Pólen e tempo seco podem agravar rinite e asma na primavera, diz pneumologista
Cerca de 30% dos brasileiros têm rinite, segundo a ASBAI; a orientação é evitar dias secos e ventosos e não interromper remédio de asma por conta própria.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

A primavera pode piorar as crises de rinite alérgica e de asma em quem já tem predisposição. Segundo a pneumologista Francielle Moro Fuligo, o motivo é a maior circulação de pólen, somada ao tempo seco e com vento, que espalha as partículas pelo ar.
No RS, a Univates já mapeou sensibilização a pólen e gramíneas no Vale do Taquari, e quem tem predisposição deve ficar atento nos dias secos e ventosos. A rinite é frequente: cerca de 30% da população brasileira tem a doença, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).
A estação não causa a doença, mas aumenta os sintomas
Francielle explica que a primavera não provoca rinite nem asma. Ela favorece o surgimento de sintomas ou intensifica quadros que já existem. O pólen, liberado pelas plantas na reprodução, desencadeia no organismo sensibilizado a liberação de histamina e de outros mediadores inflamatórios. O resultado são espirros, coceira e obstrução no nariz e coriza.
Em quem tem asma, o contato com o pólen pode irritar as vias aéreas e causar tosse, chiado no peito e falta de ar. A umidade excessiva também pesa: favorece fungos e ácaros. Mudanças de temperatura, fumaça, poluição e cheiros fortes completam a lista de gatilhos.
O sommelier Marcelo dos Santos, de Bento Gonçalves, na Serra, convive com a rinite desde a adolescência. Ele nota que os dias quentes são mais difíceis do que os frios ou chuvosos. As crises duram cerca de dois meses, seguidas ou intercaladas, e nas fases mais intensas atrapalham a rotina. Quando sente os primeiros sintomas, já separa o antialérgico.
Alergia ou gripe: como diferenciar
Coriza, tosse e nariz entupido aparecem tanto em alergia quanto em infecção respiratória. Segundo a pneumologista, a alergia costuma trazer coceira no nariz e nos olhos, espirros em sequência e coriza transparente, em geral sem febre. Os sintomas persistem enquanto houver contato com o gatilho.
Na gripe ou no resfriado, são mais comuns febre, dor de garganta, mal-estar e dores no corpo, e a secreção pode ficar mais espessa. Vírus também podem agravar a asma e coincidir com uma crise alérgica. Por isso, a médica recomenda avaliação para descobrir a causa.
Na asma, a tosse seca pode piorar à noite, nas primeiras horas da manhã ou depois da exposição aos gatilhos.
Cuidados em casa e no dia a dia
Francielle recomenda evitar longas horas ao ar livre em dias secos e ventosos e manter as janelas fechadas nesses períodos. Ao chegar da rua, trocar de roupa e tomar banho ajuda a tirar o pólen da pele e dos cabelos.
Dentro de casa, a orientação é limpar os móveis com pano úmido, evitar acúmulo de poeira em tapetes e cortinas e manter os ambientes sem mofo. Fumaça de cigarro, perfume forte e produtos de limpeza de cheiro intenso podem piorar o quadro. Os filtros do ar-condicionado precisam de limpeza frequente. A lavagem do nariz com soro fisiológico ajuda a remover partículas e secreções.
Pesquisa no Vale do Taquari
Uma pesquisa da Univates analisou 995 testes de IgE específica feitos em laboratório clínico do Vale do Taquari, para mapear padrões de sensibilização. Entre as categorias de aeroalérgenos avaliadas estavam ácaros, poeira, gramíneas, epitélios, fungos e pólen.
Medicação de asma não se interrompe sozinho
Para quem tem asma, a pneumologista reforça o uso correto dos remédios prescritos, inclusive os de controle nos períodos sem sintomas. Parar o tratamento por conta própria quando há melhora pode comprometer o controle da doença e aumentar o risco de novas crises.
Ela também alerta contra a automedicação, porque os sintomas têm causas diferentes e exigem condutas distintas. As medidas de prevenção não substituem o acompanhamento médico. Quem tem sintomas persistentes ou que voltam com frequência deve procurar atendimento para identificar os gatilhos e definir o tratamento adequado.
Perguntas frequentes
Primavera causa rinite e asma?
Não. A estação não provoca as doenças, mas pode favorecer o surgimento de sintomas ou intensificar quadros que já existem, por causa da circulação de pólen e do tempo seco e ventoso.
Como diferenciar alergia de gripe?
A alergia costuma trazer coceira no nariz e nos olhos, espirros em sequência e coriza transparente, em geral sem febre. Na gripe, são mais comuns febre, dor de garganta e mal-estar.
Posso parar o remédio de asma quando melhorar?
Não sem orientação médica. Interromper o tratamento por conta própria pode comprometer o controle da doença e aumentar o risco de novas crises.
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