Distúrbios na França deixam mais de 2 mil detidos e prefeitura de Limoges queimada
Protesto contra o custo de vida terminou em saques em Paris, Lyon, Marselha e outras cidades, e 1.500 comércios foram danificados; Macron fala neste domingo às 15h (de Brasília).
Redação Bairrista · 18 de outubro de 2026 às 10:58 · 3 min de leitura

A França contabiliza os estragos de uma noite de saques e confrontos que acompanhou, no sábado (17), os protestos nacionais contra o custo de vida. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou por volta do meio-dia de domingo (18) que mais de 2.000 pessoas foram detidas. A manhã havia fechado com 1.800 detidos, número que subiu com o balanço atualizado. Em Limoges, no centro-oeste, a prefeitura do século XIX foi incendiada.

O presidente Emmanuel Macron fala ao país às 20h em Paris, 15h em Brasília, depois de reunir o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, e outros ministros. Nas últimas semanas, o governo já lidava com protestos de estudantes em várias regiões.
Balanço de feridos e detidos
Nuñez disse que mais de 600 policiais, gendarmes e bombeiros ficaram feridos. O ministro afirmou que o número é provisório. A Prefeitura de Polícia de Paris registrou 855 detenções na capital, um "recorde". Em Lyon, o representante do Estado no Rhône, Etienne Guyot, falou em 160 detidos na noite de sábado para domingo.
Nuñez citou "exações" em Marselha, Paris, Lyon, Bordeaux, Rennes, Estrasburgo, Grenoble, Nice e Limoges. A Federação do Comércio e Distribuição calcula que 1.500 estabelecimentos foram danificados no país. O valor total dos prejuízos não foi divulgado.
Segundo a agência AFP, um jovem de 17 anos perdeu uma das mãos em Saint-Étienne, no sul, na explosão de uma granada lançada pelas forças de segurança.
Em Paris, a Promotoria informou 557 pessoas em custódia: 381 maiores de idade, 151 menores e 25 com idade indeterminada. Outras fontes falam em 171 menores. Não há divulgação oficial sobre antecedentes ou origem dos detidos.
Como foi a mobilização
O ministro Nuñez contou 550 mil manifestantes no país, 110 mil deles em Paris. Os organizadores falam em 800 mil. Em Paris, a Prefeitura de Polícia disse que o cortejo principal passou sem incidente grave. Os saques vieram depois, com grupos de jovens mascarados que atacaram lojas em Paris, Marselha, Bordeaux, Nice e Estrasburgo.
Os coletes amarelos, movimento que protestou há oito anos contra um imposto sobre combustíveis, convocaram o ato sob o lema "Amarelos e Jovens". A queixa central é a alta do custo de vida, em parte ligada à guerra no Oriente Médio, que pressiona a inflação europeia.
Incêndio em Limoges
O Ministério Público de Limoges abriu investigação por destruição de bem por meio perigoso, em grupo organizado. Segundo a procuradora Émilie Abrantes, 17 pessoas, sete delas menores, estavam sob custódia no domingo pela manhã, depois de "numerosas detenções". A promotoria não disse se algum deles é suspeito direto do incêndio.
O prefeito afirmou à emissora LCI que o fogo foi criminoso e atribuiu o ato a uma "horda selvagem". O incêndio foi controlado na madrugada de domingo. O prefeito também disse que faltaram meios à polícia, que recuou diante dos vândalos, em Limoges e em outras cidades.
Culpa em disputa
O governo Macron e a candidata de extrema direita Marine Le Pen responsabilizam grupos de extrema esquerda. O líder da França Insubmissa (LFI), que apoiou as mobilizações, rebateu: quem compartilha a luta não tem relação com a pilhagem.
A vice-prefeita socialista de Paris, Lamia El Aaraje, disse que a cidade nunca viu "um nível de violência" assim. Ela acusou o Reagrupamento Nacional, de Le Pen, de alimentar a tensão para chegar à Presidência em 2027.
Para Mujtaba Rahman, analista do Eurasia Group, a violência veio de uma franja da extrema esquerda, e os saques, de grupos oportunistas de subúrbios pobres. A avaliação é dele, e as autoridades não apresentaram dados que a confirmem.
Trump e Vance entram na discussão
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ligou a imigração aos distúrbios em publicação na Truth Social, neste domingo. Disse que a França "está em chamas" e pediu que o país feche as fronteiras. Também no domingo, o vice-presidente JD Vance fez crítica parecida no X. O governo francês não respondeu formalmente às declarações até a última atualização.
Macron fala neste domingo às 20h em Paris (15h em Brasília). Em Limoges, uma marcha de autoridades eleitas estava marcada para o fim da tarde.
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