🔍
Sexta-feira, 23 de outubro de 2026 · Edição para POADólar R$ 5,03 ▼ 0,66%Euro R$ 5,64 ▼ 0,72%Ibov 204,1 mil ▼ 0,10%Nasdaq 26,0 mil ▼ 2,64%19°C ⛅
Agro
PolíciaMundo

Estudo da OEA com 386 presos mostra que 85,9% das "mulas" levavam droga pela 1ª vez

Levantamento da CICAD ouviu presos na Espanha e no Peru e aponta amizade e aperto financeiro como as portas de entrada para o transporte de cocaína em voos.

Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

Controle aduaneiro em aeroporto: fiscalização de viajantes e bagagens em voos internacionais.
Foto: CBP Photography / Wikimedia Commons (Public domain)

A maioria das pessoas usadas como "mulas" para levar drogas de avião nunca tinha transportado droga nem sido presa antes, segundo estudo divulgado nesta quinta (22) pela Organização dos Estados Americanos (OEA). O levantamento aponta que 87% dos entrevistados entravam pela primeira vez numa prisão e 85,9% não haviam transportado drogas antes.

Para quem vive no RS, o dado serve de alerta sobre como o crime organizado aborda gente vulnerável: ofertas de dinheiro rápido por uma viagem costumam vir de conhecidos. Cerca de seis em cada dez entrevistados foram recrutados por familiares ou amigos. A pesquisa foi feita em prisões da Espanha e do Peru e não traz um retrato do Rio Grande do Sul.

Dinheiro e coação

Mais de 60% aceitaram o serviço por problemas econômicos. O pagamento por viagem fica entre US$ 6 mil e US$ 9 mil, e a carga, principalmente cocaína, segue em malas ou no corpo, em voos diretos ou com escalas.

Antonio Lomba, chefe da Unidade de Fortalecimento Institucional da Secretaria Executiva da CICAD, afirmou que uma em cada cinco pessoas entrou nesse ciclo por coação ou influência. Entre os presos na Espanha, a proporção de captados por coação chega a 31,3%. No Peru, é de 8%. Entre as mulheres, 14,3% decidiram transportar droga depois de convencidas pelo parceiro.

Como foi feita a pesquisa

As entrevistas ocorreram em cinco cárceres do Peru e da Espanha. Foram 386 casos válidos, de mais de 400 entrevistas. O trabalho é exploratório e a amostra foi por conveniência: descreve quem respondeu, não todos os presos por esse crime.

O estudo se chama "Correos humanos de drogas: el eslabón más débil del tráfico de drogas por vía aérea". Foi elaborado pela CICAD, em parceria com a Universidade Pontificia Comillas, e é apresentado como o primeiro da OEA sobre o tema. O relatório completo é da Secretaria Executiva da CICAD, que integra a OEA.

📱 As principais do dia, do teu jeito

Escolhe os assuntos e a região. Chega no WhatsApp, no e-mail ou nos dois. Sai quando quiser.

Sem spam e de graça, como tem que ser 🧉 · privacidade

Saber mais

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

Leia também