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Ferrovia do Trigo segue sem trens entre Roca Sales e Passo Fundo desde 2024

Contrato da Rumo na Malha Sul vence em fevereiro de 2027, e a recuperação do ramal passa pela nova concessão, em análise na ANTT.

Redação Bairrista · 12 de outubro de 2026 às 00:28 · 3 min de leitura

Ilustração: trilhos de ferrovia e trem de carga, representando a Ferrovia do Trigo no Rio Grande do Sul
Imagem: Bairrista/IA

O ramal Roca Sales–Passo Fundo da Ferrovia do Trigo está sem circulação de trens. A linha está desativada desde maio de 2024 por causa das enchentes. A operação foi interrompida pelos danos e pelos deslizamentos no Vale do Taquari e na Serra Gaúcha.

Para o Norte do estado, isso pesa no frete. Passo Fundo está sem ligação ferroviária operacional com o restante do RS. A produção que antes seguia por trilhos passou a ir de caminhão, explica o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Adolfo de Freitas. A linha atendia o Polo de Combustíveis e empresas locais, como a Be8.

Rumo não tem prazo nem orçamento para o ramal

A concessionária Rumo Logística não tem cronograma nem orçamento para o ramal. A empresa informou que dialoga com o Ministério dos Transportes, responsável pela concessão da Malha Sul, para avaliar alternativas. Segundo a Rumo, os encaminhamentos dependem do governo federal, e não há definição oficial de investimento ou prazo.

O trecho não está parado em todos os pontos. Segundo a ANTT, a Rumo executa intervenções em duas obras de arte especiais, nos quilômetros 21 e 38. A reportagem da Rádio Uirapuru registra que grande parte do trecho precisa de reconstrução praticamente completa.

Ainda em 2024, a ANTT avaliou que o dano ao ramal passava do limite do contrato. A agência afirmou que os prejuízos em Roca Sales–Passo Fundo e em outros trechos ultrapassavam a capacidade de investimento prevista na concessão. Esses trechos seguiam interditados, sem previsão de liberação.

Futuro depende da nova concessão da Malha Sul

O contrato atual da Rumo termina em fevereiro de 2027. O estudo da Infra S.A. propõe dividir a malha em três corredores: Paraná–Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul. O investimento projetado é de R$ 14,4 bilhões.

Sobre o ramal, a ANTT disse que há obras previstas para a futura concessionária. Segundo a agência, os segmentos Roca Sales–Lages e Roca Sales–Passo Fundo fazem parte de um pacote único de investimentos obrigatórios. O Ministério dos Transportes, por meio da Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário, também aponta que a minuta contratual prevê intervenções para recuperar a capacidade da ferrovia.

O prazo de contribuições à audiência pública nº 11/2026, prorrogado pela ANTT, terminou em 30 de setembro. Agora o projeto passa por ajustes e pela análise do Tribunal de Contas da União.

Trem dos Vales avança entre Muçum e Vespasiano Corrêa

O turismo também tem frente ativa na Ferrovia do Trigo. A Associação dos Municípios de Turismo dos Vales (Amturvales) conduz a retomada de 16 quilômetros entre Muçum e Vespasiano Corrêa. Esse é considerado o trecho mais viável para a reativação inicial.

A obra tem aporte de R$ 6 milhões do governo gaúcho. A Rumo atua no local com recursos do seguro da concessão, negociados com a ANTT. O cronograma regional previa cerca de seis meses de trabalho até a liberação.

O trecho completo, de Roca Sales a Passo Fundo, está fora da prioridade para cargas, e a região defende o uso turístico.

Os próximos passos são a análise das contribuições pela ANTT, a aprovação do TCU e a publicação do edital.

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