Defesa de Dionatan Portella vai pedir absolvição no júri do caso Paula, em Soledade
Advogado Manoel Castanheira diz que usará as provas de seis anos de processo e afirma que o réu entrou no caso por questões pessoais; a acusação sustenta outra versão.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 3 min de leitura

A defesa de Dionatan Portella da Silva, um dos quatro réus pela morte de Paula Perin Portes, vai pedir a absolvição ao Tribunal do Júri. O advogado Manoel Castanheira afirmou, no início do julgamento, que vai usar as provas reunidas em seis anos de investigação e processo. O objetivo é mostrar aos jurados que o cliente não participou da morte. A sessão começou nesta terça (20), em Soledade, no Norte do RS.

O julgamento pode se estender por vários dias e deve ouvir muitas testemunhas. A previsão é de 18 testemunhas de acusação e defesa, e a sessão poderá durar até quatro dias. Dionatan é um dos quatro acusados, e o resultado vale para ele individualmente, a partir da decisão dos sete jurados que compõem o Conselho de Sentença.
Defesa diz que inclusão teve motivação pessoal
Segundo Castanheira, Dionatan foi incluído no processo a partir de uma suposta articulação envolvendo integrantes das forças de segurança. O advogado afirma que isso ocorreu por questões pessoais e sem provas capazes de demonstrar a participação do réu no crime.
A defesa diz ter conversas de WhatsApp que, na avaliação do advogado, sustentam essa tese. Ele citou diálogos entre um dos acusados, que depois passou à condição de testemunha, e um integrante das forças de segurança. Castanheira disse que esse material será apresentado e analisado durante o júri e afirmou confiar na decisão dos jurados.
Trata-se de alegação da defesa, que será confrontada com a acusação ao longo da sessão.
O que diz a acusação
Os quatro réus são acusados de homicídio qualificado. As qualificadoras são asfixia, dissimulação e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Um dos réus também responde por ocultação de cadáver.
Segundo o Ministério Público do RS (MPRS), Paula desapareceu depois de sair para encontrar um dos acusados, com quem tinha amizade. A denúncia aponta que ela foi morta por asfixia e teve o corpo ocultado em área rural. O corpo foi encontrado em 16 de agosto de 2020, cerca de dois meses depois.
Para a acusação, o motivo do crime foi o medo de que Paula contasse o que sabia sobre agressões contra uma amiga, ex-companheira de um dos réus. Dois acusados são apontados como coautores e outros dois como participantes. A acusação está a cargo do promotor de Justiça Marcos Paulo Freza.
Júri já foi adiado três vezes
O julgamento foi adiado três vezes antes de começar. A sessão prevista para abril foi suspensa por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), após pedido do MPRS, que apontou risco de nulidade na produção de provas testemunhais. O mérito do recurso ainda aguarda análise da Sexta Turma.
O crime aconteceu na madrugada de 11 de junho de 2020, em um imóvel no bairro Fontes, em Soledade. Até decisão definitiva, a acusação não deve ser confundida com condenação, e os réus têm direito à ampla defesa e ao contraditório.
Serviço
O júri começou às 9h30 desta terça (20), na Câmara de Vereadores de Soledade, que serve de sede porque o salão do Fórum está interditado para obras de revitalização. A presidência é do juiz José Pedro Guimarães, e a sessão pode durar até quatro dias.
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