Ormuz registra 28 ataques a navios em outubro, recorde mensal, e pressiona o diesel
Mais de 30 superpetroleiros foram danificados desde o início da guerra, 11 deles neste mês, e o Brent chegou a US$ 111 na segunda (19).
Por que afeta o RS: A instabilidade em Ormuz pode encarecer petróleo, combustíveis e fretes pagos por consumidores e empresas gaúchas.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 3 min de leitura

O Estreito de Ormuz e as águas vizinhas tiveram 28 ataques confirmados ou reportados em outubro. São 113 desde 28 de fevereiro, início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Os números são do pesquisador Noam Raydan, do Washington Institute for Near East Policy, e foram divulgados pela Reuters nesta sexta (23). É o pior mês para ataques à navegação comercial na região desde que o instituto, sediado em Washington, passou a acompanhar incidentes marítimos no mundo, em 2017.
A rota importa para o bolso de quem abastece o tanque no RS. Pelo estreito passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados por mar. Quando o risco sobe, o barril sobe, e o diesel dos caminhões que carregam safra e mercadorias pelas estradas gaúchas depende dessa conta.
Petróleo e diesel sentem o efeito
O Brent fechou a US$ 111 na segunda (19), segundo o Diário do Poder. Hoje, a Petrobras vende o diesel às distribuidoras a R$ 5,43 por litro. A paridade de importação está em R$ 6,89, uma defasagem de 21%, segundo o Goldman Sachs.
O banco alerta que o diesel da estatal pode subir até 50% se o governo que sair das urnas não prorrogar o benefício extra dado aos importadores. O benefício, de R$ 1,40 por litro, vence em meados de novembro, e o segundo turno da eleição presidencial está marcado para este domingo (25). O cenário base do Goldman não prevê reajuste até dezembro.
Como os ataques são contados
O levantamento do Washington Institute soma ataques confirmados e também os apenas reportados. Outras fontes dão números diferentes. A Organização Marítima Internacional (IMO) registrou 120 incidentes no Estreito de Ormuz e no restante do Oriente Médio desde o início do conflito. Até o dia 22, a IMO contava 27 ataques a navios comerciais em outubro. A UKMTO, serviço britânico de segurança marítima, tinha 135 incidentes ligados ao conflito até 16 de outubro. O serviço diz que não consegue captar o quadro completo, porque os armadores informam pouco por conta própria.
Superpetroleiros no alvo
Uma análise da Reuters a partir de dados da IMO e da MarineTraffic aponta mais de 30 superpetroleiros danificados desde o início da guerra, 11 só em outubro. Cada um carrega cerca de 2 milhões de barris, e os navios atingidos equivalem a cerca de 3,5% da frota mundial, que passa de 900. Um exemplo é o Petro Dolphin, petroleiro com bandeira da Nicarágua, atingido em 11 de outubro por um suposto drone iraniano.
Mais petroleiros foram atacados porque armadores aceitaram carregar dentro do Golfo, atraídos por fretes diários acima de US$ 1 milhão. Os navios seguem passando: 104 embarcações sem ligação com o Irã cruzaram o estreito entre 5 e 11 de outubro, semana com 12 ataques, segundo a Lloyd's List. A tática iraniana, para Raydan, é manter a rota do sul com aparência de insegura, sem precisar atingir todos os navios.
Os próximos passos no Brasil são a decisão do governo sobre o benefício aos importadores de diesel, que vence em meados de novembro. O outro é o reajuste da Petrobras nas refinarias, que o Goldman Sachs não prevê até dezembro.
Perguntas frequentes
Por que o preço do diesel pode subir no Brasil?
Porque a Petrobras vende a R$ 5,43 por litro, com paridade de importação em R$ 6,89 (defasagem de 21%), e o benefício de R$ 1,40 por litro aos importadores vence em meados de novembro.
Quanto o Brent fechou na segunda-feira (19)?
US$ 111, segundo o Diário do Poder.
Quantos ataques houve em Ormuz desde o início da guerra?
113 desde 28 de fevereiro, segundo o pesquisador Noam Raydan, do Washington Institute for Near East Policy.
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