Durigan promete ajuste gradual e contas no azul em 2027; juros pressionam crédito no RS
O ministro da Fazenda fala em reduzir o déficit em cerca de 2 pontos percentuais do PIB ao longo do quarto mandato de Lula, sem cortar direitos sociais.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 3 min de leitura
Atualizada 03/11, 13:51 · Os juros futuros subiram na manhã desta terça (3), com o DI para janeiro de 2028 a 14,56%, e o Focus elevou a projeção da Selic de fim de 2026 de 13,25% para 13,50%.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (3) que o governo vai atuar para melhorar as contas públicas sem recorrer ao que chamou de "narrativa fácil". Ele descreveu um ajuste gradual de cerca de 2 pontos percentuais do PIB ao longo do quarto mandato de Lula, com resultado primário positivo em 2027.
A fala veio no mesmo dia em que o Boletim Focus, do Banco Central, elevou as projeções de inflação e de juros. Para o fim de 2026, a Selic projetada passou de 13,25% para 13,50%. Para 2027, o mercado vê IPCA de 4,76% e Selic de 12,50% ao ano. Juros mais altos encarecem o crédito para empresas, produtores e famílias de todo o país, inclusive do RS.

Bolsa abre em queda na volta do feriado
O Ibovespa recuava 1,36% às 10h15 desta terça, aos 165.631 pontos, segundo a Reuters. Foi a reabertura da B3 após o feriado. As ações da Petrobras pressionaram o índice depois da forte queda do petróleo no mercado internacional na segunda (2). A queda também refletiu preocupações com a economia brasileira e ajustes aos movimentos dos ativos no exterior.

Juros futuros sobem com a agenda do novo governo
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) avançaram na manhã desta terça, na volta do feriado de Finados. Às 10h55, o DI para janeiro de 2028 estava em 14,56%, ante 14,48% no ajuste anterior. O contrato para janeiro de 2035 subia a 15,52%.
A Reuters atribuiu o movimento à preocupação com a agenda econômica do novo governo e à proximidade da decisão do Copom. Os juros futuros mais altos podem encarecer financiamentos, inclusive o habitacional, e elevar o custo de captação das empresas gaúchas.
Ajuste sem corte de direitos
Durigan reafirmou o compromisso com a melhora das contas públicas, apesar da piora das expectativas do mercado após a reeleição de Lula. Ele disse que o objetivo é alcançar resultado primário positivo em 2027 e que o ajuste não tem o propósito de retirar direitos. O ministro também defendeu revisões rigorosas nas políticas existentes, para garantir a boa aplicação dos recursos públicos.
Durigan disse que a definição do momento de apresentar propostas cabe ao presidente.
Maioria aposta em Selic mantida na quarta
O Copom iniciou nesta terça (3) a reunião que define a Selic e termina na quarta-feira (4). A taxa está em 13,75% ao ano, depois de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. Pesquisa da Reuters mostra que 33 de 48 economistas esperam a manutenção do juro, em meio à turbulência nos mercados após a reeleição de Lula.
A decisão define o custo de empréstimos e financiamentos para famílias e empresas gaúchas, assim como o retorno das aplicações.
O governo pretende enviar ao Congresso uma proposta de alteração do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. O plano prevê remanejar cerca de R$ 20 bilhões no PLOA, sem elevar o teto de gastos, para acomodar as novas iniciativas. A proposta ainda precisa ser enviada ao Congresso Nacional.
Atualização: a matéria ganhou os números dos juros futuros desta terça (DI de janeiro de 2028 a 14,56% e de janeiro de 2035 a 15,52%) e a nova projeção do Focus para a Selic no fim de 2026, de 13,50%.
Perguntas frequentes
A Selic deve subir ou cair nesta semana?
O Copom começa a reunião nesta terça (3) e termina na quarta (4). A taxa está em 13,75% ao ano, e 33 de 48 economistas esperam manutenção.
Qual a projeção de Selic para o fim de 2026?
O Boletim Focus elevou a projeção de 13,25% para 13,50%.
Quando o governo deve zerar o déficit?
O objetivo declarado é alcançar resultado primário positivo em 2027, com ajuste de cerca de 2 pontos percentuais do PIB ao longo do quarto mandato de Lula.
O ajuste vai cortar direitos sociais?
Durigan afirmou que o ajuste não tem o propósito de retirar direitos, mas defendeu revisões rigorosas nas políticas existentes.
Saber mais: fontes consultadas (8)
Do interior do RS
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