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Agro

COI visita olivais de Bagé e Canguçu; Ibraoliva vê adesão do Brasil na reta final

Na terceira visita seguida, missão discutiu a oscilação entre safras e o azeite importado rotulado como extravirgem; o RS colheu 1,17 milhão de litros em 2026.

Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 3 min de leitura

Ramos de oliveira com azeitonas verdes em meio às folhas, sob céu azul.
Foto: Divulgação/Governo do RS

A terceira visita consecutiva do Conselho Oleícola Internacional (COI) ao Brasil passou por propriedades de Bagé e Canguçu, na Campanha e na Serra do Sudeste. Os representantes do organismo conheceram pomares, lagares e os sistemas de produção dos olivicultores. A agenda, de 12 a 20 de outubro, incluiu também o Rio de Janeiro. A visita teve parceria do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) e apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Quadro: COI visita olivais de Bagé e Canguçu; Ibraoliva vê adesão do Brasil na reta final
Em números · Bairrista

Para quem compra azeite no mercado, o ponto central é o rótulo. O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, afirma que a entidade trabalha com o Ministério da Agricultura para identificar importados que chegam com características incompatíveis com a categoria extravirgem. Para quem produz, o desafio é repetir a colheita todos os anos.

Safra oscila de 190 mil litros a 1,17 milhão

Obino Filho aponta a oscilação do volume produzido entre as safras como o principal entrave à regularidade do abastecimento. Os números do próprio Ibraoliva mostram o tamanho da variação. O RS produziu 1,17 milhão de litros em 2026, alta de 514,82% sobre os 190,3 mil litros de 2025. O volume supera o recorde estadual anterior, de 580.228 litros, de 2023.

O resultado de 2026 veio depois de uma safra de 2025 prejudicada pelo clima. No país inteiro, a produção chegou a 1,434 milhão de litros. O RS concentrou cerca de 82% do total. O Estado conta com 31 lagares e cerca de 390 produtores, segundo o Ibraoliva. Bagé e Canguçu estão entre os principais municípios produtores.

Mesmo com o recorde, a produção nacional ainda representa entre 1% e 1,5% do consumo interno, num mercado dominado por importados. Obino Filho afirma que o Brasil está entre os maiores importadores mundiais de azeite e tem espaço para ampliar o consumo.

Rótulo extravirgem na mira

Segundo o dirigente, os representantes do COI reconheceram o perfil dos azeites brasileiros. Ele atribui esse perfil à opção dos olivicultores por sistemas voltados ao extravirgem, mesmo com volumes pequenos diante dos grandes produtores mundiais. Ele também afirma que, na média, o azeite brasileiro é o melhor do mundo, por priorizar a qualidade, e não a quantidade.

Obino Filho disse que não se pode mais admitir a entrada no país de azeites de baixíssima qualidade, "às vezes lampantes", rotulados como extravirgens. Lampante é a categoria mais baixa do azeite de oliva, que precisa de refino antes de ir à mesa. Para ele, o entendimento do COI sobre a preocupação dos produtores pode ajudar a aperfeiçoar normas e mecanismos de fiscalização. Ele defende que a identificação correta protege o consumidor e garante concorrência em condições adequadas.

A programação deste ano incluiu nova etapa de formação de técnicos que poderão integrar painéis de análise sensorial, responsáveis por avaliar as características dos azeites e contribuir para sua classificação. Também houve encontros com produtores em Porto Alegre e Bagé.

Adesão ao COI depende de trâmite do governo

Obino Filho diz que produtores e Ministério da Agricultura trabalham juntos desde o início das aproximações com o COI. Segundo ele, o conselho trabalha pela adesão do Brasil, e o processo está na reta final.

O Brasil participa hoje como observador. O tema foi discutido em Madri com o secretário-executivo do ministério, Cleber Oliveira Soares. Na ocasião, o país reafirmou o interesse em entrar e confirmou que avança no processo de adesão. O COI espera que o Brasil seja membro pleno até 2027.

A missão também serve de vitrine para a campanha do COI no mercado brasileiro. A campanha internacional de promoção do consumo de azeite extravirgem está prevista para o período de 2024 a 2027, em parceria com o Ibraoliva e o Ministério da Agricultura.

Perguntas frequentes

Quanto azeite o RS produziu em 2026?

O RS produziu 1,17 milhão de litros em 2026, alta de 514,82% sobre os 190,3 mil litros de 2025.

Quantos produtores e lagares existem no RS?

O Estado conta com 31 lagares e cerca de 390 produtores, segundo o Ibraoliva.

Quando o Brasil deve virar membro pleno do COI?

O COI espera que o Brasil seja membro pleno até 2027, e o processo de adesão está na reta final.

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