Ensaio com vacinas contra o Ebola Bundibugyo começa na RDC; surto passa de 9,7 mil casos
Primeiro voluntário recebeu a Ervebo em Bunia; as duas candidatas feitas para o Bundibugyo ainda precisam de autorização para entrar no estudo.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

A República Democrática do Congo (RDC) iniciou nesta sexta (23) o ensaio clínico Tumaini, que vai testar vacinas contra o ebolavírus Bundibugyo. O primeiro participante foi vacinado em Bunia, capital da província de Ituri, onde o surto começou.

Para o leitor gaúcho, o estudo interessa como vigilância internacional: a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto como emergência de saúde pública de importância internacional, e Quênia e Nigéria registraram casos importados.
Só uma das três vacinas foi aplicada até agora
Três candidatas serão avaliadas: a Ervebo e vacinas experimentais da Moderna e da Universidade de Oxford, em parceria com o Serum Institute of India. Por enquanto, só a primeira entrou. A Ervebo, da Merck, é licenciada contra a doença causada pelo ebolavírus Zaire. Isso não garante que ela proteja contra o Bundibugyo, a espécie por trás do surto atual.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o ensaio vai mostrar se as vacinas desenhadas para o Bundibugyo funcionam. Enquanto isso, a Ervebo será testada.
O Tumaini é um ensaio adaptativo de fase 2/3, que avalia segurança, imunogenicidade e eficácia de várias candidatas num mesmo protocolo. O método é a vacinação em anel, que recruta pessoas que tiveram contato com casos confirmados. A coordenação é do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do Congo (INRB), com a Universidade de Antuérpia. O estudo tem apoio da OMS, do Ministério da Saúde congolês e da CEPI, coalizão que financia vacinas contra epidemias.
O registro do estudo no ClinicalTrials.gov, atualizado em setembro, estimava a conclusão da coleta principal de dados em abril de 2027. O número de voluntários não foi divulgado.
Surto passa de 9,7 mil casos confirmados
Até 20 de outubro, a OMS contabilizava 9.704 casos confirmados e 4.687 mortes, em 66 zonas de saúde de oito províncias da RDC. A transmissão segue alta e sustentada no país.
No Quênia, são nove casos, com uma morte. A Nigéria confirmou um caso importado em Abuja em 20 de outubro.
As duas candidatas específicas para o Bundibugyo, de Oxford e da Moderna, devem entrar na plataforma depois de mais desenvolvimento e de autorização das autoridades regulatórias congolesas.
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