Família de Cruz Alta diz que ossada entregue não é da mãe; prefeitura abre sindicância
Mulher morreu de covid-19 em março de 2021, aos 43 anos, e a gaveta onde foi sepultada já estava ocupada por outra pessoa.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 01:13 · 2 min de leitura

Uma família de Cruz Alta, no Noroeste do RS, diz ter recebido no Cemitério Municipal uma ossada que não seria da mulher sepultada em 2021. A prefeitura abriu sindicância, e a Polícia Civil registrou a ocorrência. O caso veio a público nesta sexta (16).
Até agora, não há confirmação pericial sobre a identidade dos restos mortais entregues nem sobre onde está a ossada da mulher. O cemitério é administrado pelo município, e a família pretende cobrar a responsabilização da prefeitura na Justiça.
Pedido de transferência foi negado em abril
A mulher morreu em março de 2021, aos 43 anos, em decorrência da covid-19. Em abril de 2026, a família tentou transferir os restos mortais para um jazigo familiar, no mesmo cemitério. A filha, que pediu para não ser identificada, relata que a administração negou o pedido. O argumento foi que sepultamentos feitos na pandemia só poderiam ser mexidos a partir de 2027, por causa do risco de contaminação.
No início de outubro, uma pessoa que não integra a administração avisou a família de que os restos mortais haviam sido retirados da gaveta. No cemitério, a filha recebeu uma sacola com o nome da mãe. Dentro, havia uma dentadura e estruturas metálicas fixadas aos ossos. Segundo ela, a mãe nunca usou prótese dentária.
A filha também afirma que a gaveta onde a mãe teria sido sepultada já estava ocupada por outra pessoa. A família diz que não foi avisada antes da retirada.
Cemitério admite possibilidade de troca
Depois de ver as diferenças, a administração do cemitério levantou a hipótese de troca de restos mortais. À filha foi dito que outras pessoas foram sepultadas no mesmo dia que a mãe.
A prefeitura de Cruz Alta prestou solidariedade à família. Informou que abriu sindicância e que adota providências administrativas e medidas judiciais cabíveis para regularizar a situação. A sindicância deve esclarecer o procedimento e verificar por que a família não teria sido comunicada.
Polícia aguarda dados do município
O caso foi registrado na Polícia Civil. O delegado Ives Trindade, que recebeu a ocorrência, afirmou que, com os elementos disponíveis, não há indícios de crime. Segundo ele, a investigação aguarda informações da administração do cemitério.
O advogado da família, Fagner Pias, afirmou que pretende buscar a responsabilização civil do município e cobrar esclarecimentos sobre a localização dos restos mortais. A família quer saber a quem pertence a ossada recebida e onde estão os restos mortais da mulher.
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