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Dois meses após entrada de 70 mil migrantes, Ceuta cobra Sánchez a um mês da eleição

O governo espanhol diz que 12.705 pessoas voltaram ao Marrocos desde 10 de agosto, mas o presidente da cidade estima que 15 mil ainda precisam sair.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Manifestação no Dia de Ceuta, com bandeiras espanholas, em frente a um portão da muralha da cidade.
Foto: Xemenendura / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Moradores de Ceuta, cidade espanhola no norte da África, dizem que se sentem abandonados pelo governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Mais de 70 mil pessoas vindas do Marrocos entraram na cidade em 30 e 31 de julho. Mais de dois meses depois, Ceuta, de cerca de 80 mil habitantes, segue longe da normalidade, segundo a AFP. A crise alimenta a direita e a extrema direita na campanha para a eleição geral antecipada de 29 de novembro.

A pauta não toca o Rio Grande do Sul, mas ajuda a entender a eleição espanhola e o debate europeu sobre migração. Na campanha, o Partido Popular (PP) e o Vox batem na política migratória e na postura de Sánchez diante do Marrocos, que reivindica a soberania sobre Ceuta. A esquerda tenta levar a discussão para moradia, direitos sociais e aposentadorias.

Governo fala em devoluções; oposição cobra prazo

A maioria dos migrantes voltou ao Marrocos nas horas seguintes à entrada, mas milhares ficaram. "Não o queremos nem pintado", disse à AFP a auxiliar de enfermagem Mari Carmen Mata, de 58 anos, sobre Sánchez.

Em 20 de outubro, a porta-voz do governo, Elma Saiz, informou que 12.705 pessoas retornaram de Ceuta ao Marrocos desde 10 de agosto. Dessas, 12.142 foram retornos voluntários e 536 foram expulsões. Segundo ela, há 7.477 vagas em alojamentos temporários na cidade.

Em 16 de outubro, o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, deu por superada "com êxito" a primeira fase da operação extraordinária. Ele prometeu que todos os que ficam em Ceuta sem direito saiam da cidade e negou haver devoluções encobertas. Também anunciou reforço para tramitar cerca de 100 processos por dia, de asilo e, na maioria, de devolução.

O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, do PP, discorda do ritmo. Ele estimou em 15 mil os migrantes que ainda devem ser devolvidos ao Marrocos. Ao menos nove ONGs afirmaram que migrantes foram coagidos a voltar, segundo a Reuters.

Direita aposta em Ceuta; especialista vê tema perdendo força

O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, foi a Ceuta na campanha. O líder do Vox, Santiago Abascal, também foi à cidade, acompanhado de Jordan Bardella, presidente do partido francês de extrema direita Reagrupamento Nacional.

A cientista política Cristina Monge avalia que o governo errou ao tratar o caso como crise migratória, e não como "ataque híbrido". Para ela, se a campanha seguir pelos temas sociais, Ceuta tende a passar para segundo ou terceiro plano.

Os espanhóis votam na eleição geral de 29 de novembro, um domingo.

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