Flávio aceita desafio de sigilos, mas exige dados de Marcola e do cartão da Presidência
Em petição ao TSE, o candidato do PL diz autorizar a abertura de 20 anos de seus dados, mas só os apresenta depois que Lula cumprir as condições.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, disse nesta quarta (21) que "aceita o desafio" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de abrir sigilos, mas impôs condições. Entre elas, cobrou a abertura do sigilo telefônico do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e a divulgação de informações sobre o cartão corporativo da Presidência. A declaração foi dada em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.
O impasse chega a quatro dias do segundo turno, marcado para domingo (25), quando o eleitor gaúcho escolhe entre os dois candidatos. Até agora, nenhum dos dois divulgou dados: Lula protocolou uma autorização condicionada, e Flávio respondeu com outra petição, também condicionada.
Flávio levou a resposta ao TSE
A aceitação não ficou só no palanque. Flávio apresentou nesta quarta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma petição em resposta ao desafio de Lula. Nela, afirma autorizar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, incluindo os de empresas em que é sócio ou administrador.
Ele pede que o TSE intime Lula a responder às condições e diz que só apresentará os próprios dados depois que o presidente entregar a documentação exigida. Além do cartão corporativo desde janeiro de 2023, Flávio cobra a agenda da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, anterior a fevereiro de 2025, e os registros de visitas dos filhos de Lula ao Palácio da Alvorada. A petição também pede a quebra de sigilos de familiares, como o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O que Lula protocolou
A campanha de Lula protocolou na terça (20) no TSE um requerimento que autoriza a liberação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente e de seus familiares, desde que Flávio faça o mesmo. A petição cobre os últimos oito anos. Prevê ampla divulgação dos dados por meio do sistema DivulgaCandContas ou de outro portal público. O ofício também foi protocolado no Supremo Tribunal Federal. No TSE, o pedido foi distribuído ao ministro André Mendonça.
O desafio nasceu no debate da Band, no domingo (18). Na terça, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o adversário usa as exigências como desculpa para não prestar contas.
O que está sob sigilo no Planalto
Os gastos com cartão corporativo da Presidência são um dos alvos de Flávio. Levantamento do jornal O Globo apontou que Lula aumentou os gastos ocultos nos dois primeiros anos de governo e determinou sigilos de 100 anos sobre as despesas. O governo justifica que manter as despesas presidenciais confidenciais é questão de segurança.
A CGU informa que, desde setembro de 2024, deixou de existir a presunção automática do sigilo de 100 anos, que passou a exigir justificativa específica.
O segundo turno é neste domingo (25). Flávio pede que o TSE intime Lula a responder às condições.
Perguntas frequentes
Quando é o segundo turno da eleição presidencial?
Domingo (25), quando o eleitor escolhe entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Quais sigilos Flávio disse aceitar abrir?
Os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, incluindo os de empresas em que é sócio ou administrador, mas só depois que Lula cumprir as condições.
O que Lula protocolou no TSE?
Um requerimento que autoriza a liberação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos, desde que Flávio faça o mesmo.
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