Especialistas dizem que redes e IA remodelam a eleição, mas IA pesou menos que o esperado no RS
Em debate do Conversas Cruzadas, da GZH, advogada diz que processo campeão no TRE-RS após o 1º turno foi o de impulsionamento negativo; Meta e X já são alvo de ordem do TSE.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Redes sociais, inteligência artificial e excesso de ações na Justiça Eleitoral marcaram a análise de quatro especialistas no Conversas Cruzadas, da GZH, exibido na segunda-feira (19). Para a advogada Francieli Campos, especialista em IA, a influência da tecnologia ficou abaixo do esperado no Rio Grande do Sul.

Francieli contou que perguntou à assessoria do TRE-RS, após o primeiro turno, quais foram os principais processos. Segundo ela, o tipo mais numeroso foi o de impulsionamento negativo nas redes sociais. A advogada não citou números de processos nem de casos com IA.
Campanha que não acaba e Justiça sobrecarregada
Francieli afirmou que o Brasil vive uma "hipernormatização" das regras eleitorais, com uma resolução de propaganda de mais de 120 artigos, o que, na avaliação dela, faz "tudo virar um problema".
A professora Silvana Krause, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFRGS, disse que a Justiça não acompanha a velocidade das mudanças nas campanhas. Para ela, os políticos transferem ao TRE e ao TSE conflitos que deveriam resolver nas instituições políticas. Silvana também afirmou que o fenômeno não é exclusivo do Brasil e se globalizou.
João Senna, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital, avaliou que as campanhas se tornaram permanentes. Segundo ele, o conteúdo produzido agora vai alimentar as redes por meses ou anos. Senna descreveu o Brasil como um "laboratório acelerado" da relação entre política e internet, por causa do uso intenso das redes.
Carla Rodrigues, coordenadora de Plataformas e Mercados Digitais, afirmou que as plataformas são empresas e precisam cumprir as determinações do TSE.
TSE já age sobre plataformas no 2º turno
A cobrança sobre as plataformas já está na Justiça Eleitoral. Na segunda (19), o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, analisou pedidos de urgência em ação da coligação Brasil Pronto Pra Mais. Ele determinou que Meta e X impeçam o impulsionamento pago de conteúdos das contas de Nikolas e Marçal e não deem a elas tratamento privilegiado até as 23h59 de domingo (25), sob multa diária de R$ 500 mil por plataforma. A circulação orgânica, sem promoção paga, continua permitida.
O segundo turno é no domingo (25), e a ordem do corregedor vale até o fim desse dia.
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