Excesso de peso atinge 41% dos jovens de 10 a 19 anos em Passo Fundo, diz nutricionista
Ambulatório de Qualidade de Vida faz cerca de 400 consultas por mês, mas só recebe pacientes encaminhados pela UBS.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura · feita com IA, checada pela redação

O excesso de peso afeta 41% dos jovens de 10 a 19 anos em Passo Fundo, no Planalto Médio. O dado soma risco de sobrepeso, sobrepeso e obesidade e foi apresentado pela nutricionista Glaucia Boeno, do Ambulatório de Qualidade de Vida do município, no programa Sem Segredo, da Rádio Uirapuru. Segundo a rádio, as informações constam do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) do SUS.

Para as famílias, a regra de acesso é direta: quem quer atendimento no ambulatório precisa passar antes pela UBS. "O encaminhamento é feito pelo profissional da UBS mais próxima, não adianta procurar o ambulatório diretamente", explicou Glaucia.
Alerta é para as doenças crônicas
Glaucia afirmou que a obesidade na infância e na adolescência tende a aumentar a demanda por atendimento de adultos nos próximos anos. Segundo ela, falar de obesidade infantil é falar de prevenção de diabetes, pressão alta e doenças cardiovasculares.
Entre crianças de 5 a 10 anos, a nutricionista citou índices de 36% ou 37% de excesso de peso. Entre adultos atendidos nos serviços de saúde do município, a soma de sobrepeso e obesidade chega a 70%. Ela explicou que esse percentual vale para quem procura os serviços de saúde, não para toda a população.
Ambulatório faz 400 consultas por mês
O ambulatório, referência no cuidado do sobrepeso e da obesidade na rede municipal, realiza cerca de 400 consultas por mês. A equipe tem médica, nutricionista, psicóloga e fisioterapeuta. A prioridade são adultos com obesidade grave encaminhados para cirurgia bariátrica. O serviço também recebe adolescentes e crianças com obesidade grave, hoje cerca de 10 pacientes.
Glaucia disse que o serviço não consegue atender todos os níveis de obesidade do município, porque a demanda é grande. O ambulatório segue os critérios do Ministério da Saúde para adultos:
- IMC acima de 50: encaminhamento em qualquer situação;
- IMC entre 40 e 49: é preciso ter tentado antes tratamento clínico com acompanhamento nutricional na rede;
- IMC entre 30 e 40: é preciso ter comorbidades, como pressão alta ou diabetes.
Rotina, telas e comida pronta
A nutricionista aponta a rotina corrida das famílias como um dos fatores. Sem tempo para cozinhar, os pais recorrem a alimentos prontos e industrializados, com mais açúcar, sódio e gordura saturada. Muitas vezes usam a tela para que a criança aceite a refeição. Ela recomenda aleitamento materno exclusivo até os 6 meses. Depois, a introdução de arroz, feijão, legumes e frutas, com textura que aumenta aos poucos até os 2 anos.
A psicóloga Lucimara Falcão, psicanalista e professora de Psicologia da Anhaguera, afirmou que a obesidade não se resume ao excesso de comida. Ela citou a queda do brincar, o excesso de telas e fatores emocionais. Segundo Lucimara, a criança costuma expressar o sofrimento pelo corpo, com agitação ou comendo muito. Comer diante de telas, disse, impede que a criança perceba o que come e se está satisfeita.
Canetas do Paraguai são ilegais, diz nutricionista
Sobre as canetas emagrecedoras, Glaucia afirmou que os produtos vindos do Paraguai são ilegais, sem controle de procedência nem de temperatura de armazenamento. Ela disse que o uso exige prescrição e acompanhamento médico. Segundo a nutricionista, o ambulatório tem alguns adolescentes de 16 e 17 anos que usam medicação prescrita pela médica da equipe, em casos específicos. Quando necessário, o serviço encaminha ao endocrinologista.
A OMS publicou em 7 de outubro de 2026 as primeiras diretrizes globais para o tratamento da obesidade na infância e na adolescência. A organização não recomenda análogos de GLP-1, as chamadas canetas, para crianças menores de 10 anos.
Como ser atendido
O primeiro passo é procurar a UBS mais próxima de casa. O profissional da unidade avalia o caso e, se houver critério, encaminha ao Ambulatório de Qualidade de Vida. A equipe do ambulatório analisa o pedido e responde ao profissional da UBS, indicando se o paciente continua o acompanhamento na unidade ou segue para o serviço especializado.
Perguntas frequentes
Como conseguir atendimento no Ambulatório de Qualidade de Vida de Passo Fundo?
O paciente deve procurar primeiro a UBS mais próxima de casa; o profissional da unidade avalia e faz o encaminhamento. O ambulatório não aceita procura direta.
Quais são os critérios para adultos no ambulatório?
IMC acima de 50 tem encaminhamento em qualquer situação; IMC entre 40 e 49 exige tratamento clínico prévio na rede; IMC entre 30 e 40 exige comorbidades, como pressão alta ou diabetes.
Quantas consultas o ambulatório realiza por mês?
Cerca de 400 consultas por mês, com equipe de médica, nutricionista, psicóloga e fisioterapeuta.
Saber mais
- Rádio Uirapuru – Excesso de peso atinge 41% dos jovens de 10 a 19 anos em Passo Fundo
- Rádio Uirapuru – Sem Segredo pergunta: Como é a relação do seu filho com a comida?
- Ubiratã Online – OMS veta canetas de GLP-1 e bariátrica para crianças em novas diretrizes
- Viva – Em 1ª diretriz para obesidade, OMS veta caneta emagrecedora para crianças
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