Arquidiocese de Nova York acerta mais de US$ 800 milhões com 1.300 vítimas de padres
Acordo é o segundo maior da Igreja Católica nos EUA e prevê lista pública de religiosos e líderes leigos acusados de forma verossímil; assinatura está marcada para 6 de novembro.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

A Arquidiocese de Nova York fechou um acordo de mais de US$ 800 milhões (cerca de R$ 4 bilhões) para encerrar as ações de cerca de 1.300 pessoas. Elas dizem ter sido abusadas sexualmente por padres e outros integrantes da Igreja. O arcebispo Ronald Hicks informou neste sábado (24) que a assinatura formal será em 6 de novembro.

O valor fica atrás apenas dos US$ 880 milhões acertados pela Arquidiocese de Los Angeles em 2024, o maior já registrado entre as dioceses americanas. O caso não tem ligação direta com o Rio Grande do Sul, mas mostra como a responsabilização financeira de instituições religiosas por abusos antigos avança em outros países.
Piso é de US$ 250 mil por vítima
Cada vítima poderá escolher entre um pagamento único de pelo menos US$ 250 mil e uma indenização possivelmente maior, definida após análise do abuso alegado.
A arquidiocese também terá de publicar os nomes de religiosos e líderes leigos acusados de forma verossímil e atualizar a lista no futuro.
Negociação quase naufragou
Jeff Anderson, advogado que representa mais de 250 dos autores, disse que o acordo está fechado, à espera apenas das assinaturas, e que todos os autores aceitaram. O pacto quase caiu por causa de um pequeno grupo de autores que considerava a compensação insuficiente.
Segundo o The New York Times, um porta-voz da arquidiocese disse na sexta-feira (23) que as partes ainda trabalhavam para concluir o acordo. No e-mail enviado aos padres neste sábado, Hicks escreveu que a arquidiocese está prestes a levar "alguma medida de cura e reconciliação" a todas as vítimas. Ele afirmou que o acordo só será definitivo quando todas as partes assinarem.
De onde vem o dinheiro
Em dezembro de 2025, o cardeal Timothy Dolan, antecessor de Hicks, anunciou cortes e a venda de imóveis, incluindo a antiga sede na Primeira Avenida, em Manhattan, para levantar recursos. A meta era arrecadar mais de US$ 300 milhões para os acordos. Os relatos consultados não detalham como a arquidiocese cobrirá a diferença até os mais de US$ 800 milhões.
O acordo abrange cerca de 1.300 ações movidas com base em leis estaduais que reabriram prazos para denunciar abusos antigos. A negociação encerra uma batalha judicial de cinco anos.
Assinatura sai em 6 de novembro
A assinatura formal do acordo está marcada para 6 de novembro, quando a arquidiocese e os representantes das vítimas devem selar o texto. Depois disso, passam a valer os pagamentos e a publicação da lista de acusados.
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