Macron chama de 'sediciosos' atos da ultraesquerda e restringe protestos na França
Sindicatos poderão manifestar-se, mas com trajetos alternativos; Paris, Lyon, Lille e Grenoble já proibiram atos desta quinta, e Lyon vetou também os de sábado.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

O presidente da França, Emmanuel Macron, acusou nesta quinta (22) grupos de ultraesquerda de promover atos "sediciosos" nos protestos de 17 de outubro. Ele anunciou que manifestações consideradas "ilegítimas" serão proibidas nos próximos dias. A fala veio após reunião com chefes de inteligência e ministros, no Palácio do Eliseu.
Os atos nasceram de protestos contra preços altos e a situação das escolas. Agora o governo restringe o direito de reunião a pouco mais de 48 horas de um grande ato, marcado para sábado (24).
O que Macron anunciou
"Tivemos atos políticos e sediciosos de grupos de ultraesquerda cujo objetivo é derrubar a República", afirmou Macron. Segundo a agência Reuters, ele disse que protestos organizados por entidades como os sindicatos poderão ocorrer, mas poderão ser desviados para trajetos alternativos, a fim de proteger o comércio.
Em Paris, a polícia proibiu os atos desta quinta em áreas que incluem o entorno do Eliseu, as duas casas do Parlamento e as principais estações de trem. Também entraram na proibição trechos do centro atingidos pelos saques. A restrição vale até as 20h locais (15h em Brasília). Atos previstos para hoje em Lyon, Lille e Grenoble também foram vetados.
A Prefeitura de Polícia de Paris afirmou que a medida era necessária pelo risco de violência como a do fim de semana. Para algumas pessoas, a proibição fere o direito de protestar. Grupos de estudantes do ensino médio e universitários disseram que seguirão mobilizados, embora o recesso escolar de outono tenha começado nesta semana.
Violência de 17 de outubro
A polícia de Paris informou que 855 pessoas foram detidas na região da capital. Segundo a polícia, 13 policiais e gendarmes e dois bombeiros ficaram feridos. As autoridades estimaram 550 mil participantes em todo o país; os organizadores contaram cerca de 800 mil. A emissora France 24 relatou quase 2.400 detidos em âmbito nacional.
Uma pessoa morreu de infarto durante a marcha em Paris, segundo a polícia. Grupos de mascarados entraram em confronto com os agentes, saquearam lojas e queimaram carros.
Sábado e 5 de novembro
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, disse que uma operação de segurança "massiva" está prevista para sábado, para evitar nova onda de violência. Segundo a Reuters, a principal entidade estudantil, a UNEF, convocou atos, e o movimento dos coletes amarelos pediu autorização para uma marcha pelo centro de Paris. Em Lyon, todos os protestos de sábado foram proibidos.
Os sindicatos se reuniram com Lecornu na quarta (21) e disseram que o encontro não trouxe propostas concretas. Agora, convocam trabalhadores dos setores público e privado para outra jornada nacional de mobilização, em 5 de novembro.
Em Orléans, no norte do país, as autoridades se preparam para possíveis tumultos no encontro anual da Reunião Nacional, partido de extrema direita. O evento coincide com atos de sindicatos e grupos de esquerda. O ato de sábado (24) em Paris depende da decisão das autoridades sobre o trajeto.
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