Democratas vencem nos EUA, mas tarifaço segue e atinge 87,2% das vendas do RS aos EUA
Analistas ouvidos por G1 e Folha avaliam que a nova maioria no Congresso americano não tem força para mudar sozinha a política comercial de Trump, e a indústria gaúcha já sente o efeito das tarifas.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

A vitória dos democratas nas eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, em 3 de novembro, não deve aliviar a pressão do governo de Donald Trump sobre o Brasil. É o que avaliam analistas ouvidos pela Folha de S.Paulo e pelo G1 em 5 de novembro. Nenhuma das reportagens consultadas registra mudança nas tarifas após a eleição.
Para o Rio Grande do Sul, o tema é direto. Segundo a Fiergs, 87,2% das exportações do RS aos EUA sofrem com algum tipo de tarifa, e o estado é um dos mais expostos às barreiras comerciais americanas.

O que dizem os analistas sobre o Congresso
O economista Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), afirmou que a nova composição do Congresso pode ampliar a interlocução política com o Itamaraty e a fiscalização sobre a Casa Branca. Para ele, porém, o Legislativo não tem poder para alterar por conta própria a política comercial do Executivo.
O analista Christopher Garman avaliou que os parlamentares podem pressionar o Departamento de Estado, mas não necessariamente reverter tarifas e sanções. Os temas bilaterais citados nas reportagens incluem as tarifas sobre produtos brasileiros, a pressão para o Brasil se afastar da China e a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
A apuração ainda não estava concluída. A Folha publicou números parciais na manhã de 5 de novembro: 240 democratas e 147 republicanos na Câmara. A nova composição só toma posse em janeiro de 2027. Projetos aprovados pelo Congresso ainda podem ser vetados por Trump, e derrubar um veto exige dois terços dos votos em cada Casa.
Segundo o Jornal Extra, o senador democrata Ron Wyden afirmou que uma prioridade do partido será reafirmar a autoridade do Congresso sobre a política comercial e combater as tarifas. É uma declaração de agenda, sem efeito prático por ora. Valor Internacional e CNN Brasil também registram avaliações de que o resultado pode abrir espaço para diálogo, sem mudança imediata.
Tarifas já pesam sobre a indústria gaúcha
Os EUA anunciaram em 15 de julho uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, após investigação do Representante de Comércio (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Uma tarifa adicional de 12,5% entrou em vigor em 24 de julho, e vários setores passaram a enfrentar sobretaxa de 37,5%.
A Fiergs calcula que o impacto da tarifa da Seção 301 atinge 50,4% das vendas gaúchas ao mercado americano, o equivalente a US$ 830,1 milhões. Quando entrou em vigor a sobretaxa de 25%, apenas cerca de 2% do total exportado pelo RS aos EUA ficou fora da nova tarifa. Entre os itens gaúchos atingidos estão máquinas e equipamentos, equipamentos elétricos, calçados, móveis, tabaco e produtos metalúrgicos. Aço e alumínio também têm tarifas previstas na Seção 232.
Os Estados Unidos são o segundo principal mercado comprador dos produtos do estado. A Fiergs aponta, com base em dados da própria entidade, redução significativa das exportações desde o segundo semestre de 2025.
Setor industrial cobra negociação
O presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, afirmou que é urgente o governo federal intensificar as negociações com os EUA para reverter as medidas e detalhar pacotes de ajuda aos setores atingidos. A federação defende a manutenção do diálogo diplomático e comercial entre os dois países.
Segundo a imprensa, o governo Lula aposta em um reequilíbrio de forças em Washington após a derrota de Trump no Congresso. O Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) não anunciaram mudança de estratégia nas reportagens consultadas.
O que vem a seguir
A nova maioria democrata assume em janeiro de 2027. Até lá, as tarifas dependem de decisões do Executivo americano e de negociações entre os governos, e a Fiergs segue acompanhando o impacto nas exportações gaúchas.
Perguntas frequentes
A vitória dos democratas nos EUA muda as tarifas agora?
Não. Nenhuma das reportagens consultadas registra mudança nas tarifas após a eleição de 3 de novembro.
Quando a nova maioria democrata assume o Congresso?
Em janeiro de 2027.
Quanto das exportações gaúchas aos EUA sofre tarifa?
Segundo a Fiergs, 87,2% das exportações do RS aos EUA sofrem com algum tipo de tarifa.
Quais setores gaúchos são atingidos pelas tarifas?
Máquinas e equipamentos, equipamentos elétricos, calçados, móveis, tabaco e produtos metalúrgicos, além de aço e alumínio.
Saber mais: fontes consultadas (11)
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