Cobertura contra a pólio no RS está abaixo da meta de 95% há mais de 10 anos
Índice parcial de 2026 é de 88,47%, e mais de 70% dos municípios gaúchos têm risco alto ou muito alto de reintrodução do poliovírus, segundo análise de 2025.
Redação Bairrista · Repórter de Educação · · 3 min de leitura

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) reforça, nesta terça (20), a mobilização pela vacinação infantil contra a poliomielite. O Rio Grande do Sul não atinge a meta de 95% de cobertura do Ministério da Saúde há mais de 10 anos. Em 2026, os dados parciais mostram 88,47%.
Para o leitor com filho pequeno, o pedido da SES é direto: manter a caderneta de vacinação atualizada. A pólio não tem cura, mas a vacina é segura, eficaz e gratuita nas unidades de saúde do SUS.
Risco de volta do vírus é considerado alto
A análise de risco de reintrodução do poliovírus, feita todo ano pelo Ministério da Saúde e pelos estados, classificou o Brasil em situação de alto risco em 2025. No RS, mais de 70% dos municípios têm risco alto ou muito alto. A cobertura abaixo da meta nos últimos anos está entre os fatores que mais pesam.
O cálculo também considera ações da vigilância epidemiológica, acesso a saneamento básico e ocorrência de casos e surtos de doenças preveníveis por vacina.
O Brasil está livre do poliovírus selvagem desde 1994, mas o vírus ainda circula em outras partes do mundo. Hoje, só Afeganistão e Paquistão têm transmissão endêmica. Enquanto isso persistir, todos os países seguem vulneráveis.
Índice se recuperou, mas não chegou à meta
A cobertura caiu durante a pandemia de Covid-19 e melhorou depois. Mesmo assim, não voltou aos 95%. Os números da SES para o RS:
| Ano | Cobertura |
|---|---|
| 2026 (dados parciais) | 88,47% |
| 2025 | 91,51% |
| 2024 | 93,49% |
| 2023 | 88,68% |
| 2022 | 78,80% |
| 2021 | 76,35% |
| 2020 | 85,14% |
| 2019 | 85,09% |
| 2018 | 85,70% |
| 2017 | 85,73% |
| 2016 | 85,46% |
Quando vacinar: cinco doses
O esquema do Programa Nacional de Imunizações tem cinco doses da vacina inativada (VIP), aplicada por injeção. A "gotinha" oral deixou de ser usada na rotina. O segundo reforço é aplicado aos 4 anos.
- 1ª dose: 2 meses
- 2ª dose: 4 meses
- 3ª dose: 6 meses
- 1º reforço: 15 meses
- 2º reforço: 4 anos
Doença já fez surtos no Estado
Antes da vacinação em massa, o RS enfrentava surtos frequentes de pólio, sobretudo nas décadas de 1950, 1960 e 1970. A imunização no país começou em 1961. O último caso no Estado foi registrado em 1983, em Santa Maria. No Brasil, foi em 1989, em Sousa (PB).
A poliomielite é causada por um vírus transmitido principalmente por água ou alimentos contaminados e pelo contato com secreções de infectados. Na maioria dos casos, a infecção passa sem sintomas ou com sintomas leves. Em uma pequena parcela, o vírus atinge o sistema nervoso central e provoca perda de força muscular, paralisia permanente e comprometimento dos músculos da respiração. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença atinge principalmente menores de cinco anos.
Vigilância investiga paralisias suspeitas
A vigilância epidemiológica monitora os casos de paralisia flácida aguda (PFA), que é a perda repentina de força muscular com flacidez e redução dos reflexos. Todo caso em menores de 15 anos precisa ser investigado, seja qual for a causa suspeita. A suspeita de pólio em qualquer idade também entra na investigação. Os pacientes são reavaliados cerca de 60 dias após o início dos sintomas. No RS, são investigados, em média, 22 casos de PFA por ano.
Pais e responsáveis devem levar a caderneta da criança a uma unidade de saúde do SUS. As doses são gratuitas.
Perguntas frequentes
Quantas doses da vacina contra a pólio são necessárias?
O esquema tem cinco doses da vacina inativada (VIP): 2, 4 e 6 meses, 1º reforço aos 15 meses e 2º reforço aos 4 anos.
Qual é a cobertura vacinal contra a pólio no RS em 2026?
Os dados parciais de 2026 mostram 88,47%, abaixo da meta de 95% do Ministério da Saúde.
A vacina contra a pólio é gratuita?
Sim. As doses são gratuitas nas unidades de saúde do SUS, bastando levar a caderneta da criança.
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