Drone mata três em rodovia perto de Kiev; ataque à rede elétrica deixa 500 mil sem luz
Zelensky diz que parceiros não avisaram Kiev antes da ofensiva com 16 mísseis balísticos; Rubio admite que interceptadores comprados via Otan podem não ter chegado, e Hegseth ainda não liberou o envio.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura
Atualizada 20/10, 10:56 · Segundo a Reuters, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ainda não havia autorizado o envio do lote de interceptadores do programa PURL, financiado por aliados da Otan; Rubio atribui o atraso a entraves não políticos.

Um drone russo matou três pessoas e feriu outras quatro nesta terça (20) perto da rodovia Kiev–Odesa, na região de Kiev. A promotoria regional informou os números preliminares. Na véspera, um ataque com mísseis balísticos e drones à rede elétrica da Ucrânia já havia deixado mais de 500 mil pessoas sem luz, aquecimento e água corrente, segundo o presidente Volodymyr Zelensky.
Para quem acompanha a guerra daqui do Sul, o ponto central é o inverno que se aproxima. Moscou tenta enfraquecer a rede elétrica ucraniana antes de mais uma estação dura. A pauta não tem efeito direto confirmado no Rio Grande do Sul.
Três mortos em Chabany
O drone atingiu a área perto de Chabany, localidade colada à rodovia M05, que liga Kiev a Odesa. O Serviço de Emergência da Ucrânia informou que o ataque foi perto de um posto Okko e incendiou dois veículos. Duas pessoas foram hospitalizadas; as demais receberam atendimento no local.
O chefe da administração militar regional, Tymur Tkachenko, disse que as vítimas estavam a caminho do trabalho. As autoridades não divulgaram nomes nem idades.
Sob supervisão dos promotores regionais, foi aberta uma investigação por violação das leis e costumes de guerra.
Ofensiva na rede elétrica
Zelensky afirmou que 16 mísseis balísticos russos atingiram Kiev e arredores e danificaram 28 subestações e outras instalações críticas de energia. A Rússia também lançou "mais de 200" drones do tipo Shahed durante o ataque. Instalações de energia de 11 regiões foram atingidas ao longo da noite.
Em Kiev, autoridades da capital informaram a morte de uma mulher de 21 anos. Zelensky disse que o ataque também danificou uma escola, uma clínica, uma estação de metrô e prédios residenciais.
Sem aviso dos parceiros e interceptadores atrasados
Zelensky afirmou que Kiev de novo não recebeu alerta prévio de países parceiros que antes compartilhavam informações de inteligência. Ele não citou nomes de países. O porta-voz da Força Aérea, Yurii Ihnat, disse que não houve aviso antes da primeira onda e que os dados da segunda chegaram tarde para acionar as sirenes.
O presidente dos EUA, Donald Trump, diz que Washington não deixou de repassar informações a Kiev. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou na segunda (19) que, dias antes, houve um problema de software no sistema de alerta antecipado da Ucrânia.
Nesta terça, Rubio reconheceu que um lote de interceptadores comprado para a Ucrânia pelo programa PURL, da Otan, talvez não tenha sido entregue. Segundo a Reuters, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ainda não havia autorizado o envio do pacote, financiado por aliados da Otan. Rubio negou que o atraso tenha motivação política e o atribuiu a entraves não políticos. Ele disse ter conversado por 45 minutos com Zelensky, que afirmou ter tratado de mísseis, alertas antecipados de ataques russos e serviços de satélite.
Pelo lado russo, o Ministério da Defesa disse ter atingido um centro de dados e um centro logístico de componentes de drones e mísseis de cruzeiro. Também citou uma fábrica de peças de drones e um depósito de locomotivas onde há mísseis. O comunicado não menciona danos à rede elétrica.
Zelensky afirmou que os reparos estão em andamento e a energia volta aos poucos para os atingidos.
Kremlin quer reunião de Putin com enviado dos EUA
O Kremlin disse nesta terça que espera organizar em breve um encontro entre o presidente russo, Vladimir Putin, e Steve Witkoff, enviado especial dos EUA. Segundo a Reuters, a conversa trataria do processo de paz na Ucrânia e de outros temas considerados importantes por Moscou.
Antes disso, Witkoff deve se reunir em Oslo, na Noruega, com Zelensky e representantes de Reino Unido, França, Alemanha e Polônia.
Atualização: a Reuters informou que Hegseth ainda não havia autorizado o envio do lote de interceptadores do programa PURL, e Rubio atribuiu o atraso a entraves não políticos. Antes, o Kremlin disse que espera organizar em breve uma reunião entre Putin e Witkoff sobre a paz na Ucrânia; o enviado dos EUA deve se encontrar primeiro, em Oslo, com Zelensky e representantes de Reino Unido, França, Alemanha e Polônia.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas morreram no ataque de drone perto de Kiev?
Três pessoas morreram e outras quatro ficaram feridas, segundo a promotoria regional, com números preliminares.
Quantas pessoas ficaram sem luz após o ataque à rede elétrica?
Mais de 500 mil pessoas ficaram sem luz, aquecimento e água corrente, segundo o presidente Volodymyr Zelensky.
Por que os interceptadores da Otan atrasaram?
Rubio disse que o lote do programa PURL pode não ter sido entregue, e a Reuters informou que o secretário de Defesa Pete Hegseth ainda não autorizou o envio.
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