Embaixada dos EUA vê vitória de Lula como definitiva, e Trump cita pedido de neutralidade
Trump voltou a criticar o segundo turno sem apresentar provas e disse que falará com Lula; o Planalto decidiu não responder às provocações.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura
Atualizada 30/10, 04:02 · A embaixada dos EUA passou a tratar a vitória de Lula como definitiva, em contraste com as falas de Trump, e o Planalto decidiu não responder às provocações.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta (29) que não tomou partido na eleição brasileira porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe pediu isso. A fala foi feita a jornalistas, antes de embarcar para um comício na Carolina do Sul. Trump não apresentou provas nem detalhes sobre o suposto contato entre os dois, segundo a cobertura da CNN Brasil.
Trump não reconheceu o resultado do segundo turno. Questionado se reconheceria a vitória de Lula, respondeu que falará com o presidente brasileiro. A embaixada dos EUA, porém, vê a vitória de Lula como definitiva, o que coloca a posição diplomática em desacordo com o discurso do presidente americano.
O que Trump disse
Segundo a transcrição publicada pela imprensa, Trump afirmou: "O presidente, o atual presidente, me pediu para não tomar partido." Ele acrescentou que não tomou.
Trump classificou a eleição como um grande constrangimento para o povo brasileiro e atribuiu a Lula a iniciativa do pedido.
Embaixada e Planalto
Até a noite de segunda (26), os EUA não haviam parabenizado oficialmente Lula pela vitória. A leitura da embaixada, de que o resultado é definitivo, diverge das críticas de Trump ao segundo turno.
Do lado brasileiro, o Palácio do Planalto decidiu ignorar as provocações, segundo a cobertura da imprensa.
Terceira fala em poucos dias
A declaração desta quinta veio depois de outras duas. Na segunda-feira (26), Trump disse que a eleição "pareceu mais uma eleição fraudada", sem apresentar qualquer prova ou indício de fraude. Nessa ocasião, disse também que gosta de Lula.
Trump se referia, entre outros pontos, à prorrogação por duas horas da votação, determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Ele não endossou nenhum candidato nominalmente.
Flávio Bolsonaro e a carta
Na quarta-feira (28), o senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou uma carta nas redes sociais. Nela, se declarava "verdadeiro presidente do Brasil", mas voltou atrás e passou a se chamar de "líder do Brasil". O documento também agradece a líderes internacionais, entre eles Trump.
Na quarta (28), Trump disse que os EUA deram a Flávio uma autorização para entrar no país e que não vai se envolver na disputa. Também disse achar que Flávio e aliados foram tratados de forma injusta no Brasil.
Entre os próprios aliados de Flávio, segundo a DW, há pouco espaço de manobra para contestar o resultado.
O que vem a seguir
Trump não disse quando pretende falar com Lula, e não houve anúncio de medida sobre tarifas ou comércio junto com a declaração. O próximo passo a observar é o reconhecimento formal do resultado pelo governo americano.
Atualização: a embaixada dos EUA vê a vitória de Lula como definitiva, posição que contrasta com as críticas de Trump ao segundo turno, e o Planalto decidiu não responder às provocações do presidente americano.
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