Endividamento das famílias chega a 50,1% da renda e bate recorde, diz Banco Central
Comprometimento da renda com parcelas também é o maior da série, em 29%, mesmo com dois programas de renegociação lançados pelo governo federal.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro chegou a 50,1% da renda acumulada em 12 meses em agosto, o maior nível da série histórica do Banco Central. O dado consta das Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta quinta (29). O comprometimento da renda com o serviço da dívida também atingiu o maior nível da história, de 29,0%.

O segundo indicador é o mais próximo do orçamento mensal: 29% equivale a R$ 290 de cada R$ 1.000 de renda indo para parcelas e encargos. Em julho, o comprometimento estava em 28,8%. O endividamento de 50,1% mede o saldo das dívidas em relação à renda de um ano inteiro. Não quer dizer que metade do salário vá embora todo mês.
Os dois indicadores subiram em um ano
O endividamento subiu 0,2 ponto percentual no mês e 1,2 ponto em 12 meses. O comprometimento de renda avançou os mesmos 0,2 ponto no mês e 1,4 ponto em 12 meses.
Sem o crédito imobiliário, o endividamento das famílias subiu para 31,0% em agosto, e o comprometimento da renda chegou a um recorde de 26,7%. Segundo a Reuters, o quadro reflete juros altos e o avanço de modalidades mais caras, como cartão de crédito e empréstimos sem garantia.
Em dados separados sobre setembro, a inadimplência no crédito livre para famílias e empresas ficou em 6,6%, nível recorde e igual ao de agosto.
A carteira de crédito livre para pessoas físicas somou R$ 2,6 trilhões, com alta de 10,0% em 12 meses. O BC atribuiu o avanço principalmente ao consignado para trabalhadores do setor privado e beneficiários do INSS e aos financiamentos de veículos. Esse valor se refere só a essa carteira, não ao total das dívidas das famílias.
Os indicadores são nacionais. Eles não mostram quanto da renda dos gaúchos está comprometido nem como o peso das dívidas varia entre Porto Alegre, o interior e o campo.
O que o governo fez até agora
O governo federal lançou o Desenrola 2.0 em maio de 2026 para facilitar renegociações de dívidas com juros mais baixos. O mais recente, o Desenrola Brasil, foi anunciado no início de maio.
Outras medidas incluem restrições à publicidade de empréstimos, mais transparência sobre as dívidas dos consumidores e novas exigências para a concessão de crédito em transações pelo Pix. Quem está com parcelas atrasadas deve procurar o banco ou a financeira para renegociar e conferir no Procon da cidade as regras vigentes do Desenrola.
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