EUA trocam itens na lista de tarifas de 50% sobre o Canadá; compensado e papel saem
Válvulas, carpetes e resíduos entram na lista, e a mudança vale a partir de 30 de outubro, quatro dias antes das eleições de meio de mandato.
Por que afeta o RS: Tarifas de 50% sobre produtos canadenses e mudanças em exportações norte-americanas podem afetar cadeias de comércio com o Brasil, como madeira e papel, setores relevantes no RS.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta (23) uma proclamação que muda os produtos canadenses sujeitos à tarifa adicional de 50%. Saem da lista chapas de compensado, alguns produtos de papel, certas máquinas e equipamentos de refrigeração e certas caixas e engradados de embalagem. Entram certas válvulas, carpetes e resíduos.

Para exportadores gaúchos que disputam o mercado americano com fornecedores canadenses, a troca mexe na concorrência. O custo de entrada do concorrente muda nos dois sentidos: cai em compensado e papel e sobe em válvulas e carpetes.
O que muda e a partir de quando
As alterações valem para mercadorias despachadas para consumo, ou retiradas de armazéns, a partir de 30 de outubro. A tarifa vale mesmo para produtos que seguem as regras do acordo USMCA, entre EUA, México e Canadá, e se soma às tarifas da Seção 232.
A medida usa a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930. Ela altera a Proclamação 11048, que já havia sido modificada antes. Segundo a Casa Branca, as tarifas vieram depois que o Canadá deixou um acordo quase fechado e impôs retaliações sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos americanos. Nesta terça (20), um importador americano de alimentos entrou na Justiça contra as tarifas.
Collins e o fator eleitoral
A senadora republicana do Maine, Susan Collins, disse que pediu o alívio. Segundo ela, muitos agricultores dependem de equipamentos e embalagens canadenses que os fornecedores americanos não oferecem ou que custariam caro para substituir. Ela disputa a reeleição em uma corrida apertada contra o democrata Troy Jackson.
O jornal Washington Times relata que a medida é vista como uma tentativa tardia de reforçar Collins na disputa. Jackson afirmou que Collins merece culpa por ter permitido a política tarifária de Trump, e não crédito. A Casa Branca apresenta outro motivo: responder ao que chama de discriminação do Canadá contra as exportações americanas de automóveis e autopeças.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, já disse que as contramedidas do país são "necessárias para proteger nossos trabalhadores". O governo canadense não divulgou resposta específica à nova lista.
A nova lista passa a valer em 30 de outubro. As eleições de meio de mandato nos EUA são em 3 de novembro.
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