Cientista política propõe teste para eleitor ver se usa dois pesos ao checar notícias
Elis Radmann, fundadora do Instituto Pesquisas de Opinião, também defende consumir menos informação política na reta final da campanha.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

A cientista social e política Elis Radmann, diretora do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), propõe um exercício simples ao eleitor: comparar o rigor com que ele verifica uma notícia negativa sobre o candidato de quem gosta e sobre o de quem discorda. Se os critérios mudam conforme o alvo da notícia, diz ela, o eleitor provavelmente está preso a uma lógica de confirmação das próprias opiniões.
Para quem vai às urnas, a recomendação é prática: desconfiar primeiro das próprias convicções, e só depois do que chega pelo celular. Radmann também diz que não é preciso acompanhar política o dia inteiro para votar com responsabilidade. Tentar ver tudo, segundo ela, pode gerar ansiedade, irritação e saturação. Em vez disso, ela sugere escolher fontes confiáveis, comparar as informações relevantes e reservar tempo para refletir.
"No final de uma campanha, talvez seja mais importante consumir menos informação e escolher melhor as fontes do que tentar acompanhar tudo", avalia. Ela também orienta a pesquisar a informação em mais de uma fonte jornalística confiável e a desconfiar de mensagens que pedem compartilhamento imediato ou provocam medo.
Diretora do IPO é formada na UFPel e na UFRGS
Radmann é bacharel em Ciências Sociais e especialista em Ciência Política pela UFPel, e mestre em Ciência Política pela UFRGS.
Folha e Lupa checam o debate da Globo ao vivo nesta sexta (23)
A recomendação de consumir menos informação convive com o trabalho das agências de checagem. A Folha e a Agência Lupa anunciaram verificação ao vivo no debate presidencial da TV Globo, nesta sexta (23). As frases serão classificadas, por exemplo, como verdadeiras, falsas, exageradas ou sem contexto.
No levantamento da Lupa sobre o primeiro turno de 2026, 17 de 80 conteúdos verificados (21,3%) traziam falsos sinais de apoio político. Outros 15 (18,8%) envolviam material produzido ou alterado por inteligência artificial. A própria agência informa que a amostra não representa tudo o que circulou na campanha.
O debate da Globo terá checagem ao vivo nos sites da Folha e da Agência Lupa nesta sexta (23). Os resultados das verificações ficarão disponíveis nos dois endereços.
Saber mais
- Jornal Tradição – Excesso de conteúdo e desinformação ameaçam debate público na reta final das eleições
- Coletiva.net – Perfil de Elis Radmann
- Folha de S.Paulo – Folha e Agência Lupa farão checagem ao vivo durante debate da TV Globo
- Agência Lupa – Desinformação sobre sistema eleitoral recua, enquanto falsos sinais de apoio ganham espaço no 1º turno de 2026
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