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Cotribá vota dissolução na terça (20) com R$ 1,4 bi de dívida e sem plano de pagamento

Direção indica o presidente Sérgio Strentzke como liquidante e diz que o plano aos credores só virá depois, em nova assembleia.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 3 min de leitura · feita com IA, checada pela redação

Foto: Cotribá vota dissolução na terça (20) com R$ 1,4 bi de dívida e sem plano de pagamento
Foto: Sintegrity / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Os 11.393 associados da Cotribá decidem nesta terça (20), em Ibirubá, no Planalto Médio, se a cooperativa entra em dissolução voluntária, com liquidação e continuidade das atividades. A proposta chega ao plenário sem plano definitivo de pagamento aos credores e sem avaliação patrimonial consolidada, como admitiram o presidente Sérgio Strentzke e o vice Paulo Prediger.

Para o produtor, a votação define quem vai conduzir a cooperativa e em que condições. Se a dissolução passar, a atual administração dá lugar a um liquidante, que cuidará de bens, dívidas e operações. Os associados votam a mudança jurídica antes de conhecer o plano de pagamentos. A aprovação exige dois terços dos presentes.

O que está em votação

A pauta tem oito itens. O centro é a dissolução voluntária: os associados decidem se a cooperativa entra em liquidação e segue operando, e a razão social ganha o complemento "- em Liquidação". Também entram a nomeação de um liquidante, com honorários mensais, e a posse de um Conselho Fiscal com três efetivos e três suplentes.

Em entrevista ao Jornal da Cidade, da Rádio Cidade FM 104.9, na sexta (16), Strentzke e Prediger detalharam os nomes. O próprio Strentzke será indicado liquidante. Para o Conselho Fiscal, Prediger citou ele mesmo, Marcio Ribamar Garmatz e Ingo Ahlert.

O edital também dá ao liquidante poderes largos. Ele poderá tomar empréstimos no BNDES, no BRDE e no Badesul e usar linhas do governo gaúcho, como Fundopem/RS e Integrar/RS. Poderá ainda securitizar direitos creditórios do agronegócio, hipotecar imóveis e vender ou alugar bens da cooperativa. Durante a liquidação, estão previstas assembleias a cada seis meses, para relatório, balanço e prestação de contas.

Dívida de R$ 1,43 bilhão e recuperação judicial barrada

O passivo apresentado no pedido de abril somava cerca de R$ 1,427 bilhão, distribuído entre 20.614 credores. O valor é o declarado à Justiça naquele mês, não uma atualização para a assembleia. Strentzke afirmou que a dívida segue elevada e sofre correções financeiras constantes.

Em setembro, a 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decidiu, por unanimidade, que a Cotribá não tinha legitimidade para usar a recuperação judicial. A liquidação virou, então, o caminho proposto pela direção. Ela permite continuar operando, renegociar dívidas com bancos e suspender processos judiciais por até dois anos. A Lei 5.764/1971 rege a dissolução e a liquidação das cooperativas.

A dissolução também não elimina a dívida nem garante que todos os credores recebam o valor integral. Ao fim do procedimento, a cooperativa pode ser extinta.

Sem avaliação patrimonial, sem metas

Strentzke disse que a definição de pagamentos, recebimentos e fluxo de caixa depende de um trabalho posterior, a ser apresentado aos associados em nova assembleia. "É muito complexo", afirmou, ao explicar que será preciso negociar com bancos, fornecedores e produtores.

A direção trabalha com um projeto de cerca de quatro anos, mas não divulgou metas financeiras nem projeções de recuperação. Strentzke afirmou que a venda de patrimônio não pagará as contas e que o caixa dependerá das operações comerciais dos associados com a cooperativa.

A direção diz que quer preservar o maior número possível de unidades. Admite, porém, que pode vender bens e reduzir a estrutura. Os supermercados, a retomada da fábrica de rações e o recebimento de grãos dependem de novas negociações.

Sobre a participação na CCGL, Strentzke descartou transformá-la em fonte expressiva de dinheiro por venda. Disse que o potencial está em ampliar as operações comerciais.

Investigação foi interrompida

Strentzke contou que o levantamento contratado pela cooperativa sobre possíveis irregularidades em gestões anteriores parou por falta de pagamento. O trabalho chegou a produzir dados preliminares. A direção pretende apresentá-los na assembleia e avaliar o envio ao Ministério Público ou a outros órgãos. Não há conclusões sobre responsabilidades.

Serviço

A Assembleia Geral Extraordinária da Cotribá acontece nesta terça (20), em Ibirubá, na Associação dos Funcionários da Cotribá (Asfuca). A dissolução precisa do voto favorável de dois terços dos associados presentes, e a continuidade das atividades depende de autorização expressa da assembleia. O edital foi assinado por Strentzke e divulgado em 9 de outubro.

Perguntas frequentes

Quando acontece a assembleia da Cotribá?

Nesta terça-feira (20), em Ibirubá, na Associação dos Funcionários da Cotribá (Asfuca).

Quantos votos são necessários para dissolver a Cotribá?

A dissolução precisa de dois terços dos associados presentes.

Qual é o valor da dívida da Cotribá?

O passivo declarado em abril somava cerca de R$ 1,427 bilhão, distribuído entre 20.614 credores.

Quem será o liquidante da Cotribá?

A direção indica o presidente Sérgio Strentzke para o cargo.

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