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Copom decide a Selic na quarta; risco fiscal pode frear cortes e encarecer o crédito no RS

Economista ligado a Lula minimiza o aperto nas contas públicas e elogia plano de Lara Resende para reduzir a Selic, enquanto o mercado aposta em pausa.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 3 min de leitura

Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, instituição que decide a taxa Selic (foto de arquivo).
Foto: Banco Central do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira (4) se corta a Selic ou interrompe a sequência de reduções. A reunião começou nesta terça (3), e a taxa está hoje em 13,75% ao ano. O risco fiscal entrou no debate depois da eleição de Lula.

Para o gaúcho que financia a casa, toma consignado, financia a safra ou pede capital de giro, a Selic é a referência de custo do dinheiro. Uma pausa mantém o juro básico onde está e adia qualquer alívio nas prestações. Mesmo com corte, a queda não chega automática nem imediatamente às taxas de cada contrato, que dependem do banco, da modalidade e do risco do cliente.

Quadro: Copom decide a Selic na quarta; risco fiscal pode frear cortes e encarecer o crédito no RS
Entenda em um quadro · Bairrista

Gabrielli vê quadro fiscal menos dramático

Em artigo publicado na segunda-feira (2), José Sérgio Gabrielli, que a Folha de S.Paulo identifica como coordenador do programa de governo de Lula, avaliou que a situação fiscal é "menos dramática" do que dizem os defensores de um ajuste para estabilizar a dívida. Segundo o jornal, ele reconheceu a necessidade de medidas para reduzir o déficit e elogiou a proposta do economista André Lara Resende.

Infográfico: Mercado vê pausa na Selic; 72 de 105 apostam em manter 13,75%
Infográfico · Bairrista

A CNN Brasil também noticiou o endosso de Gabrielli à ideia de Lara Resende.

O que propõe Lara Resende

Conforme a imprensa, o plano prevê baixar a Selic gradualmente até 7,5% ao ano em 12 meses e, depois, mantê-la numa faixa entre 3% e 5,5%. Também cria um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, que definiria metas fiscais e monetárias com horizonte de quatro a cinco anos.

O argumento do economista, segundo o Valor, é que juros altos inflam o custo da dívida pública e pesam no desequilíbrio das contas. Ele citou déficit primário de 0,4% do PIB e estimou economia da ordem de 4% do PIB ao ano. São cálculos dele, não de órgão público.

O Valor também reportou que economistas ouvidos veem na proposta uma ameaça para a inflação e para os juros de longo prazo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse não haver encontro marcado entre Lula e Lara Resende e que o governo não estuda tabelar juros.

Mercado aposta em pausa

Pesquisa do Valor com 105 bancos e consultorias mostra 72 esperando manutenção em 13,75% e 33 projetando novo corte de 0,25 ponto percentual. Entre os motivos citados pelos analistas estão a piora percebida do risco fiscal após a eleição, as expectativas de inflação e a inflação corrente persistente.

O último corte foi de 0,25 ponto, de 14% para 13,75%, em setembro. Uma pausa em novembro encerraria a série de reduções iniciada em março.

No campo, o levantamento do Cepea divulgado pela imprensa aponta inadimplência rural nacional de 9,69% em agosto de 2026. No Rio Grande do Sul, as operações prorrogadas e renegociadas aparecem mais concentradas, num contexto que inclui as enchentes de 2024. Juros básicos mais altos por mais tempo dificultam a vida de quem já negocia dívidas.

Serviço: o Copom divulga a decisão sobre a Selic e o comunicado na quarta-feira (4), no site do Banco Central (bcb.gov.br).

Perguntas frequentes

Quando o Copom decide a Selic?

Na quarta-feira (4), com divulgação da decisão e do comunicado no site do Banco Central (bcb.gov.br).

Qual é a Selic atual?

A taxa está em 13,75% ao ano.

A pausa é a aposta do mercado?

Sim. Dos 105 bancos e consultorias ouvidos pelo Valor, 72 esperam manutenção em 13,75% e 33 projetam corte de 0,25 ponto.

Um corte reduz automaticamente o juro do meu financiamento?

Não de imediato. A queda não chega automaticamente às taxas de cada contrato, que dependem do banco, da modalidade e do risco do cliente.

Saber mais: fontes consultadas (7)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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