram de alternativa. Não há confirmação oficial da Argentina nem dos EUA.

O New York Times e o Wall Street Journal publicaram que Jason Miller, assessor de comunicação de Trump, ajudou a organizar o jato, em contato com Eduardo Bolsonaro.

O Fantástico, da TV Globo, exibido no domingo (1º), identificou o ex-agente do Mossad Menachem Booky Halevy como articulador da rota. Segundo o programa, que cita registros migratórios argentinos, ele entrou no Brasil em 19 de outubro por Guarulhos (SP) e foi abordado pela PF no aeroporto, prestou depoimento e foi liberado. A reportagem diz que Flávio teve três entradas na Argentina em 40 minutos. Não há comprovação de que o Mossad tenha organizado ou autorizado a viagem. O advogado Frederick Wassef afirmou que Flávio não fugiu, não é réu e que a apuração envolve terceiros.

A coluna de Lauro Jardim, em O Globo, relatou que um aliado de Lula recebeu na segunda (26), às 23h50, mensagem vinda da Argentina sobre um jato que sairia de Puerto Iguazú rumo a Miami, e que a viagem teria sido adiada para a noite seguinte. Nenhum órgão oficial confirmou.

Segundo a Folha, três dos cinco bolsonaristas mais conhecidos que deixaram o país para escapar da Justiça passaram por Foz do Iguaçu, entre eles a ex-deputada Carla Zambelli e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques.

Ação popular na Justiça Federal do Rio

Os advogados Leonardo Nicolau Passos Marinho e Rodrigo da Silva Roma protocolaram em 31 de outubro uma ação popular, distribuída à 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Pedem, em liminar, a suspensão de quatro pagamentos: subsídio, verba de gabinete, auxílio-moradia e Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar dos Senadores (CEAPS). Pedem também que a Mesa do Senado informe a situação funcional do senador e, ao final, o ressarcimento aos cofres públicos.

Os autores argumentam que a permanência no exterior inviabiliza o mandato, lesa o erário e fere a moralidade administrativa. Os pagamentos continuam até que um juiz decida. Um grupo de deputados federais também enviou ofício ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pedindo exame da situação funcional. A perda de mandato por faltas, prevista na Constituição para quem falta a mais de um terço das sessões ordinárias, cabe ao próprio Senado.

Reações

O pastor Silas Malafaia chamou os filhos de Jair Bolsonaro de "jumentos" em mensagem a aliados na quarta (28), depois de Flávio divulgar uma carta em que se apresentava como presidente eleito. Em versão posterior, passou a se dizer "líder legítimo". O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reprovou a carta e disse que Jair Bolsonaro desconhecia a viagem. Uma análise da Folha lê o episódio como sinal de distanciamento entre lideranças evangélicas e o bolsonarismo; não houve anúncio de rompimento.

A senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) afirmou na sexta (30) que Jair, que cumpre prisão domiciliar, diz que é hora de união e não de procurar culpados. Nikolas Ferreira e Tarcísio de Freitas compartilharam a mensagem. Tarcísio disse ao Estadão que aconselhou Flávio a não sair do país.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) convocou atos em nove estados no domingo (1º). Em Porto Alegre, a concentração foi às 16h, na Praça do Aeromóvel.

Parlamentares democratas dos EUA questionaram a suposta intervenção estrangeira e pediram explicações.

O que ainda não se sabe

A PF não informou quem disponibilizou ou financiou os carros e aviões, nem como Flávio saiu de Brasília. A corporação apura se empresários e políticos ajudaram. Não há prazo para concluir a investigação.

Não há resposta de Buenos Aires ao pedido do Itamaraty. O papel exato de Halevy e a versão do Clarín sobre o aeroporto de Puerto Iguazú seguem sem confirmação oficial. A 6ª Vara Federal do Rio ainda não decidiu sobre a liminar.

Linha do tempo

  • Domingo, 25/10: Lula vence o segundo turno. A PF pede ao STF medidas cautelares contra Flávio; Moraes determina a entrega dos passaportes e proíbe a saída do país.
  • Segunda, 26/10: Flávio é intimado a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades em 24 horas. Não cumpre.
  • Terça, 27/10, 22h50: Flávio cruza a Ponte Tancredo Neves rumo a Puerto Iguazú. Cerca de 40 minutos depois, embarca em jato particular.
  • Quarta, 28/10: Flávio chega a Miami. Divulga carta em que se diz presidente eleito. Malafaia o critica. A PF divulga nota dizendo que ele não é foragido.
  • Quinta, 29/10: o Itamaraty recebe a encarregada de negócios argentina. Flávio agradece a Milei em carta.
  • Sexta, 30/10: o Clarín publica que agentes dos EUA assumiram parte do aeroporto de Puerto Iguazú. Michelle Bolsonaro pede união.
  • Sábado, 31/10: Rubio nega que os EUA tenham facilitado a saída. A Reuters relata que Trump não planeja apoiar Flávio como líder. Trump diz que ele pode ficar nos EUA. Dois advogados protocolam a ação popular no Rio.
  • Domingo, 1º/11: o Fantástico identifica o ex-agente do Mossad. A UNE faz atos em nove estados.
  • Segunda, 2/11: veículos repercutem a reportagem sobre o ex-agente, e a PF segue apurando.

Perguntas e respostas

Onde está Flávio Bolsonaro? Nos Estados Unidos, desde a quarta (28).

Ele é foragido? A PF diz que não. Não há mandado de prisão, e a restrição de documentos é outra coisa.

Os EUA ajudaram? Rubio nega. Jornais americanos e o Clarín citam um assessor de Trump e agentes americanos; nada disso foi confirmado oficialmente.

O salário foi cortado? Não. A ação popular depende de decisão da 6ª Vara Federal do Rio.

O caso passou pelo RS? Não. A rota foi por Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú.

Perguntas frequentes

Onde está Flávio Bolsonaro?

Nos Estados Unidos. Ele desembarcou em Miami na quarta-feira (28), um dia depois de cruzar a fronteira com a Argentina.

Flávio Bolsonaro é considerado foragido?

Não. A Polícia Federal informou em nota que restrições a documentos de viagem, por si sós, não caracterizam a condição de foragido nem autorizam prisão. Reportagens registram que não há mandado de prisão contra ele.

Os EUA ajudaram na saída dele?

O secretário de Estado, Marco Rubio, nega: diz que Washington soube da chegada e Trump autorizou a entrada, mas que os EUA "não facilitaram nada". O jornal argentino Clarín e o Wall Street Journal relatam participação de agentes e de um assessor de Trump, sem confirmação oficial.

O Brasil reclamou com a Argentina?

Sim. O Itamaraty convocou a encarregada de negócios argentina, María Emilia Cortés, na quinta (29). Buenos Aires não respondeu oficialmente.

O salário de Flávio já foi cortado?

Não. Uma ação popular na 6ª Vara Federal do Rio pede a suspensão de subsídio, verba de gabinete, auxílio-moradia e cota parlamentar, mas não há decisão liminar informada.

Isso passou pelo Rio Grande do Sul?

Não. A rota descrita passa por Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, e não pela fronteira gaúcha.

Saber mais: fontes consultadas (217)

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