Especialistas citam emprego e finanças das facções como desafios do próximo presidente
Pesquisador defende cooperação entre União e empresas contra perda de vagas; criminólogos pedem investigação patrimonial e operações integradas.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Quem assumir a Presidência em 2027 terá de enfrentar duas frentes: as vagas perdidas para a tecnologia e o avanço das facções. Especialistas apontam caminhos distintos para cada uma. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam o segundo turno, com votação neste domingo (25).
Na economia, o pesquisador Hoffmann rejeita importar o pagamento por hora praticado no Japão. Na segurança, a professora Letícia Schabbach e o criminólogo Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo defendem mirar o dinheiro do crime organizado, e não só o tráfico de rua. No RS, a Polícia Civil já usa o bloqueio de bens em investigações, como na Operação Apropriare, em Santiago.
Pagamento por hora não serve ao Brasil, diz pesquisador
Segundo Hoffmann, fatores socioculturais dificultam a reprodução de modelos de trabalho de outros países. No Japão, afirma, o país é rico, paga bem e precisa de muita mão de obra. "No Brasil, a consequência disso seria uma precarização total do trabalho", disse.
O pesquisador não trata o tema como prioridade nem como tarefa obrigatória do próximo presidente. Ele defende, porém, uma cooperação entre a União e a iniciativa privada para criar vagas no lugar das que desaparecem com a robótica e a inteligência artificial.
Foco nas finanças das facções
Para Letícia Schabbach, professora e pesquisadora de segurança e políticas públicas, a estratégia contra as facções passa pela cooperação entre instituições e pela busca das matrizes financeiras dos grupos. Ela defende ações conjuntas entre Polícia Civil, Polícia Federal e Poder Judiciário para alcançar os chefes. "Não adianta só olharmos para o 'crime do varejo'", afirmou.
Ghiringhelli, jurista e criminólogo, chama atenção para facções que adotam o modelo das milícias. Isso inclui controle armado de territórios e cobrança de taxas e pedágios de moradores e comerciantes. Ele defende investigação patrimonial, troca de informações e operações integradas para tirar das organizações seus recursos e o domínio sobre a população.
Os especialistas concordam que o próximo presidente precisará investir em inteligência estratégica, com articulação entre União e estados.
Bloqueio de bens já é usado no RS
As medidas patrimoniais já aparecem na rotina das polícias gaúchas. Na quarta-feira (21), a Polícia Civil deflagrou a Operação Apropriare, que investiga o desvio de 2.388 cabeças de gado de um produtor rural de 91 anos, em Santiago e São Vicente do Sul. O caso não envolve facção criminosa.
Na ação, foram apreendidos 400 bovinos e uma caminhonete Toyota Hilux, e um imóvel rural foi sequestrado. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias e criptoativos dos investigados. O prejuízo pode ultrapassar R$ 11 milhões, pelo valor médio de mercado. A investigação continua para identificar o destino dos animais e de outros bens.
O segundo turno é neste domingo (25), e o resultado define quem terá de lidar com essas duas frentes a partir de 2027.
Perguntas frequentes
Quando acontece o segundo turno da eleição presidencial?
O segundo turno é neste domingo (25), entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Quem será o próximo presidente a enfrentar esses desafios?
Quem assumir a Presidência em 2027 terá de lidar com a perda de vagas para a tecnologia e o avanço das facções.
O que é a Operação Apropriare?
Operação da Polícia Civil gaúcha, deflagrada na quarta-feira (21), que investiga o desvio de 2.388 cabeças de gado em Santiago e São Vicente do Sul, sem envolvimento de facção.
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