Estudo atribui à mudança climática e ao El Niño a força do furacão Polo
Análise da World Weather Attribution e da Climate Central estima que o aquecimento global somou cerca de 10 km/h aos ventos de Polo, e o El Niño, 8 km/h.
Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 13:43 · 2 min de leitura

A World Weather Attribution e a Climate Central divulgaram nesta quinta (15) um estudo que liga a mudança climática e o El Niño à força do furacão Polo. O aquecimento global foi o fator maior, com cerca de 10 km/h a mais nos ventos, e o El Niño somou cerca de 8 km/h. Polo bateu o recorde de tempo em categoria 5 no Pacífico: dois dias e meio.
Para o Rio Grande do Sul, o furacão em si não muda nada. Polo atuou no Pacífico oriental, e o estudo não trata do clima do Sul do Brasil. O que interessa ao estado é o El Niño, que costuma elevar a chuva no RS na primavera. A nota técnica do comitê científico estadual recomenda atualizar os planos de contingência.
Aquecimento tornou condições do furacão 23 vezes mais prováveis
Os pesquisadores compararam o mundo atual com um cenário hipotético sem o aquecimento acumulado desde a era pré-industrial. Segundo o estudo, a mudança climática tornou 23 vezes mais prováveis as condições que alimentaram o furacão, e o El Niño as tornou 14 vezes mais prováveis. Essas condições eram a água do mar a 31,2°C, até 2°C acima do normal.
Sem os dois fatores, Polo ainda seria uma tempestade enorme, segundo os pesquisadores.
A cientista Friederike Otto, que coordena a equipe da WWA, afirmou: "El Niño vai e vem, mas a mudança climática só piora."
Polo chegou à categoria 5 dois dias depois de se formar
Polo virou depressão tropical em 20 de setembro e se tornou furacão em 24 horas. Em 22 de setembro, o Centro Nacional de Furacões dos EUA o elevou à categoria 5. Ele tocou Baja California Sur, no México, em 28 de setembro, como categoria 2, e chegou ao continente em 29 de setembro, como categoria 1.
O furacão causou alagamentos, queda de árvores e danos em comunidades costeiras de Baja California Sur e Sonora. Segundo a WWA, não houve mortes registradas por Polo em Baja California Sur. A página do estudo cita quatro mortos em enchentes em Jalisco e um em Sonora.
Comitê gaúcho prevê primavera mais chuvosa com o El Niño
O Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do RS analisou previsões de abril e maio em nota técnica. O documento apontou a possibilidade de um novo El Niño em 2026, sem evidência de que fosse forte ou muito forte.
Os cenários indicavam chuva acima do normal na primavera. Em anos de El Niño, o Sul do Brasil costuma ter mais chuva, temporais, granizo e eventos extremos de precipitação, sobretudo na primavera.
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