Entidades pedem a países que rejeitem emiradense Lana Nusseibeh para chefiar a ONU
Candidata nega ligação do governo dos Emirados com paramilitares no Sudão e diz que a guerra seria sua prioridade, em disputa pela sucessão de Guterres que segue travada.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Grupos de direitos humanos pediram, na terça (27), que os países rejeitem a candidatura da diplomata emiradense Lana Nusseibeh à secretaria-geral da ONU. Eles citam acusações de que Abu Dhabi financia as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar do Sudão. Os Emirados negam.
A guerra no Sudão, que começou em abril de 2023, opõe o Exército sudanês às Forças de Apoio Rápido.
Críticos dizem que ela nega o papel dos Emirados na guerra
O encontro virtual reuniu especialistas sudaneses e um sobrevivente do massacre de El Fasher. Kenneth Roth, ex-diretor-executivo da Human Rights Watch, criticou as respostas de Nusseibeh sobre o papel dos Emirados no conflito. Ele afirmou que ela foi questionada várias vezes sobre o apoio emiradense à RSF e negou sem levar em conta os fatos.
Kate Ferguson, codiretora da ONG britânica Protection Approaches, disse não ter visto provas suficientes de que a candidata seja independente do Estado de onde vem.
Uma missão de apuração de fatos da ONU afirmou que armas estrangeiras, tecnologia militar, combatentes e redes logísticas, incluindo pessoas e entidades nos Emirados e em outros locais, ajudam a manter a guerra.
Nusseibeh diz que o Sudão seria prioridade número um
No diálogo com a Assembleia Geral, também na terça, Nusseibeh afirmou que o Sudão seria prioridade número um se ela chegasse ao cargo. Disse ainda que as atrocidades da RSF são atrozes e que apoiaria o trabalho das missões de apuração da ONU, por responsabilização e justiça de transição. Ela contou ter se licenciado do posto de ministra dos Emirados para respeitar a exigência de independência do cargo.
Corrida segue sem data para votação
Os Emirados formalizaram a indicação na semana passada, e a candidata entrou como nome de última hora numa corrida sem definição. Desde então, ela obteve apoio de países do Golfo, mas também enfrenta questionamentos sobre a normalização dos Emirados com Israel e sobre o papel de Abu Dhabi na guerra sudanesa.
Para vencer, o candidato precisa de nove dos 15 votos no Conselho de Segurança e não pode sofrer veto de nenhum dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, China, França e Rússia. O segundo mandato de Guterres termina neste ano. O Conselho de Segurança ainda não divulgou data para a votação.
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