EUA restringem visto de 15 bolivianos, incluindo dois deputados e ex-procurador-geral
Medida do Departamento de Estado alcança também familiares diretos e amplia a lista de 40 pessoas na Bolívia atingidas por restrições desde setembro.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta (22) restrições de visto a 15 cidadãos bolivianos e a seus familiares diretos. A política mira estrangeiros que, por corrupção ou narcotráfico, enfraquecem governos eleitos democraticamente no hemisfério. Entre os citados estão dois deputados e o ex-procurador-geral Juan Lanchipa Ponce.
Na prática, quem tem visto o perde, e novos pedidos são recusados. A decisão é de política externa americana sobre autoridades de outro país e não tem ligação direta com o Rio Grande do Sul.
Lista inclui deputados, promotores e juízes
O comunicado, assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio, cita 40 pessoas atingidas na Bolívia, mas nomeia 15 cidadãos bolivianos e seus familiares diretos. Os familiares não têm nome divulgado. Segundo a lista oficial:
- Rafael Darío López Mercado, deputado nacional;
- Rolando Santos Pacheco Chávez, deputado nacional;
- Juan Lanchipa Ponce, ex-procurador-geral;
- Félix Gerardo Balderas Arteaga, ex-promotor departamental de Beni;
- Julio César Porras Velarde, promotor da Unidade de Substâncias Controladas de Santa Cruz;
- Diego Alejandro Barboza Zeballos, ex-diretor da Unidade de Investigações Financeiras;
- Aldo Ismael Quezada Cerruti, presidente do Tribunal Departamental de Justiça de Santa Cruz;
- Fernando Ronald Velasco Soliz, ex-chefe de segurança aeroportuária da FELCN no aeroporto de Viru Viru;
- Freddy Bismarck Pereira Molina, comandante da polícia de Tarija e ex-diretor-geral da FELCN;
- Oscar Mauricio Ortiz Cuellar, diretor departamental do Serviço Geral de Identificação Pessoal (SEGIP) em Santa Cruz;
- Katherine Calderon Valle, ex-diretora-geral de Migração;
- José Ayaviri Siles, ex-juiz de tribunal criminal;
- Armando Rojas Toledo, ex-promotor coordenador de La Paz;
- Rony Suarez Milliet, cidadão privado;
- Julio Nelson Alba Flores, juiz do Tribunal Departamental de Justiça de Santa Cruz.
Supremo boliviano pede renúncia de Quezada
Segundo a Associated Press, o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Romer Saucedo, pediu a renúncia de Quezada. A aliança Libre exigiu a retirada do deputado López. O porta-voz presidencial José Luis Gálvez anunciou investigação e disse que ao menos três dos citados já haviam sido afastados antes da divulgação, entre eles Barboza.
O deputado Pacheco, da Alianza Popular, diz ter as mãos limpas. O comunicado americano não apresenta provas individualizadas contra os nomes da lista.
Ex-procurador Mariaca já está em prisão preventiva
A medida segue a ação anunciada em setembro, quando Washington designou o então procurador-geral Roger Mariaca por envolvimento em corrupção significativa. A Assembleia Legislativa o destituiu, e um juiz decretou seis meses de prisão preventiva em Potosí. Mariaca é investigado por suposta proteção ao uruguaio Sebastián Marset, apontado como narcotraficante. Segundo a AP, Marset foi capturado e entregue à agência antidrogas americana (DEA) em março.
O governo boliviano não informou prazo para a investigação anunciada por Gálvez. O texto integral do comunicado está no site do Departamento de Estado dos EUA.
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