Endividados de risco chegam a 20,3 milhões, 75% a mais em cinco anos, diz BC
Galípolo afirma que o Banco Central pretende anunciar novas medidas contra ofertas agressivas de crédito ainda em 2026; quem ganha até dois salários mínimos compromete 42% da renda com dívidas.
Por que afeta o RS: Gaúchos endividados entram na contagem nacional e as novas regras do BC sobre ofertas de crédito valerão para bancos e consumidores do estado.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O número de brasileiros em endividamento de risco chegou a 20,3 milhões em junho de 2026, alta de 75% em relação a junho de 2021. Os dados estão no Relatório de Estabilidade Financeira do primeiro semestre, divulgado pelo Banco Central (BC) nesta terça (27). O contingente representa 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional.
Gaúchos endividados entram nessa contagem nacional, e as regras do BC sobre ofertas de crédito valem para bancos e clientes do Rio Grande do Sul.
Quem ganha menos sente mais
O aperto pesa mais no bolso de quem tem renda menor. Entre as pessoas que ganham até dois salários mínimos, as dívidas consomem 42% da renda, e 15% da renda dessa faixa vai só para o cartão de crédito. Na faixa acima de dez salários mínimos, o comprometimento total é de 18,6%.
O comprometimento da renda das famílias com dívidas atingiu o maior nível em 21 anos, segundo o BC, e pesa mais sobre quem ganha menos. Os ativos problemáticos no crédito às famílias, que reúnem operações em atraso e em risco de calote, chegaram ao maior patamar desde 2012 na maioria das modalidades.
O relatório não vê ameaça ao sistema. Ele conclui que não há risco relevante para a estabilidade financeira, e o teste de estresse indicou capitalização adequada dos bancos.
BC promete mais medidas até dezembro
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, falou com jornalistas na coletiva sobre o relatório. "A gente pretende anunciar medidas adicionais ainda esse ano, sim", disse. Ele afirmou que a preocupação maior é com quem já está no rotativo, pagando juros altos, e com quem acumula atrasos significativos.
Na sexta-feira (23), o BC publicou três resoluções voltadas à oferta de crédito ao público mais vulnerável. A oferta ativa de crédito a clientes vulneráveis ou em risco de endividamento excessivo passa a depender de autorização prévia e inequívoca do cliente. Para esses clientes, só poderão ser feitas ofertas que melhorem as condições financeiras, como renegociação ou portabilidade, sem liberar novos recursos. As instituições também deverão oferecer um mecanismo claro para o cliente bloquear propagandas e ofertas ativas de crédito. As normas criam ainda o Painel de Dívidas Consolidadas. Ele reúne as operações de crédito do cliente, com simulações de custo e alertas de risco.
A regra da autorização prévia para ofertas a clientes vulneráveis entra em vigor em 31 de março de 2027. As medidas adicionais, segundo Galípolo, devem ser anunciadas até o fim de 2026.
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